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Quantos Nome Você Tem?

Há alguns meses atrás, descobri por um acaso que uma paralegal lá do trabalho mora no mesmo bairro que eu, tem uma filha três meses mais nova que Paula e, pasmem, a filha dela vai para a mesma creche que Paula. Nós já tínhamo ido na casa dela uma vez por ocasião de uma festa que ela tinha planejado, então decidimos que era nossa vez deles virem aqui em casa. O marido dela é russo e, segundo soube, já tinha ido ao Brasil por conta de uma ex-namorada brasileira. Ela não quis elaborar muito sobre a ex-namorada brasileira, e eu, esposa de um homem com ex-namoradas que sou, não quis insistir.

De qualquer forma, durante a visita deles, o marido russo se aproximou de mim e perguntou, como quem não quer nada: “E aí, quantos nomes você tem?” Eu entendo que para muitas pessoas essa pergunta soaria estranha, sem sentido. Afinal de contas, quantos nomes uma pessoa pode ter? Mas depois de ter morado nos Estados Unidos por mais de 10 anos, eu entendi a pergunta e não pude deixar de dar risada. “Sabe como é”, continuou ele, “minha namorada tinha muitos sobrenomes.”

É uma questão cultural. No Brasil, se você tiver um nome curto, quer dizer que você tem o primeiro nome, o nome do meio (que é o último nome de solteira de sua mãe), e o último nome (esse o último nome do pai). Mas muitas vezes você herda dois últimos nome de sua mãe e dois últimos nomes de seu pai, e termina com uma infinidade de últimos nomes.

Nos Estados Unidos, onde as pessoas procuram ser o mais práticas possíveis, o primeiro nome e o nome do meio são  “inventados” pelos pais e o último nome é o último nome do pai. O filho não herda o último nome da mãe. Não só isso, como esse tal nome do meio vira um “abbreviation” de formulário, onde eles só te pedem “diga por favor qual a primeira letra do seu nome do meio”. Eles nem querem saber seu nome do meio inteiro, só a primeira letra. Daí você percebe a importância que eles dão aqui a esse tal nome do meio. E americano é bastante informal. Conhecem o tal do Bill Gates? Pois o primeiro nome dele é William. Bill era para ser apelido. Samuel vira Sam, Daniel vira Dan, Bradley vira Brad, e por aí vai. Logo que comecei no trabalho novo, tive que mandar um email para um advogado que se chamava Bradley. Fiz lá meu email para o tal do Bradley – nada de senhor Bradley, só Bradley, o que no Brasil já seria informalíssimo. Dali a 5 minutos, estava o Bradley batendo na minha porta. “Nossa, que estranho”, disse ele. “Ninguém nunca me chama de Bradley, você pode me chamar Brad”. E por aí vai.

O resultado é que as pessoas aqui não estão acostumadas a esse excesso de nomes. Me lembro quando minha irmã e o namorado vieram ao Canadá. Ela me pediu para eu compra as passagens deles de Toronto para Vancouver, porque ela não estava conseguindo fazer a compra online. Acontece que o formulário da internete pedia que você colocasse seu nome exatamente como o do passaporte, e o namorado de minha irmã tinha quatro sobrenomes. O formulário da agência não tinha espaço para tanto nome. Afinal de contas, quem precisa de quatro sobrenomes? Acabei tendo que ligar para a agência para comprar as passagens, e o homenzinho do outro lado coçou a cabeça (obviamente não vi ele coçando a cabeça porque estava falando com ele no telefone, mas eu podia ver a cara dele na minha frente, que nem essas experiências fora do corpo) e disse: “Ih, vou ter que ligar para a companhia, não sei como fazer a reserva para tanto nome”. No final deu tudo certo, mas definitivamente para as bandas de cá, “menos é mais”.

Ah, e voltando ao russo com a ex-namorada brasileira que tinha um bocado de sobrenome. O que respondi ao russo? “Tenho só dois sobrenomes”, disse eu. E ainda conclui com uma resposta com pouquíssimo fundamento científico e muito fundamento de achismo: “Sabe como é, esse negócio de muito sobrenome é coisa de realeza e gente importante. No Brasil as pessoas gostam de se sentir importantes e especiais, e ter muito nome é uma forma de se diferenciar dos outros”. Não sabia mais o que dizer. Afinal de contas, quem precisa de quatro sobrenomes?

