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Paula e as Sonecas

Uma das maiores reclamações de pais com bebes da idade de Paula (6 meses) é o fato de que os bebes dormem pouco durante a noite, de forma que papai ou mamãe tem que acordar às 6 da matina final de semana, quando eles preferiam estar acordando lá para às 8, ou 9, ou 10 da manhã. Nunca tivemos muito desse problema com Paula exceto, claro, quando ela era bem pequena. Não me lembro quando isso começou, mas há muito tempo que colocamos Paula para dormir às 7 da noite e dai ela vai até às 7 do dia seguinte (isso mesmo, 12 horas seguidas de sono). Mas nós, como pais de primeira viagem, não poderíamos nos deixar de preocupar com Paula. O problema? Paula dorme muito pouco durante o dia.

Na média, um bebe na idade dela dorme em torno de 14 horas por dia, com alguns bebes dormindo em torno de 9 horas por dia e outros dormindo até 18 horas por dia. Na média, eles dormem de 9 a 10 horas durante a noite e 3 a 4 horas durante o dia, dividido  em várias sonecas. Mas as sonecas também variam, com bebes dormindo mais de 1 hora na soneca, e outros dormindo 20 minutos.

Pois bem, Paula dorme 12 horas seguidas durante a  noite, mas durante o dia em geral tira duas sonecas de meia hora cada. E às vezes nem isso. Tem dia que vamos pegar ela na creche e vemos no diário (todo dia eles fornecem um diário mostrando o quanto ela dormiu, o quanto ela comeu, quantas fraldas foram trocadas e todas essas informações importantíssimas) que ela só tirou uma soneca de meia hora no meio do dia. Claro, ela chega em casa exausta. Dai que damos banho nela e já no meio da mamadeira da noite ela dorme. Literalmente jogamos ela no berço sem ninar nem nada e ela só vai acordar no dia seguinte.

No total, ela dorme um número de horas razoável (em torno de 13 horas por dia). Mas Eduardo, principalmente, se preocupa que ela não dorme o bastante durante o dia. Bem, eu concordo que seria melhor ela distribuir o sono durante o dia e talvez não ficar tão cansada durante à noite, mas tenho que admitir que adoro o fato dela dormir 12 horas seguidas. Com ela indo para a cama às 7 da noite, temos a noite toda para nós (no meu caso, tirar o atrasado do dia do trabalho), e com ela acordando às 7 do dia seguinte, tenho tempo de sobra de ir para a academia antes dela acordar (é isso aí, às 7 da manhã já acordei, já fui para a academia, já voltei, tomei banho e me arrumei para o trabalho ;-)

Eu, por minha parte, sou a maior defensora dos horários de Paula. Primeiro, porque acredito na individualidade de cada um, e não é porque em média um bebe dorme 3 – 4 horas durante o dia que ela tem que ser igual. Segundo, porque eu ODEIO dormir, e não gosto de ver ninguém impondo o “você deveria dormir mais” para outra pessoa. Vou para a cama de noite com o maior prazer, e preciso e muito de minhas 6 – 7 horas de sono por noite, mas acaba por ai. Me lembro, por exemplo, do período que Paula tinha nascido. Eu dormia pouquíssimo durante a noite, e era um sono bem quebrado. Daí que insistiam  que era importante para eu dormir durante o dia para tirar o atrasado do sono. Eu reconheço que era importante – a ciência prova que poucas horas de sono é uma grande causa de depressão pós parto em mulheres, por exemplo. Mas tenho que admitir que eu ODIAVA tirar sonecas durante o dia. ODIAVA. Achava a maior perda de tempo do mundo. Mas fazia por pressão dos outros e, por que não admitir, às vezes sentia sono mesmo ;-) Daí que estou aqui para mostrar meu apoio a Paula e o fato de ela mostrar desde cedo a individualidade dela como bebe. Dá-lhe Paula!

