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Milao

Vou tentar escrever esse post “catando letra” no mais novo iPad de Eduardo (nao recomendo, nao e tao portatil ou faz ligacoes como o iPhone e nao e tao util como um laptop).

De qualquer forma, estamos em Milao. Ja tinha ouvido dizer que as pessoas sao mais civilizadas no norte da Italia, e e verdade. De fato, essa viagem tem sido muito boa para melhorar a imagem que eu tinha dos italianos, que nao me deixaram uma impressao muito boa da ultima viagem. Nao sendo Milao uma cidade tao turistica quanto Roma, Florenca ou Veneza, voce acaba sendo um pouco mais bem tratado. A comida e boa e as pessoas sao relativamente educadas (nao tao educadas quanto Seattle, mas definitivamente mais educadas do que sul da Italia ou Brasil).

Eduardo diz que na Italia existe esse fenomeno que homem se arruma mais do que mulher. Eu concordo. Em geral, as pessoas se arrumam bem por aqui, afinal de contas, estamos em Milao. Mas os homens sao um show a parte. Nossa … Se voce gosta de homem bem arrumado (nada de tenis, pelo amor de Deus), perfumado e com os cabelos “propositalmente” despenteados, aqui e seu lugar. Ou nao. Eu mesma nao poderia morar aqui, e tentacao demais para uma pessoa so :-)

Os Deuses Devem Estar Loucos

Cá estamos nós, com viagem marcada para a Europa. Daqui a pouco, para ser mais exata. A verdade é que essa viagem tem sido uma experiência um tanto quanto diferente de todas as outras viagens que já fizemos: ao invés da animação, planejamento e sonho de umas férias tranquilas, ficaram a ansiedade de um vulcão que Deus sabe quando vai explodir. No apogeu da confusão, quando vários aeroportos fecharam, pensamos que não iríamos mais. Depois os aeroportos abriram. Oba! Depois fecharam. Tristeza. Depois abriram. Haja concentração de Buda para dormir com um barulho desses.
Tem várias coisas chatas dessa confusão toda. Primeiro, você não quer se animar demais com uma viagem que pode não acontecer. Nada de muitos sonhos de passear de carro no sul da França. Segundo, se aeroporto e viajar de avião já não são as melhores partes de tirar férias, com um vulcão temperamental as coisas só fazem piorar.
Eduardo estava aqui contemplando que essa viagem começou e continua “difícil”. O plano inicial era ir para a Grécia. Desistimos por uma série de fatores, incluindo o fato de que os vôos estavam mais caros e eu estava com um mau pressentimento (acertadíssimo, na verdade) de que essa confusão fiscal da Grécia só iria piorar. Eduardo achou umas passagens baratas pela British indo para Milão e voltando por Lyon, e resolvemos ir.
Daí entra a  história do vulcão e do “vai não vai”. E se não bastasse isso, o “cabin crew” da British anunciou uma greve – de 18 de maio a 9 de junho. Tenho que dizer, morro de paixão pela Europa, mas temo muito pelo seu futuro. O vulcão está mais do que atrapalhando o turismo pelas bandas de lá (eu, por exemplo, se não tivesse já de passagem marcada, não iria), a confusão grega está desvalorizando o euro (nada mal para nós, por sinal), e as greves, bem, não ajudam muito a situação.
A verdade é que esse stress emocional todo das últimas semanas (muitas horas de trabalho em Anacortes, vulcão que explode e não explode, aeroporto que fecha, greve, compra de casa para reformar) tem me afetado de tal forma que me pego pensando doideiras. Sexta-feira passada, por exemplo, na fila do cinema, eu virei para Eduardo e disse que numa boa, de verdade, trocaria minha viagem de duas semanas pela Europa por uma semana tranquila no México, na beira da praia, fazendo nada … Ora, quem me conhece sabe que uma semana torrando de calor na beira da praia é algo que me agrada muito pouco. Pois bem, não é que Eduardo topou? Quinze minutos depois eu já estava morrendo de arrependimento. Um ou dois dias depois desse acontecimento, enquanto tomava conta do jardim, pensei em como seria legal ter um filho e ficar vendo as crianças brincando no jardim, que nem comercial de margarina. Acho que estou enlouquecendo…