Patisseries em Seattle

Nossa grande paixão por “pastries” aconteceu quando chegamos em Paris e começamos a frequentar as famosas “patisseries” e seus croissants, pain au chocolate, croissants recheados de maçã. Eram tantas as opções, e tudo tão maravilhoso, que eu só conseguia pensar como os franceses conseguiam manter a forma física. Acontece que os pastries parisienses são consideravelmente menores que os americanos, e ainda tem o fato de que parisiense anda muito na rua, ao contrários dos americanos.

Mas apesar da nossa experiência de pastry nos Estados Unidos até então não ter sido das melhores, a sorte é que aqui se acha de quase tudo. Então se você for atrás de um bom pastry, invariavelmente você encontra ótimas opções. Foi o que aconteceu conosco, tanto que na nossa segunda viagem a Paris não achamos os pastries parisienses assim tão especiais comparados com os lugares que frequentávamos em Seattle.

Um de meus lugares favoritos para pastry em Seattle é o Le Reve, em Queen Anne. Os pastries são ótimos e o ambiente é muito agradável. Eles tem várias mesas estilo rústico, com cadeiras de vários estilos, que combina demais com um cafezinho e um croissant. Imperdível é o Kouign Amann, esse pastry de nome indecifrável mas delicioso. Trata-se de um pãozinho folhado caprichado na manteiga e no açucar. Pelo lado de fora ele fica caramelizado e crocante. Definitivamente, não é para todo dia.

Outra bakery/patisserie maravilhosa é o Bakery Noveau, em West Seattle. Não vamos lá com frequencia porque é um pouco longe para nós (veja só, tem que pegar highway para chegar lá!) e tem outras bakeries mais perto. O famoso deles é o “twice baked almond croissant”. Trata-se de um croissant recheado com creme de amêndoas. Uma delícia. Tão delicisioso que eu comecei a desconfiar que talvez esse negócio não fizesse muito bem à saúde. Mas que diabo que tudo que eu gosto é ilegal, é imoral ou engorda???

Falar em engordar, outras duas bakeries maravilhosas são o Cafe Besalu e o Honore Artisan Bakery, ambos em Ballard. O Honore é minúsculo e não tem onde sentar – eles só tem um patiozinho ótimo para o verão, o que significa dois meses do ano em Seattle. Mas o Honore também tem o Kouign Amann, e eles colocam um salzinho por cima que fica delicioso com o açucar caramelizado. Outra característica peculiar do Honore é que os pastries deles são pequenos, do tamanho dos parisienses, e daí que acabamos pedindo dois pastries para casa (se vocês acham que estamos americanizados, acertaram!).

Por fim, tem o Panier no centro. Tenho paixão pelo pão de sal do Panier, para mim o melhor pão de Seattle. Os pastries são bons, mas o pão é simplesmente especial.

E, notícia fresquinha do forno, estou sabendo de uma patisserie que está para abrir aqui em nosso bairro de Capitol Hill, a Crumble & Flake. De fato, é uma vergonha que um bairro como Capitol Hill não tenha uma patisserie à altura de Queen Anne ou Ballard. Pois bem, nos aguardem ;-)

 

 

 

Restaurantes

Começamos o ano e eu sei que muita gente pensa em dieta e exercício. Eu penso sempre em restaurantes. Adoro ir a restaurantes, e gosto de dar recomendações, mas sei que esse negócio de restaurante bom e ruim é que nem filme bom e ruim – depende muito de gosto.

Quando morávamos no Brasil, ouvia muito que comida nos Estados Unidos não prestava, não era refinada e não tinha tempero. De início eu concordei, e quando ia ao Brasil de férias tinha minha listinha de restaurantes brasileiros para ir e comidinhas para me empaturrar antes de ir embora. Com o passar do tempo, começamos a ir a restaurantes melhores nos Estados Unidos, a certo ponto que hoje volto ao Brasil e já não acho a comida de lá grande coisa. Mesmo os restaurantes que eu adorava, quando volto fico desapontada. A vida muda e seu gosto muda.