Paula, 5 meses e meio

Andaram me pedindo para postar uns updates de Paula. Pois bem, aqui vai. Paulinha já está com 5 meses e meio, e cada vez mais interessante. Já senta, rola, consegue girar que nem relógio quando está de barriga para baixo e consegue se impulsionar para trás, mas por algum motivo não consegue se impulsionar para frente. Vai entender. Começou a comer papinhas e, ao contrário da mãe que é chata para comer, ela papa tudo. Batata doce, cenoura, abóbora, pera, maçã … ela gosta de tudo e come com muito gosto. Aliás, comer é com ela mesmo, e prova disso são as multitudes de dobrinhas nos braços e nas pernas da moça. Paulinha também adora viajar, o que deixa os papais muito felizes. Desde que nasceu, já foi para Vancouver (no Canadá), para Yakima (três vezes) e para Chelan. Ou seja, uma viagem por mês de vida. Não é para qualquer um.

Paulinha começou a creche dia 1 de setembro e está adorando. E quem não gostaria? Ela está no meio de um bando de crianças, um bando de brinquedos, e tem umas “professoras” que são pagas para dar 100% de atenção às crianças (ao contrário de mamãe, que está escrevendo o blog e tentando de distrair Paulinha ao mesmo tempo). Os papais, claro, estão contentíssimos que tudo está dando certo, pleo menos até o momento.

Papai que anda meio cabisbaixo com a perspectiva de voltar a trabalhar. Por sinal, hoje, no próprio 11 de setembro, é o último dia de licença paternidade dele. A partir de amanhã, a casa vai começar uma rotina nova: papai e mamãe no trabalho e Paulinha na creche. Depois de quase 6 meses, quem sabe agora não começamos a criar algum tipo de rotina? Pelo menos, até a próxima casa que Eduardo inventar de comprar ;-)

Paulinha toda orgulhosa e feliz na high chair

Pauliha pronta para mais uma viagem

Paulinha na creche - onde está Paulinha???

E Lá Se Foi o Ano

Bem, ainda não completamente. Mas estamos quase lá, e antes de percebermos, já estaremos no Thanksgiving comendo peru. Esse foi (melhor, tem sido) um ano de muitas mudanças na casa dos Neves-Oliveira. Para começar, tivemos um bebe em março. Quer mudança maior que essa? De casal passamos a família. Essa por si já teria sido a mudança do ano. Mas aí meus pais resolveram que iriam morar aqui em Seattle. Pedimos green card para eles, que já saiu (o processo é fácil e rápido), e eles compraram uma townhome (convenientemente localizada pertinho daqui de casa). Isso, por si só, já teria sido outra mudança do ano.

Mas agora que estávamos voltando a uma certa rotina, eis que resolvo fazer outra mudança: trocar de emprego. Eu estava na firma antiga tinha três anos e tinha algumas queixas. A firma era de tamanho médio, ao contrário da firma anterior, que era uma firma grande com escritórios em várias outras cidades do país. A variedade de trabalho na minha área era pouca. Eu trabalhava na área de desapropriação, que eu gostava, mas era só isso. As chances que eu tinha de trabalhar em outras áreas eram bem pequenas e, bem já tinha outros paralegals para aquelas áreas. E, por fim, mas não menos importante, a localização da firma era horrível. Ela ficava num pier, no fim do mundo, e tinha uma linha de trem bem em frente à firma. O barulho não incomodava, mas muitas vezes passava um daqueles trens de carga quilométricos e se acontecia dele passar na hora de você estar chegando ou saindo do trabalho, azar o seu.