A Casa da 11th Avenue

Nesse tempo todo de crise, Eduardo me convenceu que seria uma idéia maravilhosa investir em imóveis.  Foi assim que ele se juntou com o contractor que reformou nossa casa para entrarem no negócio de ”flip”, ou seja, comprar uma casa velha caindo aos pedaços, reformar, e vender com lucro (de preferência). Depois de algumas ofertas que não foram a lugar algum, finalmente achamos a casa. Ela fica na 11th Avenue, a umas 10 quadras da nossa casa. Não só ela está caindo aos pedaços, com um deck tão capenga que o banco mandou consertar antes de se comprometer a fazer o empréstimo, como ela é uma casa com uma história muito estranha. Se eu acreditasse na coisa, diria até que tem “alma” perdida naquele lugar.

Ao entrar na casa, você tem a sensação que a família que morava lá foi sequestrada por ETs. Portas de armário da cozinha abertas, pratos na pia, comida na geladeira, livro de criança aberto na sala de jantar, roupas espalhadas pela casa inteira, brinquedos pelo chão, um piano de cauda todo empoeirado com um afinador do lado … enfim, parece que a família estava no meio dos afazeres diários e, de repente, sumiu do mapa. Tudo bem que a casa está sendo vendida num processo de falência, mas isso não justificaria ter que largar tudo, naquele momento, e sair corrido da casa. Fica-se até pensando naqueles filmes de terror, que a família sai aterrorizada da casa assombrada para nunca mais voltar.

Apesar da grande questão do que aconteceu com aquela família, achamos que seria um bom negócio comprar a casa para reformar e revender. Afinal de contas, estava caindo aos pedaços. A casa está quase comprada e o projeto de reforma está na fase de planejamento. Foi numa dessas idas à casa para tirar medições que o contractor encontrou com alguns dos vizinhos, que contaram uma história um tanto quanto assombrosa sobre a casa. Sim, mais assombrosa que sequestro por ET ou alma botando a família para correr.

De acordo com os vizinhos, a família saiu da casa há nove anos atrás. Isso mesmo, nove anos atrás! Sabendo disso, fiquei eu aqui morrendo de curiosidade para voltar à casa e comprovar essa teoria: atrás de jornais com data de nove anos atrás, comida mumificada na geladeira, ou qualquer outra indicação que comprove a teoria dos nove anos. Pois bem, a história vai pioriando. Disseram os vizinhos que a esposa tinha uns problemas mentais, e que ela piorou tanto que a família inteira teve que se mudar para a Flórida. Correndo, largando tudo para trás. Disseram ainda os vizinhos, nada fofoqueiros, que a família deixou os dois carros para trás e ainda por cima dois caminhões de mudança do U-Haul estacionados na porta da casa, e que os benditos caminhões da U-Haul ficaram estacionados lá por dois anos. Isso mesmo, dois anos. Já pensou pagar dois anos de caminhão da U-Haul para ficar parado na porta da casa??? Disseram ainda que alguns dos vizinhos tentaram contactar a família, mas que foram ignorados.