Pois bem, vamos às recomendações para janeiro de 2012 (como eu disse, gosto muda, e a lista de janeiro de 2013 pode ser totalmente diferente). Um dos meus restaurantes favoritos dos últimos tempos tem sido o Cascina Spinasse, aqui em Capitol Hill. Restaurante italiano, o prato de pasta custa em torno de $15 e o prato de carne em torno de $20. Mas se você está a fim de um restaurante italiano mais descomplicado, recomendo o La Spiga, também em Capitol Hill. O preço é semelhante ao Cascina Spinasse, mas é menos formal. A pasta é maravilhosa, mas nunca demos sorte com outros pratos, então escolha pasta! Outro italiano que adoro é o Barolo, em downtown. O preço é parecido com os outros dois, mas o melhor do Barolo é o Happy Hour, onde os pratos do bar saem pela metade do preço! Um super negócio, você come bem e a conta sai bem barata. Outro restaurante que adoro no verão é o Mamma Melina, pelas bandas do U District. A comida não é tão boa como os três anteriories, mas eles abrem as portas para o pátio no verão e você fica lá aproveitando o sol e assistindo os carros passarem na rua (afinal de contas, estamos no centro da cidade ;-)

Em termos de restaurantes para ocasiões especiais, o Crush é maravilhoso. Já fomos lá algumas vezes, sempre quando eles tem essas promoções de três pratos (entrada + prato principal + sobremesa) por $30. O que é uma barganha, considerando-se que só um prato principal no Crush custa $30. Aqui abro um parêntese que não gosto muito da idéia de pagar tão caro num prato de comida. Eu sei que você  paga pelo ambiente, pelo trabalho do chef, pelo privilégio, blah, blah, blah, mas eu consigo comer muito bem por um preço mais moderado do que $150 por casal, então não acho que vale a pena. Se você conseguir ir lá na promoção, vale muitíssimo a pena. Fora isso, não recomendo. Na mesma linha do Crush, tem o Altura, pertinho aqui de casa. Eles tem esse esquema de “fixed course” que começa a $50 por casal. No final, com bebida e tudo mais, a conta vai para $150. Muito bom, mas também não acho que vale a pena.

Para jantar, tem vários outros restaurantes que eu gosto. O Olivar, por exemplo, também pertinho aqui de casa. Gosto da comida e, principalmente, do ambiente. O restaurante fica num prédio antigo e quando eles ligam a máquina de lavar louça a luz chega a piscar, super charmoso ;-)  E tem várias pinturas com temas russos nas paredes, que contam uma história. Só não recomendo ir lá no verão, você vai torrar de calor. Também tem o Voila Bistro, em Madison Valley. Gosto da comida e do ambiente, que lembra um pouco Paris. Para pizza, meu favorito é o Via Tribunali - eles fazem pizza com massa bem fininha, que eu adoro.

Nossa, tantos lugares, tão pouco tempo. Para almoço, gosto muito do Vios, aqui perto de casa. Descomplicado e “kid friendly”. Adoro o Cafe Campagne, no centro, principalmente quando eles tem cassoulet no menu. Adoro o La Isla (comida porto riquenha), em Ballard. O restaurante é barato e a comida é muito saborosa. Gosto de chicken burger (não beef burger), e um dos meus favoritos restaurantes é o The Counter, também em Ballard. Aqui perto de casa tem o Smith, comida descomplicada de bar, mas o ambiente (e as cervejas) são bons. Falando em cerveja, também adoro o Feierabend. A seleção de cerveja é maravilhosa e eles servem comida alemã, daquela bem pesada e oleosa, uma maravilha ;-) O maior problema é que criança não pode entrar, já que ele é considerado um bar, o que dificulta um pouco as coisas com Paula.

Nossa, vou para por aqui. A lista é interminável e sei que deixei de fora vários lugares. E ainda faltam os lugares de brunch, as bakeries, e os lugares de café! Esse post já está me dando água na boca …

Terminando O Ano Com Várias Chaves …

… mas nenhuma de ouro. Já tem tempo que não escrevo sobre “as casas”. Para ser muito sincera, o que era para ser  um pequeno hobby virou um grande negócio e até eu já estou perdendo as contas de onde estamos com essas casas. Eduardo e James abriram uma empresa e passaram o nome de uma das casas para a empresa (a casa da 37th Ave) e aproveitaram para comprar uma terceira casa, dessa vez direto em nome da empresa (a casa da 6th Ave). A segunda casa da história (a casa da Purdue, mais conhecida como a casa dos indianos), continua em nosso nome e está alugada, já que falta capital para fazer reforma em três casas ao mesmo tempo.