A nova firma é bem maior, de fato acredito que seja a terceira maior de Seattle. Fica no centro (yay!), num prédio alto, e chegar lá é muito fácil. Basta pegar um ônibus e para a uns dois quarteirões da firma, ou eu posso ir andando (meia hora de caminhada de minha casa até lá). Na outra firma, eu pegava o ônibus até o centro e andava mais 20-30 minutos para chegar lá. Tem mais! Eu conheço várias pessoas na firma nova, por conta do fato de que várias pessoas da Heller (minha firma antiga que fechou) terem se mudado para lá. O problema? Fui contratada para trabalhar em “litigation” de forma geral, com foco em falência. Quem disse que eu sei nada sobre falência? Pois é, ando estudando adoidado para entender um pouco sobre o assunto antes que alguém precise de minha “opinião especializada” sobre o assunto…

É isso aí. Não fiquem surpresos se daqui a um mês eu voltar aqui com mais alguma super novidade. Definitivamente, não tem sido um ano entendiante  :-)

O Mundo Pertence Às Enfermeiras (E, Claro, Às Paralegals)

Como muitos já devem estar sabendo, Eduardo operou na terça-feira para remover a vesícula. Foi surpresa para muita gente, mas para nós, nem tanto. Primeiro, porque quando ele removeu o apêndice anos e anos atrás, os médicos já tinha avisado que ele tinha pedra na vesícula e que provavelmente ele teria problema algum dia. Depois ultimamente ele andava sentindo dores de estômago, o que nos fez desconfiar que algo estava errado. Bastou um simples exame de ultrassom para determinar que a vesícula estava bastante inflamada. Isso foi na segunda, e na terça foi a operação.

A operação em si foi tranquila, fora o atraso de duas horas.  Nós esperávamos que ele fosse retornar para casa no mesmo dia (como foi na cirurgia do apêndice), mas houve umas complicações e daí ele acabou passando a noite no hospital. Agora ele está recuperando em casa e desconfio que vamos ficar de molho um tempinho até ele voltar ao normal, ou seja, nada de esportes radicais para esse casal radical    ;-)

A “estadia” de Eduardo no hospital só fez confirmar algo que já tinha desconfiado desde quando tive Paula no hospital: o mundo pertence às enfermeiras, e não necessariamente às boas enfermeiras. Aqui nos Estados Unidos, médico custa caro. Daí que o quanto mais eles puderem delegar para as enfermeiras, melhor para sua conta médica no final do mês. Assim foi que no período de aproximadamente 15 horas que Eduardo ficou no hospital, ele passou pelas mãos de um bocadinho de enfermeiras, que variavam do excelente para o “não precisa fazer isso não, a dor já passou”, de tanta confiança que você sentia na capacidade da enfermeira. A primeira enfermeira, por exemplo, foi muito boazinha. Eduardo estava sentindo muita dor e o primeiro comprimido contra dor que ele tinha tomado não estava funcionando. Depois de ter tomado o segundo comprimido, ela disse que se não funcionasse eles tentariam uma droga mais forte para tomar na veia. Não funcionou, mas daí já tinham trocado os turnos da enfermeiras e a segunda queria tentar outro comprimido, ibuprofen. Ora, ibuprofen não cura nem dor de cotovelo, quanto mais dor de cirurgia. Depois de alguma insistência, Eduardo conseguiu  um remédio contra dor mais potente que se toma direto na veia. Foi alívio instantâneo. Não fiquei à noite com Eduardo, mas pelo que ouvi falar, o nível das enfermeiras foi caindo à medida que as horas iam passando. Médico ele e eu mal vimos. Depois da cirugia, eu conversei com o médico uma vez pelo telefone e Eduardo conversou outra vez pelo telefone, e foi só.

Assim como minhas colegas enfermeiras, o mesmo acontece com as paralegals. Advogado aqui nos Estados Unidos custa caro. Admito que advogados não custam tão caro quanto médicos, afinal de contas, são menos anos de estudo e a responsabilidade é menor, assim como a ”liability” – e quem é que vai comprar briga com advogado? De qualquer forma, e valendo-se da mesma regira, eles delegam para as paralegals o que podem. E cá para nós, há coisas que eu faço muito melhor que qualquer advogado. Eles são muito bons para complicar as coisas, para fazer valer o valor que eles cobram por hora, e eu descomplico o máximo que posso, para parecer que eu sou mais eficiente do que realmente sou.