Claro que na hora de vender a casa, ninguém vai falar contar para os potenciais compradores essa história estranhíssima. Depois o povo fica achando que o homem prendia a mulher no sótão, que nem esses filmes de terror que vemos por aí. Mas vai ficar uma casa muito legal. E aí, alguém topa uma casa mal assombrada muito legal? ;-)

Semana II

Segunda semana em Anacortes. Depois de meu final de semana em casa (um luxo entre as pessoas que foram “voluntariadas” para esse projeto), acordei 5:00 da matina na segunda para dirigir para Anacortes, que fica a uma hora e meia de Seattle.  Tinha planos ambiciosos de trabalhar até tarde na segunda e adiantar meu serviço no trailer do “Document Production”. Eu tinha a chave do trailer (outro luxo, devo  dizer, já que eles só entregam cópias das chaves para pessoas de alta confiança) e assegurei a todos que eles deveriam ir embora, que eu trabalharia até tarde.  O plano funcionou muito bem, e a noite foi bem produtiva, até umas 8:30 da noite, quando decidi ir para o hotel. Para minha grande surpresa, a chave do trailer não funcionava. Acabei indo para a portaria para perguntar se eles tinham uma outra chave (não tinham). Para encurtar a história, depois de muito convencer o guardinha (que olhava desconfiado para mim), consegui que ele fosse ao escritório de uma das aministradoras da companhia que está nos dando suporte (que eu só fazia maldizer por não ter testado a chave) e outra chave foi encontrada. Por conta desse rolo todo, só cheguei no hotel às 10 da noite. Longo dia.

Terça-feira, pelo contrário, meu plano era de não trabalhar até tarde.  Acabei marcando com as colegas de ir a um dos cinco restaurantes da cidade. Para nossa surpresa, encontramos quase todos os advogados e funcionários de todos os trailers no restaurante. Sabe como é, cidade pequena tem dessas coisas. No final, mais gente foi se juntando à nossa mesa, e gente que foi chegando mais tarde, e isso, e aquilo, e no final das contas só saímos de lá quase meia-noite, depois de algumas várias rodadas de bebida.  No dia seguinte, tinha gente reclamando de sintomas de gripe: dor de cabeça e cansaço. Eu, mais do que gentilmente, lembrei a eles da noite anterior, e que dormir tarde + bebida + acordar muito cedo (temos que estar no trailer às 7:30 da manhã) = ressaca ou “sintomas de gripe”.

Na quarta eu estava decidida a dormir pelo menos 7 horas. Afinal de contas, não sou mais tão jovem, e esse negócio de dormir pouco e beber muito não me leva a lugar nenhum. Daí que saí com as mesmas colegas de trabalho para jantar bem cedo, às 7 da noite. Lá para às 8 da noite, aparece o mesmo grupo da noite anterior. Eu já disse que Anacortes é uma cidade pequena? O negócio foi enrolando e acabei chegando no hotel perto de 10 da noite, depois de várias rodadas de bebida (para alguns, eu já tinha aprendido minha lição). 

Quinta resolvi tentar adiantar o serviço e ficar até mais tarde. Dessa vez, testei a chave eu mesma. Um dos problemas é que nosso trailer é todo aberto, sem escritórios individuais, e tem algumas pessoas (que nem a nossa “administradora”) que não param de falar. E, claro, tem as interrupções. Daí que trabalhar duas horas depois que o povo vai embora adianta meu serviço de montão. Fiquei trabalhando até 8 da noite e voltei para o hotel. Sexta era dia de voltar para casa. Para mim, é uma viagem de 1 hora e meia de carro, mas para quem veio de Houston (Texas), involve algumas várias horas de avião. E apesar de sexta ser o dia que nós geralmente saímos à noite, eu só queria ficar em casa e comer “home cooked” meal, dormir na minha cama, usar o meu banheiro e, não menos importante, curtir a companhia da minha família (i.e. marido e gato).

Semana que vem o plano para mim (olha que o plano muda sempre e constantemente) é ir para Anacortes segunda-feira, retornando terça-feira depois do expediente. Vai ser (muito) bom passar um restinho de semana em casa, ando cansada dessa história de ficar acampada no hotel ;-(

E Hoje É Quarta-Feira

Há algumas semanas passadas, dia 2 de abril para ser mais exata, houve um acidente numa refinaria da Tesoro, que fica numa cidade mais ou menos próxima de Seattle. O “acidente” em si foi uma explosão que deixou cinco mortos e dois feridos com queimaduras graves; semana passada um desses dois veio a falecer, elevando para seis o número de vítimas. Sendo Tesoro um de nossos clientes, vários advogados foram despachados para a refinaria. E eu acabei indo junto.