Primeiro, vamos à casa da 37th Ave. Vocês devem lembrar dela, uma casa muito bonitinha estilo cape cod:

Casa da 37th Ave - Antes

Pois bem, agora ela está assim:

Casa da 37th Ave - Depois

Irreconhecível, não? Dizem os entendidos do projeto da casa que vai ser um senhor casarão, com aproximadamente 3000 square feet (280 metros quadrados), mas infelizmente para os amantes de casa no estilo Tudor, vai ser uma casa bastante moderna:

Casa da 37th Ave - No Futuro

No desenho futurista da casa da 37th Ave, gostaria de chamar a atenção para dois elementos que podem passar desapercebidos.  Pois bem, o primeiro elemento e a porta vermelha da casa. Os seguidores desse blog haverao de se lembrar de uma outra casa, a finada casa da 11th Ave, que tinha um porta vermelha que fez o maior sucesso em Seattle. Quem vai mexer em time que esta ganhando, nao e mesmo? O segundo elemento, gigantesco por sinal, e a arvore nos fundos da casa. Quem ve esse desenho artistico ate acha que ela esta ali de proposito, para promover o verde no centro urbano. Quem mora em Seattle sabe que uma arvore desse tamanho implica em pouca luminosidade dentro da casa e nada de sol no quintal. A dupla do D3 Design Build LLC bem que queria dar um fim na arvore, quando ninguem tivesse olhando (veja se isso e ideia de uma empresa seria), mas uma vizinha ameacou se abracar a arvore para evitar o arvorecidio e a dupla do D3 Design Build LLC achou que nao valia a pena comecar com uma reputacao tao ruim no mercado. Mas a arvore no desenho esta uma graca. E viva o verde urbano!

A casa da 6th Ave e a mais diferente de todas. A casa fica na vizinhanca de Ballard (boa vizinhanca), mas numa rua movimentada. No terreno tem uma casa e uma garage separada:

Casa da 6th Ave

Garagem

Pois bem, a casa vai passar por um “facelift” leve se compararmos com as outras casas, que em geral vao abaixo. Reforma da cozinha, fazer mais um banheiro, umas coisas aqui e ali (porta vermelha, alguem?) e voila, casa pronta para voltar ao mercado. A garagem e que e a parte interessante da historia, acreditem se quiser. Um dos grandes incentivos dessa casa era subdividir o terreno e vender o terreno da garagem para uma construtora, para eles fazerem townhomes para vender. Isso mesmo, num lugar onde tem uma garagem para dois carros (acredito eu que sejam dois carros, fui pouquissimas vezes nessa casa) vao morar varias pessoas. Pois bem, o terreno da garagem ja esta praticamente vendido e a empresa esta no processo de “legalmente” subdividir o terreno (essa historia de subdivisao fica para outro dia). A casa em si esta alugada e vai continuar assim ate marco ou abril, quando comecamos a reforma da casa.

Ah, por sinal, a casa da 37th Ave vai ao mercado antes mesmo de ser terminada. Se voce tiver interesse numa casa com uma arvore no fundo e um porta vermelha, favor contactar Eduardo ;-)

Workaholic

Workaholic é um termo usado para pessoas viciadas em trabalho. Não sei se existe uma palavra equivalente em português. De qualquer forma, ultimamente ando me perguntando se eu faço parte da turma dos workaholics.

Aqui nos Estados Unidos há uma pressão muito grande ao workaholism. É possível sim trabalhar-se de 8:30 da manhã às 5 da tarde. Porém, o fato de várias pessoas trabalharem longas horas cria um clima de competição do qual você, se for uma pessoa competitiva, acaba entrando. Fora o fator de que muitas vezes há mais trabalho que horas no dia, e as pessoas estão contando com você, e você não quer desapontar ninguém. Ah, e aqui não existe esse negócio de empresa sendo multada se empregado perder férias. Se perder suas férias, perdeu. E muita gente perde, ou porque esquece de tirar ou porque não faz questão ou porque … é workaholic!