Mas a regra é a mesma – se você quer bom atendimento, trate bem as enfermeiras (e, claro, as paralegals) ;-)

Diga SIM Ao Vestido

Um dos meus ”guilty pleasures” é um programa de TV chamado “Say Yes to the Dress“, ou Diga Sim ao Vestido em português. Não sei qual a tradução de “guilty pleasure” em português, mas é mais ou menos algo que você adora fazer mas se sente um pouco culpado de gostar tanto daquilo, seja porque todo mundo acha muito bobo ou muito fútil. O programa do vestido é ambos – bobo e fútil – mas eu gosto mesmo pelo aspecto sociológico do estudo humano da coisa. Sacou? Mais ou menos que nem homem que gosta de ler Playboy pelas reportagens de primeira, e não pelas fotos.

O programa passa nos Estados Unidos pela TLC e não tenho a mínima idéia se passa no Brasil. Trata-se de uma loja de vestido de noivas em Nova York, a Kleinfeld. Cada episódio mostra três mulheres – duas que vão à loja atrás de uma vestido e uma terceira que já escolheu o vestido e está voltando para fazer a última prova do vestido alterado. Eles tentam fazer um tema para cada episódio. Por exemplo, um episódio é sobre mulheres que levam o noivo para escolher o vestido (e isso não dá azar?), outro sobre noivas indecisas e por ai vai.

Eu não tenho nenhuma pretensão que o programa vá refletir acuramente a população feminina que vai comprar vestido de noiva. Afinal de coisas, eles estão atrás de ibope e a maior parte das pessoas nesse planeta é meio sem gracinha, que nem eu.  Mas às vezes me pergunto se as pessoas que eles arrumam são pessoas de verdade ou pessoas que forçam a barra para aparecer no programa. Por exemplo, há o caso da família onde a mãe insistia em escolher o vestido da filha, porque afinal de contas, “esse seria o vestido que eu escolheria”, dizia a mãe. Veja bem, a mãe teve uma casamento bem simples e queria se realizar na filha. Lá para as tantas, aparece a mamãe vestida com um vestido de noiva que a filha já tinha experimentado e afirma para os familiares que acompanharam a prova (e que a essa altura estavam mais do que boquiabertos) que ela está muito melhor no vestido do que a filha. E tem a mamãe que adora colocar a estima da filha para baixo – “nossa, você está parecendo um saco de batata com essa roupa!”, “você está mesmo considerando esse vestido para seu casamento?”. Por outro lado, também há a filhinha mimada que aproveita a boa vontade dos papais - “mas mamãe, eu adorei esse vestido de $15,000, apesar de você ter dito que SÓ pagaria por no máximo $5,000″. Ora bolas, será que existem mamães e filhotas assim? Não no meu mundo sem graça.

Um dos meus temas favoritos, por sinal tema constante do programa, é a mulher gordinha que se acha o máximo e quer um vestido que “mostre todas minhas curvas”, e a mulher magrela tábua que se acha enorme de gorda em qualquer vestido. Me lembro muito bem de uma mulher bem grandinha que levou o noivo e tinha amado um certo vestido. O noivo não gostou tanto, dizendo que o vestido não era tão colado quanto ele gostaria e não fazia juz às curvas da noiva.

Eu nunca dei muita bola para casamento de luxo e vestido de noiva, mas eu admito que me realizo no casamentos e vestidos de outras mulheres (Paulinha que se cuide). Mas cada um tem suas prioridades na vida – uns gostam de carro, outros gostam de festa, outros gostam de farra e vestido de noiva. Bem, eu gosto de viagens e bons restaurantes, e me deixa doente ver as noivas pagando U$ 7,000  num vestido, quando eu poderia estar fazendo uma viagem maravilhosa com esse dinheiro. O que se há de fazer? Respeitar as prioridades de cada um, não é mesmo?