Como vocês devem imaginar, um “acidente” que deixa cinco mortos e dois gravemente feridos não iria passar desapercebido pelo governo. Duas agências do governo federal e uma agência do governo estadual baixaram na refinaria para as devidas investigações: entrevistas, olhar documents, visita ao local do acidente. Nós (juntamente com mais outras duas firmas de advocacia que também prestam serviço a Tesoro, juntamente com o time do departamento legal da Tesoro, que veio de Houston, juntamente com pessoal técnico da Tesoro, mais consultores contratados para a ocasião), nos alojamos na refinaria para auxiliar a prestar informações a essas agências, e da mesma forma, como todo bom advogado, não prestar mais informação do que o devido. Fora as investigações do governo, a própria refinaria abriu uma investigação interna e os advogados fazem outra investigação paralela, o que dá um total de cinco investigações.

O que eu faço por lá? No início eu só fui substituir uma outra paralegal que teve que voltar para o escritório. Comecei participando das entrevistas na investigação dos advogados, com o dever de fazer anotações. Parece fácil, mas não é, principalmente com todo o “tecnês” falado nas entrevistas. Palavras antes desconhecidas no meu vocabulário viraram lugar comum. As entrevistas mais leves no tecnês eram das pessoas que chegaram primeiro para prestar socorro, mas daí você tinha que ficar ouvindo como eles chegaram no lugar do acidente, viram os colegas queimados, e alguns feridos e meio desorientados … Quando já estava ficando menos pior nas anotações, me mandam para o departamento que está revisando os documentos para mandar às agências.

O plano é ficar lá até deus sabe quando. Nós e esse povaréu todo que apareceu por lá estamos ocupando praticamente todos os hotéis da cidade. Eu, claro, tenho meus próprios planos de não ficar lá por muito tempo. Não que seja totalmente desagradável. As pessoas são legais. Mas é uma refinaria, e estamos trabalhando em trailers. E o cheiro por lá não é dos melhores. Aquela chaminé soltando fumaça o dia todo, os trailers, os portões com guardas … me lembra um bocado de quando fui para Auschwitz. E a refinaria tem várias regras. Há o portão principal do complexo da refinaria e dentro há outro portão, que engloba uma seção menor. O meu trailer atual fica dentro do portão principal mas fora do portão menor, o que nos dá mais liberdade. Se você atravessar o portão menor, onde era o outro trailer, a coisa é mais complicada. Quando você chega no trailer, por exemplo, tem que ligar para o portão para dizer que chegou. Quando você for sair do trailer, mesmo que para ir embora, tem que ligar para o portão para dizer que você está saindo. Eles não gostam de gente zanzando por lá. Como se fosse agradável ficar zanzando num lugar que cheira mal e tem risco de explosão.

Quarta-feira é sempre um dia especial na refinaria. Chega meio-dia, o alarme toca. É o dia de testar o alarme. Quem está  por lá sabe disso, mas para mim, novata da turma, foi um pequeno momento de pânico. Dá-se meio-dia, o alarme toca, e eu olho com aquela cara de “devemos correr ou devemos ficar”. Daí me explicam com aquela cara de “vê-se que ela não é daqui” que toda quarta ao meio-dia o alarme toca para teste. E se tocar qualquer outra hora que não quarta ao meio-dia, pergunto eu? Daí é para você correr para a frente do prédio da administração. Ah, bom. Agora é só torcer para o próximo acidente não acontecer na quarta ao meio-dia.