Aqui se tem muito pouca desculpa para não trabalhar. Lembro-me muito bem de quando comecei a trabalhar aqui nos Estados Unidos, há mais de 10 anos atrás. Quando se ficava doente, ia-se para casa e era isso aí. Hoje em dia, com toda essa tecnologia, posso trabalhar de casa de dia, à noite e finais de semana (doente ou sã) tão bem quanto do escritório usando Citrix (se você não sabe o que é, não procure saber e, mais importante, não deixe seu empregador saber!). Ah, e eu recebo e-mails do trabalho direto do meu celular, de forma que eu recebo (e leio) os emails enviados às 10 horas da noite de segunda e às 2 horas da tarde de domingo.

Pois bem, fui atrás de informação para saber se eu sou workaholic e achei essa página do Workaholics Anonymous, que tem uma listinha para você se testar (adoro listinhas ;-) . Se você responder “sim” a três ou mais perguntas, parabéns, você é um workaholic. Pois bem, eu tive não três, mas sete ”sims”: 3) Você leva trabalho para a cama, trabalha finais de semana ou durante as férias? Bem, durante as férias nem tanto, mas noites e finais de semana devem ser usados para se tirar o atrasado do trabalho, é ou não é?; 5) Você trabalha mais de 40 horas por semana? Claro que sim, que pergunta boba!; 11) Você acha OK trabalhar longas horas se você ama seu trabalho? Sim, acredito piamente nisso; 13) Você tem medo de que se não trabalhar duro você vai perder seu emprego ou ser considerada um fracasso? Bem, não tenho tanto medo de perder o emprego, até porque acho outro, mas tenho medo sim de ser considerada um fracasso se não trabalhar duro; mas não é assim com todo mundo?; 18) Você pensa em trabalho enquanto dirigindo, ao dormir ou quando os outros estão conversando? Bem, a resposta é sim, sim, e se a conversa estiver chata, sim; 19) Você trabalha ou lê durante as refeições? Durante a semana, sim, direto, sempre; para que mais serve horário de refeição?; 20) Você acredita que o dinheiro vai resolver seus outros problemas na vida? Bem, nem tanto, mas que dinheiro é bom, isso é!

Agora que eu fui devidamente diagnosticada como workaholic, o que fazer a respeito? Bem, não me considero doente, e não acho que nenhum americano mediano me considere doente. E outro fator a se considerar: se eu não estiver trabalhando, o que vou fazer com o meu tempo? Veja bem, chega a noite, depois que Paula vai dormir, em geral eu vou ao computador para tirar o atrasado do dia do trabalho, já que agora, devido aos horários de Paula e da creche, eu trabalho somente de 8:30 da manhã às 5 da tarde – com meia hora de almoço, quando eu como enquanto trabalho – ou será que trabalho enquanto como??? Entre Paula e trabalho e empresa de Eduardo, da qual eu dou assistência jurídica e administrativa, não sobra tempo para mais muita coisa. Mas não estou reclamando, até porque acredito que muito tempo livre leva as pessoas à depressão.

É, acho mesmo que sou workaholic ;-(

Thanksgiving em Whistler

Thanksgiving é O FERIADO americano, o único dia do ano em que quase ninguém trabalha. O feriado de Thanksgiving é a quarta quinta-feira de novembro, e em geral a sexta-feira também vira feriado (feriado oficial, devo dizer, não feriado enforcado como no Brasil). São quatro dias seguidos sem trabalhar, o sonho dos sonhos para quem gosta de viajar.

Tradicionalmente os americanos passam o Thanksgiving em família, o que envolve muitas viagens e, por consequencia, aeroportos cheios. Nós já viajamos de avião em mais de um Thankgiving e não tivemos problema algum, mas esse ano resolvemos fazer um passeio para um lugar mais perto. O lugar escolhido foi Whistler, um vilarejo para quem gosta de esquiar no Canadá. Eduardo e eu detestamos esquiar, mas gostamos de lá mesmo assim. Se você não esquia, não há tanto o que fazer, o que é perfeito para descansar. Mas não se descansa melhor em casa? Bem, eu não. Tem sempre alguma coisinha para se fazer em casa. Quando você viaja para um lugar como Whistler, deixa para trás as contas para pagar, o guarda-roupa que precisa de uma limpeza, aqueles probleminhas para resolver … fica tudo para quando você voltar. Sem contar que é muito bom mudar de paisagem e ver lugares diferentes, mesmo que não seja a primeira viagem àquele lugar.