E já que estamos falando de “guilty pleasures”, aqui vão alguns outros: 1) Fashion Police, do E TV,  onde fica uma turminha que acha que entende de moda criticando as celebridades; bem, esse nem eu tenho como justificar o aspecto sociológico humano da coisa, é “guilty pleasure” mesmo; 2) Dr. G, do Discovery Health, programa meio documentário sobre uma médica legista que investiga a causa morte dos que já passaram para uma melhor; bem, esse é instrutivo (se você se interessa pela coisa), e eu amo a Dr. G!!!; 3) Cupcake Girls, sobre duas mulheres que têm várias lojas de cupcakes; gosto de programa porque se passa em Vancouver, Canadá, uma cidade que adoro. Mas é bobo de doer, tipo “é sexta à noite de uma semana de matar e eu quero meu cerebro vegetando”. E vou parar por aqui porque isso já está ficando “embarassing” para o meu lado ;-)

Paula e Victor

Dentre os vários amiguinhos de Paulinha, um dos favoritos é Victor. Eles se entendem muito bem. Victor é um menino comportadíssimo e de muitíssimo boa família. E Paulinha, como vocês  bem sabem, é uma lady …

Mamãe, me socorre dessa menina louca!

E é assim que todo encontro de Victor e Paulinha acaba em tapas e mordidas. Uma hora é Paulinha que morde o braço de Victor, outra hora é Victor que resolve testar a paciência da lady Paulinha …

Uhm, o que será que esse menino quer com meu sapato?

Larga do meu sapato, Victor!

Que diabo de menino que não larga do meu sapato!

Pela última vez, larga do meu sapato ou você vai ver!

Mas mamãe, eu avisei que era para ele largar do meu sapato...

Mas no final, como toda boa amizade entre uma menina de 4 meses e um menino de 6 meses, há aquele momento que eles percebem que o que importa mesmo nessa vida é saber perdoar …

Ok, vamos ser amigos de novo.

Bem, pelo menos até o próximo encontro ;-)

Algumas Novidades

Pois bem, ando desaparecida,  mas não por falta de notícias. É que ando evitando publicar novidades com medo que as coisas andem para trás. Assim, por exemplo, a novidade de uma certa casa que conseguimos vender … mas isso fica para outro post. Se eu contar a história toda, o negócio anda para trás e nem banho de pipoca ou galinha morta na encruzilhada vão salvar nosso negócio (e eu ainda corro o risco de ser presa pela galinha morta na encruzilhada).

Paula anda muito bem, obrigada. Com quase quatro meses de idade, já é uma mocinha e daqui a pouco vai estar trabalhando de garçonete para pagar o college. Pelo menos assim espero, porque mamãe ainda não começou a economizar e só vai ficar mais difícil depois que tivermos que começar a pagar a creche.  Mas estou começando a achar que ela vai conseguir uma bolsa para o college. Cá para nós, Paula é uma menina muito esperta, mais do que todos os outros bebes que vejo por aí. Não que eu seja a mãe, claro, só estou relatando um fato.

Os pais de Eduardo chegaram por aqui, então entre pais e sogros, não posso reclamar muito de tédio. O verão também chegou esse final de semana, então aproveitei para fazer tudo o que mais gosto de atividades de verão: andar no Green Lake, fazer churrasco e passear no parque (só faltou piquenique na Chateu St Michelle). Afinal de contas, nunca se sabe quando será o próximo final de semana com sol ;-(

 

 

Meus Conselhos (So Far)

Ok, ter filho dá trabalho.  Mas o quanto de trabalho vai depender de muitos fatores, a seguir:

1. Sorte – Infelizmente, a facilidade/dificuldade de criar um filho vai depender um pouco de sua sorte ou azar. Bebes e crianças são como pessoas, uns são mais fáceis e outros são mais difíceis. Uns têm cólicas, outros não. Uns choramingam por tudo (dente crescendo, entediado), outros não. Uns são mais calmos, outros mais agitados. Uns dormem bem, outros não. Paula é tranquilíssima e nisso tivemos sorte – nada de cólica, nada de chorar à toa, dorme que é uma maravillha, aguenta fila no departamento de trânsito, fazer compras com mamãe no shopping e por aí vai.