Compras

Há uns finais de semana atrás, Eduardo e eu fomos ao outlet mall, que é um tipo de shopping onde as lojas vendem “direto de fábrica”, por assim dizer, incluindo produtos já descontinuados do mercado, e portanto vendem a um preço bastante camarada. Eu com certeza gastei menos de $100 nas minhas compras, e Eduardo também gastou menos de $100 … em cada loja que parou.

Antes que todo mundo comece a achar que Eduardo é o gastador do casal, tenho que explicar que Eduardo e eu temos métodos diferentes de compra. Eu gosto de comprar aos poucos. Como trabalho perto do centro de Seattle, pelo menos uma vez por semana eu passo nas minhas lojas favoritas e dou uma olhadinha nas mercadorias novas que chegaram e também nas promoções. Comprar em promoção é muito bom, mas é um investimento a longo prazo. Você compra blusas de alcinha por um preço maravilhoso, só que a máxima temperatura prevista para o mês seguinte não passa de 10 Celsius. Ou seja, não tem aquele negócio de comprar e ir logo usando, é para colocar no guarda-roupa e usar dali a 3 meses, quando chegar o verão, e se você lembrar, e se o verão for longo o bastante que dê tempo para você usar todas as cinco blusas de alcinha que você comprou na promoção. Senão fica para o verão seguinte.

Eduardo, por outro lado, não gosta muito de bater perna em shopping. Daí que numa sentada, ou numa saída no outlet mall, ele compra para o ano todo. Já eu acho sem graça comprar tudo de vez, até porque se eu gastar minha mesada inteira numa manhã de shopping, fico sem muita condição de comprar meus casacos de lã em super promoção no meio do verão, e meus shorts no meio do inverno.  Ah, e eu sou pão-dura. Às vezes vou na loja, vejo um ítem que eu adoro por um preço já bom, mas fico sem querer comprar porque eu sei que se eu esperar mais uma ou duas semanas eles vão abaixar o preço ainda mais. Claro, de tanto esperar, às vezes a mercadoria se esgota e eu fico a ver navios. Na maior parte das vezes fica tudo bem, mas às vezes fico pensando que deveria deixar de ser tão pão dura porque, puxa vida, aquele vestidinho era tão bonitinho e eu não consigo achar outro igual.

Mas minha grande compra no outlet mall foi um dos grandes ítens da moda, que eu andava resistindo com todas as forças: os óculos escuros de abelha. Sabe aqueles óculos escuros enormes, estilo Jackie Kennedy, que segundo as próprias palavras de Eduardo, “tem gente que nem fica tão mal com eles”? Pois é, ninguém fica bem com aquilo, mas eu finalmente achei um que me fez olhar no espelho e pensar que, puxa vida, até que eu não estava tão mal assim. Comprei os óculos por $14, que em mundo de outlet mall e óculos escuros “made in China”, até que não é tão barato assim. Não tive muita oportunidade de usar porque desde então o sol sumiu, mas está aqui guardado na gaveta. Só tenho que lembrar de usar quando o sol aparecer, daqui a mais ou menos três meses ;-(

Implicância

Eu sou uma pessoa chata e admito. Reconheço minhas falhas e, ao invés de tentar consertá-las, convivo com elas. Eduardo também convive com elas, assim como todos os visitantes lá de casa. Eu tenho umas implicâncias bem inofensivas, que nem, por exemplo, detesto queijo que você já compra fatiado. Compro às vezes por conveniência, mas queijo fatiado para mim perde muito o charme do queijo. Que nem pão de forma. Também detesto pão de forma também, perfeitamente fatiado.

Também não gosto de vinho com rótulo engraçadinho. Que nem, por exemplo, o Red Byciclette. Ou o Yellow Tail (por sinal, um bom vinho).  Gosto de vinho com rótulos clássicos e bonitos, como o Perrin Côtes du Rhônes-Village (por sinal, excelente). Afinal de contas, aparências importam e muito, como comprova toda pesquisa científica séria, apesar do que o povo tenta de ensinar que beleza não põe mesa, aparências não são importantes, e todas essas coisas que os adultos te ensinam quando você é criança.