O passeio foi ótimo. Whistler fica a umas cinco horas de Seattle, e nosso plano era para em Vancouver para almoçar. Vancouver estava chovendo que era um horror, daí foi só uma parada para um almoço mesmo, e dali seguimos para Whistler, que não estava chovendo mas estava nevando. Tão lindo!!! Passamos o restinho da quinta, a sexta e boa parte do sábado em Whistler. O plano era sair de Whistler cedo no sábado para almoçar em Vancouver e curtir a cidade, dormir por lá, e voltar para Seattle no domingo. Assim quebraríamos a viagem de cinco horas. Acontece que a previsão do tempo para Vancouver continuava horrível, daí mudamos os planos e só saimos de Whistler depois de almoço. Em Vancouver fomos curtir o shopping center, que era coberto ;-)

Paula, para variar, se comportou que foi uma beleza. Em Whistler pegamos um quarto de hotel que tinha um quarto separado da sala de estar. Sai mais caro, mas é o único jeito de ficarmos à vontade – quando bate as 7 badaladas Paula vai dormir no quarto e podemos ficar na sala de estar assistindo televisão, jantando, conversando, tomando vinho… Em Vancouver não consegui um hotel com quarto separado, daí que foi o jeito jantar cedo (Quem janta às 6 da tarde, vocês perguntam? A resposta: quem tem filho que dorme às 7 da noite!), colocar ela para dormir e ficamos os dois quietinhos, eu fazendo umas coisas de trabalho no computador e Eduardo lendo. Vai aí a lição do passeio: hotel com quarto separado!

Paula das Neves ;-)

Paula e Papai

Paula quase do tamanho da Mamãe ;-)

O Secretário

Sendo eu a pessoa mente aberta que vocês conhecem, é capaz que vocês fiquem bem surpresos com a minha confidência: sou uma pessoa preconceituosa. Não fico falando por aí porque não condiz com as regras sociais da época vigente. Mas convenhamos, o preconceito é um tanto quanto maleável, e varia a depender da época. Que nem, por exemplo, era normal ter preconceito contra negros há vários e vários anos atrás – em alguns lugares dos Estados Unidos era probido o casamento entre negros e brancos até a década de 60, quando a Suprema Corte considerou inconstitucionais leis de antimiscigenação que probiam casamentos interraciais. E olhe que a década de 60 não está tão longe de nossa realidade. Hoje em dia, preconceito contra negro, nem pensar. Outro exemplo que está no meio do caminho: homossexuais. Aqui nos Estados Unidos, pelo menos na região onde moramos, há muito respeito pelos homossexuais. Mas tanto respeito não é uma realidade em todo o país, quanto menos em lugares menos desenvolvidos. Os homossexuais ainda lutam pelo direito a casar como os heterossexuais, por exemplo. Talvez na época de Paula ela vá achar estranho o fato de que alguma vez na vida se questionou o direito do homossexual de casar de papel passado, ou adotar, mas por enquanto ainda não chegamos lá.

Mas meu preconceito não é contra negros ou homossexuais. Esses dias estava andando pelos corredores da minha firma quando me deparei com algo um tanto quanto diferente, que me chamou a atenção: um secretário, ou mehor, dois secretários! Veja bem, serviço de secretário é coisa de mulher, e não porque seja coisa de mulher mesmo, até porque o trabalho não involve nada do tipo amamentar ou dar à luz ou dessas coisas fisicamente impossíveis de um homem fazer, mas simplesmente pelo fato de 99% das secretárias serem mulheres. Daí que quando você vê um secretário, você para e se pergunta o que leva um homem escolher ser um secretário.

E daí vem meu próximo pensamento – será que homem secretário é melhor do que mulher secretária, já que por conta do preconceito eles tem que se esmerar mais na profissão? Ou será que são piores, já que por ser profissão de mulher indica que mulheres tem certas características que ajudam a exercer aquela profissão? Ou será que não tem nada a ver?

Agora estou trabalhando com uma advogada que tinha um secretário e depois passou para uma secretária. Justiça seja feita, os arquivos organizados pelo secretário estão em muito melhor estado do que os organizados pela secretária, que por sinal me aparenta ser um pouco preguiçosa. E aí, a teoria número 1 é a vencedora? Pois bem, apesar desse exemplo, e depois de pensar muito no assunto, acredito mais na teoria número 3 (não tem nada a ver). Já vi o bastante de tudo para acreditar que existem secretárias boas e ruins, assim como secretários bons e ruins, tudo na mesma medida.