2. Favor Não Complicar - Outro fator que ajuda/atrapalha imensamente é saber se você vai ser do tipo de pai tranquilo ou daqueles que dificultam tudo. Por exemplo, médico aqui nos Estados Unidos diz que você não precisa esterilizar mamadeira, que lavar com água quente e sabão é o bastante. Então por que você esterlizaria a mamadeira toda santa vez que for usar se é muito mais fácil só lavar com água e sabão? Outra coisa é lavar roupa de criança. Vende-se um sabão especial para lavar roupas de bebes, por ser mais delicado. Fomos a uma dessas aulas do hospital e a instrutora disse que hoje em dia o sabão em pó que usamos já é delicado o bastante, que você pode lavar as roupas do bebe junto com a sua. Bem, não precisa me falar duas vezes. Facilita demais lavar tudo junto, afinal de contas, ela não tem roupa o bastante para encher uma máquina. E por aí vai. Então meu conselho para uma vida mais fácil com crianças: descompliquem!

3. Organize-se!!! – É preciso programar-se e organizar-se muito bem para sair com bebes/crianças. Se você tem um compromisso às 2 da tarde, e precisa sair à 1:30 da tarde para estar lá, programe-se para sair à 1 da tarde. Porque você vai precisar de meia hora para dar comida/trocar fralda/eventualmente trocar de roupa se houver um acidente com a comida ou fralda/colocar bebe no car seat com chupeta, paninho e levar bolsa com essenciais. Se você deixar para fazer tudo 1:30 da tarde, bem, too late – você vai se estressar e chegar tarde no seu compromisso.

4. Respeite os horários do seu filho - Bebes têm horários cíclicos: come, troca fralda, brinca, dorme. Se você conhece e respeita os horários do seu bebe, sua vida facilita um bocado. Porque se você sair de casa para seu compromisso às 2 da tarde sabendo que seu filho come às 2 da tarde, tem uma boa chance de algo dar muito errado ao você chegar lá. Nesse caso, adiante um pouco as coisas e dê de comer à 1 da tarde, antes de sair. Daí você tem 2 – 3 horas de tranquilidade.

5. Expectativa – Quem já não foi ver aquele filme ou foi àquele restaurante do qual todos falavam super bem, para sair desapontado? Quando você tem altas expectativas, tem uma chance muito boa que você acabe não gostando. Assim também com filho – se você acha que bebes são aquelas coisas fofuchas e cheirosas o tempo todo, fonte de felicidade eterna, bem, tem uma chance boa que você ache a experiência difícil. Porque não são. Eu me lembro que muita gente me falava que ter filho era muito mais difícil do que eu jamais poderia imaginar. De fato, o primeiro mês foi de morte e sinceramente achei que não sairia daquele problema que criei para mim. Mas algo maravilhoso aconteceu: o tempo passou e as coisas melhoraram demais. Então porque eu tinha baixíssimas expectativas (vários alertas do quão difícil seria e um primeiro mês de doer), hoje estou achando a experiência toda muito mais fácil do que jamais imaginei. Então recomendo baixas expectativas ao ter um filho, ou pelo menos expectativas realistas.

Esses são meus grandes conselhos para os primeiros três meses de vida de uma criança … eu sei, sou a voz da experiência em pessoa! Mas vocês podem me perguntar de novo o que eu acho dessa vida daqui a treze anos, talvez, quem sabe, eu já  não ache as coisas tão fáceis e tenha uma opinião diferente para dar ;-)

Velocidade de Escape

Há alguns dias atrás eu estava ouvindo um artigo na NPR (National Public Radio) de um geriatra explicando a teoria do “escape velocity”, ou velocidade de escape em portugues, que se aplica a seres vivos e não vivos. Como nunca tinha ouvido falar de tal teoria, fui atrás de informação na Wikipedia, fonte de informação nem sempre correta mas que quebra o maior galho em horas como essas. Descobri que se trata de uma teoria de física que, se entendi direito, se refere à velocidade necessária para se libertar de um centro gravitacional. Sacou?