 Mas aqui vai uma implicância grande, e esta de maior impacto aos visitantes: meu fogão. A essa altura já morei em 6 casas/apartamentos aqui nos Estados Unidos, sem contar os temporários no meio do caminho, e sempre percebi que eu recebia o fogão limpo e pristino (acredito pelo fato de ninguém nos Estados Unidos cozinhar) e eu entregava a casa com o fogão bastante manchadinho. Não tem jeito, sempre derrama coisa no fogão e não tem esfregação que limpe. O negócio gruda para a eternidade. Daí que reformamos nossa casa, compramos um fogão legal, e eu tenho esse objetivo na vida de deixar o fogão constantemente limpo, como novo. Não é tarefa muito fácil, envolve vigilância constante e limpeza de imediato. E mínimo de fritura (fritura e leite derramado são terríveis). Não que meu fogão esteja como no dia que eu recebi, afinal de contas, eu uso o fogão com bastante frequência. Mas continua lindo de morrer, e fogão lindo de morrer deixa Nara feliz.

Minha última implicância (do dia, claro): TV ligada. Meus amigos sabem quem são, e eles mesmo admitem, mas detesto ir na casa dos outros e a ver a TV ligada. Se eu vou para a casa dos outros, é para conversar. Se for para ver TV, eu fico na minha casa, que é muito mais comfortável. Eduardo e eu fomos criados em ambientes nos quais refeições eram feitas à mesa, sem esse negócio de televisão ligada. É um hábito que carregamos e hoje lá em casa na hora do almoço ou jantar sentamos os dois à mesa, comemos, bebemos e conversamos. Sem TV ligada. É um hábito lega, faz com que você preste atenção ao que está comendo e saboreie a comida.

Mas meus filhos, que juro que algum dia ainda vou ter, não ligarão muito para TV. Pelo andar da carruagem, eles terão um celular super-hiper potente, que eles levarão à mesa, à cama e ao banheiro. Eduardo, mesmo, quando comprou o iPhone, foi assim. O iPhone dormia com a gente, comia com a gente, assistia TV com a gente … eu cortei logo a brincadeira, e hoje o iPhone já não senta à mesa de jantar conosco.

Por hoje, é só. Bom domingo para vocês também.

Europa Hipocondriaca

As vezes acontece de voce ler um artigo que bate tao bem com suas ideias, e tao bem escrito, que voce acha que nao poderia jamais na sua vida expressar sua opiniao de forma mais clara. Pois isso aconteceu comigo semana passada quando estava lendo uma coluna da revista Economista. Ai vai – sorry, English only ;-)