Mas e quando preconceito se mistura com a realidade? Por exemplo, todo mundo sabe que oriental (o legítimo, não o oriental ocidentalizado) ri pelas paredes, a troco de nada. Trata-se de ideia pre-concebida do oriental ou uma realidade, já que 99.99% dos orientais que eu vejo pela rua ri para as paredes? Todo mundo sabe que indiano (de novo, tem que ser legítimo) quando fala balança a cabeça, que nem aqueles bonecos chatinhos que você coloca dentro do carro e fica balançando a cabeça o tempo todo e te distraindo de dirigir. Preconceito ou realidade?

E como diriam os sábios do Avenue Q:

Everyone’s a little bit racist
Sometimes
Doesn’t mean we go
Around committing hate crimes.
Look around and you will find
No one’s really color blind.
Maybe it’s a fact
We all should face
Everyone makes judgments
Based on race.

A propósito, e mudando de assunto, não deixem de ver o show deles se tiverem oportunidade ;-)

eBay

A mais última novidade da família Neves-Oliveira, porque vocês sabem que nossa vida anda muito parada, é que Eduardo está mudando de emprego. A partir de amanhã, dia de Halloween, Eduardo começa a trabalhar na eBay, aquele site dos leilões. O escritório principal do eBay é na California, e a idéia é Eduardo trabalhar daqui de Seattle. A idéia, repito eu, porque amanhã mesmo Eduardo está de partida para Silicon Valley para passar a semana.

Algumas pessoas já perguntaram se iremos mudar para a California, e minha resposta é que já mudamos um tanto quanto demais nesses últimos cinco anos e eu estou a fim de um pouco de paz. Sem contar que de Seattle só saio se for de mudança para Londres, Madri, Lisboa, ou alguma outra cidade da Europa ocidental.  E nesse caso eu tenho que trabalhar muito e aposentar logo para realizar meu sonho de morar na Europa, porque do jeito que as coisas vão não sei se vai haver Europa daqui a 30 anos.

Eduardo está animadíssimo com o emprego novo. Ele já estava na Microsoft há uns 13 anos, o que para o mercado de trabalho nos Estados Unidos é um bocado de tempo. Eu, que comecei a trabalhar uns 2 anos depois de Eduardo, já estou na minha terceira firma. Agora só temos que conseguir arrumar tempo para tomar conta de um bebe de 7 meses, trabalhar tempo integral, e levar adiante uma empresa com 3 projetos ao mesmo tempo. Bem, o primeiro passo para arrumar tempo foi cancelar a TV a cabo, já que havia meses que não assistiamos nada.

Mas tudo bem, e já estou planejando altas festa aqui com Paulinha essa semana que Eduardo vai estar fora. Amanhã mesmo nós vamos sair pelas ruas de Capitol Hill, com Paula vestida de joaninha e eu vestida de paralegal, para assustar todos que cruzarem nosso caminho. É ou não é assustadora essa joaninha???

D3 Design/Build LLC

Senhoras e Senhores, gostaria de apresentar o mais novo membro da família: a D3 Design/Build, LLC!!! Como todo bom parente, a D3 (como é carinhosamente conhecida) consome tempo e dinheiro, e às vezes enche nossa paciência, mas gostamos dela mesmo assim. O propósito da empresa é fazer design & build de casas. Como vocês podem ver no website estilizado e moderníssimo da empresa, a D3 até o momento tem três projetos – a 11th Ave (a famosa Onze, já terminada), a Purdue Ave e a 37th Ave, as duas últimas em fase de “design” e logo indo para a fase do “build”, pelo menos assim que conseguirmos verba para tanto ;-) E, notícia fresquinha direto para vocês, a D3 está em processo de comprar uma quarta casa, mas essa com propósito de uma reforma rápida, nada de colocar a casa abaixo. Isso é, assim que o inquilino dessa casa sair. De acordo com Eduardo, o tal do inquilino tem tanta coisa dentro da casa que ele não consegue acreditar que eles vão conseguir tirar tudo de dentro. Claro, e por que a D3 compraria uma casa descomplicada quando podemos lidar com indianos que não saem da casa, proprietários que descobrem que legalmente não são os proprietários, famílias que desaparecem do dia para a noite, e um inquilino exótico?