De qualquer forma, de acordo com esse geriatra que usa conceitos de física que nenhum paralegal consegue entender, se uma pessoa chega a uma idade bastate avançada, o risco dessa pessoa morrer começa a cair. E mais: essa teoria se aplica a seres vivos e não vivos. Que nem carro, por exemplo. Quem já não viu na rua um carro velho, literalmente caindo aos pedaços, que funciona que é uma maravilha? O mesmo com seres humanos. Todo mundo tem na família aquele velhinho ou velhinha que, já perto dos 90 ou 100 anos, parece indestrutível. Todos nós teremos que partir desse mundo algum dia, e a ordem lógica é que uma pessoa de 99 anos se vá antes de uma pessoa de 33 anos, mas se você conseguir chegar lá, aos 99 anos, a ideia é que vai continuar, vai continuando, sem parar …

Então minha conclusão é que o segredo todo é chegar lá. Se você conseguir quebrar a barreira da idade avançada, você tem uma boa chance de continuar avançando anos a fio. Esse geriatra, por sinal, mencionou o comediante George Burns que, quando perguntado sobre a receita de sua longevidade, respondeu que o segredo era chegar aos 100 anos, porque raramente você ouve falar de pessoas morrendo depois dos 100 anos. Coincidentemente, foi a idade que ele faleceu. Faz todo o sentido, não?

Chelan

Aproveitei meu último final de semana de licença maternidade e usei de desculpa para fazer mais uma pequena viagem. E afinal de contas, a essa altura Paulinha já espera viajar uma vez por mês, então como boa mãe que sou não vou desapontar minha filha. Saímos de mala, mamadeiras, fórmulas e fraldas na sexta-feira para a ensolarada Chelan.

A cidade de Chelan fica a umas três horas de Seattle e é famosa pelo lago. De fato, muito bonito. Mas quem me conhece sabe que eu jamais sairia dirigindo três horas de carro (e ainda por cima levei uma multa por excesso de velocidade, mas isso fica para outro dia) para ver uma poça d’água. Fui por causa das vinícolas maravilhosas que têm por lá. Inclusive, muitas delas têm vista do lago, que por incrível que pareça fica ainda mais bonito depois da segunda taça de vinho.

A viagem foi maravilhosa e de quebra passamos em Leavenworth no domingo quando estávamos voltando. O que seria do Dia dos Pais americano sem um joelho de porco? Somente um parêntese para quem mora no Brasil, aqui nos Estados Unidos o Dia dos Pais é no segundo terceiro domingo de junho. Apesar disso tudo, minha conclusão é que não vale muito a pena ir a Chelan ao invés de Yakima. Vejam só, Chelan é mais longe (3 horas, enquanto Yakima são 2 horas e meia), é mais cara por ser uma cidade mais turística, e ainda por cima achei as vinícolas de Yakima melhores em termos de qualidade de vinho. Se você vai para curtir o lago, bem, aí só Chelan mesmo, mas se você está a fim de ir para vinícolas, Yakima vale muito mais a pena.

E só para deixar registrado para a posteridade, aqui vão os vereditos das vinícolas: 1) Vin du Lac Winery: vinhos Ok, vista maravilhosa e tem restaurante; 2) Benson Winery: uma de minhas favoritas, os vinhos são bons (apesar de um pouco caros) e a vista é maravilhosa; 3) Tsillan Cellars: vinhos muito bons e também tem um restaurante, maravilhoso; também falei que a vista é “to die for”?; 4) Rio Vista Winery: provavelmente a menor e mais informal que fomos na viagem, já que os donos estavam servindo vinho. Ao invés de vista do lago, essa tinha vista do Rio Columbia; dava para ver os aviõezihos descendo e despejando pessoas para fazerem “tasting” de vinho. Isso é que é ser chique.  ;-)

Vista da Vin du Lac Winery

Benson Winery, uma de minhas favoritas

Benson Winery

Tsillan Winery

Aviãozinho pousando - Rio Vista Winery

Paulinha e papai

Paulinha e mamãe

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