IMAGINE two cousins. One comes from continental Europe, France, perhaps. A hypochondriac, his life is filled with vague complaints—stress, fatigue and mysterious aches—for which he takes fistfuls of pills. He is sure that strenuous exercise is a menace to his fragile health. The other cousin is American (or British, take your pick), a risk-taker devoted to extreme sports. Shunning doctors, he feels as strong as an ox, although he has been drinking and overeating for years. Eventually, in 2008, he succumbs to a massive heart attack while out jogging. As far as his French cousin is concerned, a deep truth has thus been confirmed: that exercise is bad for you. Substitute free-market competition for exercise, and you have the European debate over the financial crisis. Sober discussion about how to manage the instability of markets is giving way to a simpler fable. Too many voters now believe that the credit crunch has proved that globalisation is bad for you. And too many politicians are happy to endorse such views. In a televised meeting with voters in January the French president, Nicolas Sarkozy, denounced Renault for planning to build a new car in Turkey, saying “I do not accept that cars sold in France should be manufactured abroad.” More recently, politicians have condemned speculators for picking on weak links in the euro-area. Jean-Claude Juncker, the prime minister of Luxembourg and president of the Eurogroup of finance ministers, has declared that governments must show “the primacy of politics” over markets. In an unexpected Bela Lugosi moment, Mr Juncker said governments had “instruments of torture in the basement”, and would readily “display” them. In a more thoughtful speech, the new president of the European Council, Herman Van Rompuy, noted that Europeans were “anxious”, as they watched the economic strength of emerging countries like China, India or Brazil turning into political power. As long as globalisation was seen mainly as economic, Europeans felt as if everyone could win from it, argued Mr Van Rompuy. But now that other world powers are rising, Europeans fear that unstoppable competition may take away their jobs and undermine their welfare states. In a new paper a French academic from SciencesPo, Zaki Laïdi, pulls together data to demonstrate that Europe is risk-averse (“Europe as a Risk Averse Power”, Garnet). Most Europeans dispute the idea of just war, he notes. Many fear genetically modified crops. They are less likely to own stocks and shares than Americans, even though some are assiduous savers against a rainy day (three-quarters of all French household financial assets are free from capital risk). Mr Laïdi cites a “job protection index” drawn up by the OECD club of rich countries. On average, this shows, it is 12 times harder to lay off permanent workers in Europe than it is in America. The French are outliers in western Europe, marked by unusual pessimism and hostility to free markets. Jean-Paul Delevoye, France’s médiateur de la République, a sort of national ombudsman, made front-page news in February by declaring that French society was “psychologically exhausted”. In a poll by the CSA institute 56% of French respondents said it was somewhat or very possible that they could end up homeless (despite living in one of the world’s most generous welfare states). French politicians play up to this national hypochondria. Like a cynical quack, Mr Sarkozy prescribes homeopathic cures in which policies like protectionism are so much diluted that they cease to function. Elsewhere EU governments have surrendered to the first sign of protests by reversing austerity measures almost as soon as they announce them. The Spanish have proved especially feeble, with ministers twice proposing and then swiftly backtracking on reforms, once over a rise in the legal pension age, and once over public-sector pay cuts. Perks and privileges Even in the worst-hit countries, protests rarely come from the main victims of the crisis: the young, immigrants and temporary workers. Unemployment in Spain is close to 20%, but the loudest squeals have come from full-time workers arguing against raising the pension age to 67. Greek civil servants are mobilising to defend generous pensions that most of their countrymen will never enjoy. Other strikers include Greek tax collectors (whose bribe-taking is one reason why the country is broke) and taxi drivers furious over plans to make them issue receipts, keep accounts and pay taxes on their full incomes. Elsewhere, strikers have included French air-traffic controllers, said in a recent study by French state auditors to work fewer than 100 days a year—though nobody knows for sure, as their perks include shift patterns kept secret from senior management. It is perhaps no surprise to find that organised workers in positions of privilege, including many in the public sector, fight the hardest and squeal the most in defence of their benefits. But European governments know that they have been living beyond their means—and so, deep down, do most voters. Besides, hypochondriac Europe is stronger than it thinks. German manufacturing has weathered the crisis quite well, partly because Germany’s economy has become more Anglo-Saxon in recent years than its political leaders care to admit. Poland avoided recession altogether. Italy has escaped any upsurge in its deficit. France’s companies are in better shape than its public opinion. Just look at Renault: despite being hauled over the coals, it continues to make more cars abroad than at home. Politicians need to hold their nerve and make cuts. They should also remember what doctors have always known: those who shout loudest are not always the ones in the most pain.

Primavera

De forma inédita, a primavera esse ano chegou em março. Isso para não dizer que já tinha uma florzinha ou outra despontando final de fevereiro, atrapalhadas com o inverno maravilhoso que tivemos. E com tanta miséria acontecendo no mundo, e tantos terremotos destrutivos por aí afora, estou aqui curtindo nossa primavera adiantada e torcendo para que nada de ruim esteja a caminho.