No momento, todos os projetos da D3 são de propriedades compradas pela D3 para revenda, mas o “business model” da empresa também consiste de alguém contratar a empresa para fazer seu design & build. A D3 é composta dos parceiros (de negócio somente, fiquemos claros) Eduardo e James. O que eles não contam, mas eu vou contar aqui, que tem a esposa de um desses parceiros que passa a noite e finais de semana lidando com problemas jurídicos e de contabilidade da empresa, sem ganhar um tostão. Trabalho pro bono mesmo. Just saying ;-)

Minha maior crítica à empresa, e aqui vai minha crítica construtivíssima, é que eles tem uma certa resistência a construir casas sem telhado plano. Como vocês podem ver no site, pelos projetos da empresa, duas das casas tem telhado plano e a casa da Onze, apesar do telhadinho clássico, é uma casa com certo complexo de “sou moderna mas não tenho telhado plano.” Se casas pudessem fazer terapia, garanto que a casa da Onze estaria lá.

Mas quem me conhece mesmo sabe que não sou grande fã do estilo moderno. Meu negócio mesmo é casinha com telhandinho clássico, chão de madeira rangendo, e histórias de fantasma. Que nem, por exemplo, a casa abaixo, um exemplo clássico de estilo Tudor. O que Eduardo acha disso? “Odeio casa estilo Tudor”, foi a resposta dele. Já viu porque eu não faço parte da empresa não é, não sei se meu casamento duraria muito tempo ;-)

Trabalho Dobrado

Semana retrasada Paula ficou doente, com diarréia. Estava ótima, sem febre e dormindo bem. O maior efeito colateral da diarréia foi o fato de que ela ficou com assaduras, e por conta disso evitávamos usar os paninhos umedecidos para limpar ela. Ao invés disso, levávamos ela para a banheira para dar um primeira enxaguada antes da limpeza mais séria. Isso várias vezes por dia, pois por conta da diarréia ela sujava a fralda de hora em hora (dai as assaduras).

O outro grande efeito colateral da diarréia é que a creche mandou ela para casa. Fui pegar ela terça a tarde, Eduardo ficou com ela a quarta-feira, e eu fiquei um turno da quinta e sexta com ela (uma amiga nossa ficava com ela no outro turno). Apesar de parecer que o mundo para quando seu filho está doente, o povo do trabalho não pensa assim, de forma que as coisas foram acumulando na minha mesa. E apesar de eu dizer que eu ”estava trabalhando de casa” nesses meio turnos, a verdade é que é o maior desafio trabalhar com uma criança saudável, quanto mais com criança doente. Daí que eu compensava trabalhando à noite, depois que ela ia dormir, e final de semana.

O resultado foi que chegou no domingo eu já estava exausta, mas àquela altura Paula já tinha melhorado o bastante para ir à creche no dia seguinte. Perfeito. Daí que na segunda ela volta para casa com o nariz entupido e congestionada. Desespero total! No final das contas, ela não teve febre nem nada e o povo da creche não mandou retornar o produto para casa (já pensou se eles retornassem os meninos toda vez que o nariz estivesse escorrendo?). Mas tinha um certo estado de tensão no meu trabalho, e toda vez que o celular tocava eu dava um pulo e começava a arrumar as coisas, convencida de que estava recebendo uma chamada para pegar Paula. Afinal de contas, ligação de creche para pegar seu filho é que nem terremoto: depois do primeiro, você fica meio traumatizada.

Eduardo está atrás de comprar outra casa (ok, já perdi a conta do número dessa casa) e anda às voltas com a empresa que ele abriu de “design & build” com o parceiro James, com a qual ele lida no seu tempo livre. Que tempo livre, perguntam vocês? Exatamente, pouquíssimo tempo livre. Aqui em casa cancelamos o cabo porque há muito já não assistíamos TV e não demos por falta dele. Chegou um pouco final de semana passado que Eduardo estava implorando por férias. “É mesmo, podíamos ir para Paris, ou Londres, ou passear por Portugal”, falei eu. “Não, eu não preciso disso tudo, só preciso de um final de semana de férias!”, foi a resposta dele. É isso aí, um final de semana de férias também seria bom ;-)

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