Sábado amanheceu prometendo ser um dia maravilhoso. Primeira providência do dia, depois do cafezinho, foi ir ao Home Depot comprar uma churrasqueira que temos nos prometido desde que mudamos ano passado. Nossa idéia não foi lá tão original, visto que outras pessoas na fila também estavam comprando churrasqueira. Mais tarde, no mesmo dia, Eduardo teve que voltar ao Home Depot para resolver outra coisa e percebeu que todas as churrasqueiras no estilo que tínhamos comprado tinham acabado.  O que não me surpreende nem um pouco, porque em Seattle somos de onda: quando faz muito calor, acabam-se os ar condicionados e ventiladores; quando faz sol, acabam-se as churrasqueiras; quando neva, acaba o salzinho para derreter gelo da driveway; e por aí vai.

O churrasquinho foi ótimo. Se você ficasse no sol de calça e casaquinho, e até blusinha fina se o sol estivesse a pino, ficava bem agradável (ainda não estamos nos aventurando de bermuda nessa casa). Foi um abuso total de carne, farofa e cerveja, tanto que passei o domingo meio de ressaca. Parece brincadeira, mas acho que perdi o costume.

E por falar em primavera … ano passado gastamos uma grana generosa refazendo o quintal que foi destruído na reforma. Foi o maior planejamento para saber o que plantar, como plantar, onde plantar, com quem plantar. Ficou bonitinho, mas bonitas mesmos são as árvores que já estavam lá no quintal há anos. Estão lindíssimas de tão floridas, e a maior pena que tenho é que minhas fotos não fazem justiça à beleza das árvores. É tanto que nosso quarto fica na frente da casa, e com as janelas “single pane”, conseguimos ouvir da rua as pessoas parando e comentando sobre as flores. Agradeçam a Mãe Natureza pelo espetáculo, não a mim ;-)

O que é que pesa mais? 20 kilos de chumbo ou 20 kilos de algodão?

Acho que dada a minha ausência no blog, é plenamente concebível que Nara esteja prestes a retirar meu nome do “Nare e Eduardo” do site. Sendo assim, deixa eu escrever alguma coisa e ver se meu nome fica aí por mais uns 6 meses.

Bem, assim como Nara tanto gosta de dizer, sou engenheiro. Então vou escrever sobre física, matemática e finanças. Oba!

Lembram-se das nossas aulas de física em que o professor nos perguntava o que é que pesava mais? Ou o que é que caía mais rápido? Se um saco com 20 kilos de chumbo ou um saco com 20 kilos de algodão? O fato é que a gavidade, ao contrário da razão humana, não discrimina.

Aí vai a minha pergunta então: o que é que vale mais à pena economizar? $100 em restaurantes ou $100 na prestação da casa? Hmm. Essa é fácil: $100 na prestação da casa, claro. Gastar $100 em restaurante é muito mais divertido! Mas $100 não são $100? Não é tudo igual? Que nem chumbo e algodão?

Eu sou bem disciplinado com esta coisa de dinheiro. E sendo assim, sempre sei quanto a gente gasta por mês com o quê. Sei também, que às vezes a gente faz umas economias bobas e perde chances de economizar com coisa muito maior. E o meu exemplo preferido é prestação de casa.

Vale muito mais à pena ficar de olho nas taxas de juros e conseguir refinanciar a prestação da casa pra economizar uns $100 por mês do que tentar cortar $100 do orçamento de lazer. E não é nada difícil conseguir refinanciar sem gastar nada de closing costs (usando algo chamado de pontos negativos).

Daí que se der pra refinanciar, não pagando nada do bolso, e garantindo uma economia de $100 por mês pelos próximos 30 anos, eu vôo em cima. Num empréstimo de $300 mil, por exemplo, conseguir uma redução de taxa de 6.5% para 5.5% reduz o pagamento em $200 por mês. Hmm, com $200 por mês dá pra comer fora um bocado…

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