Archive for January, 2012

Quantos Nome Você Tem?

Há alguns meses atrás, descobri por um acaso que uma paralegal lá do trabalho mora no mesmo bairro que eu, tem uma filha três meses mais nova que Paula e, pasmem, a filha dela vai para a mesma creche que Paula. Nós já tínhamo ido na casa dela uma vez por ocasião de uma festa que ela tinha planejado, então decidimos que era nossa vez deles virem aqui em casa. O marido dela é russo e, segundo soube, já tinha ido ao Brasil por conta de uma ex-namorada brasileira. Ela não quis elaborar muito sobre a ex-namorada brasileira, e eu, esposa de um homem com ex-namoradas que sou, não quis insistir.

De qualquer forma, durante a visita deles, o marido russo se aproximou de mim e perguntou, como quem não quer nada: “E aí, quantos nomes você tem?” Eu entendo que para muitas pessoas essa pergunta soaria estranha, sem sentido. Afinal de contas, quantos nomes uma pessoa pode ter? Mas depois de ter morado nos Estados Unidos por mais de 10 anos, eu entendi a pergunta e não pude deixar de dar risada. “Sabe como é”, continuou ele, “minha namorada tinha muitos sobrenomes.”

É uma questão cultural. No Brasil, se você tiver um nome curto, quer dizer que você tem o primeiro nome, o nome do meio (que é o último nome de solteira de sua mãe), e o último nome (esse o último nome do pai). Mas muitas vezes você herda dois últimos nome de sua mãe e dois últimos nomes de seu pai, e termina com uma infinidade de últimos nomes.

Nos Estados Unidos, onde as pessoas procuram ser o mais práticas possíveis, o primeiro nome e o nome do meio são  “inventados” pelos pais e o último nome é o último nome do pai. O filho não herda o último nome da mãe. Não só isso, como esse tal nome do meio vira um “abbreviation” de formulário, onde eles só te pedem “diga por favor qual a primeira letra do seu nome do meio”. Eles nem querem saber seu nome do meio inteiro, só a primeira letra. Daí você percebe a importância que eles dão aqui a esse tal nome do meio. E americano é bastante informal. Conhecem o tal do Bill Gates? Pois o primeiro nome dele é William. Bill era para ser apelido. Samuel vira Sam, Daniel vira Dan, Bradley vira Brad, e por aí vai. Logo que comecei no trabalho novo, tive que mandar um email para um advogado que se chamava Bradley. Fiz lá meu email para o tal do Bradley – nada de senhor Bradley, só Bradley, o que no Brasil já seria informalíssimo. Dali a 5 minutos, estava o Bradley batendo na minha porta. “Nossa, que estranho”, disse ele. “Ninguém nunca me chama de Bradley, você pode me chamar Brad”. E por aí vai.

O resultado é que as pessoas aqui não estão acostumadas a esse excesso de nomes. Me lembro quando minha irmã e o namorado vieram ao Canadá. Ela me pediu para eu compra as passagens deles de Toronto para Vancouver, porque ela não estava conseguindo fazer a compra online. Acontece que o formulário da internete pedia que você colocasse seu nome exatamente como o do passaporte, e o namorado de minha irmã tinha quatro sobrenomes. O formulário da agência não tinha espaço para tanto nome. Afinal de contas, quem precisa de quatro sobrenomes? Acabei tendo que ligar para a agência para comprar as passagens, e o homenzinho do outro lado coçou a cabeça (obviamente não vi ele coçando a cabeça porque estava falando com ele no telefone, mas eu podia ver a cara dele na minha frente, que nem essas experiências fora do corpo) e disse: “Ih, vou ter que ligar para a companhia, não sei como fazer a reserva para tanto nome”. No final deu tudo certo, mas definitivamente para as bandas de cá, “menos é mais”.

Ah, e voltando ao russo com a ex-namorada brasileira que tinha um bocado de sobrenome. O que respondi ao russo? “Tenho só dois sobrenomes”, disse eu. E ainda conclui com uma resposta com pouquíssimo fundamento científico e muito fundamento de achismo: “Sabe como é, esse negócio de muito sobrenome é coisa de realeza e gente importante. No Brasil as pessoas gostam de se sentir importantes e especiais, e ter muito nome é uma forma de se diferenciar dos outros”. Não sabia mais o que dizer. Afinal de contas, quem precisa de quatro sobrenomes?

Patisseries em Seattle

Nossa grande paixão por “pastries” aconteceu quando chegamos em Paris e começamos a frequentar as famosas “patisseries” e seus croissants, pain au chocolate, croissants recheados de maçã. Eram tantas as opções, e tudo tão maravilhoso, que eu só conseguia pensar como os franceses conseguiam manter a forma física. Acontece que os pastries parisienses são consideravelmente menores que os americanos, e ainda tem o fato de que parisiense anda muito na rua, ao contrários dos americanos.

Mas apesar da nossa experiência de pastry nos Estados Unidos até então não ter sido das melhores, a sorte é que aqui se acha de quase tudo. Então se você for atrás de um bom pastry, invariavelmente você encontra ótimas opções. Foi o que aconteceu conosco, tanto que na nossa segunda viagem a Paris não achamos os pastries parisienses assim tão especiais comparados com os lugares que frequentávamos em Seattle.

Um de meus lugares favoritos para pastry em Seattle é o Le Reve, em Queen Anne. Os pastries são ótimos e o ambiente é muito agradável. Eles tem várias mesas estilo rústico, com cadeiras de vários estilos, que combina demais com um cafezinho e um croissant. Imperdível é o Kouign Amann, esse pastry de nome indecifrável mas delicioso. Trata-se de um pãozinho folhado caprichado na manteiga e no açucar. Pelo lado de fora ele fica caramelizado e crocante. Definitivamente, não é para todo dia.

Outra bakery/patisserie maravilhosa é o Bakery Noveau, em West Seattle. Não vamos lá com frequencia porque é um pouco longe para nós (veja só, tem que pegar highway para chegar lá!) e tem outras bakeries mais perto. O famoso deles é o “twice baked almond croissant”. Trata-se de um croissant recheado com creme de amêndoas. Uma delícia. Tão delicisioso que eu comecei a desconfiar que talvez esse negócio não fizesse muito bem à saúde. Mas que diabo que tudo que eu gosto é ilegal, é imoral ou engorda???

Falar em engordar, outras duas bakeries maravilhosas são o Cafe Besalu e o Honore Artisan Bakery, ambos em Ballard. O Honore é minúsculo e não tem onde sentar – eles só tem um patiozinho ótimo para o verão, o que significa dois meses do ano em Seattle. Mas o Honore também tem o Kouign Amann, e eles colocam um salzinho por cima que fica delicioso com o açucar caramelizado. Outra característica peculiar do Honore é que os pastries deles são pequenos, do tamanho dos parisienses, e daí que acabamos pedindo dois pastries para casa (se vocês acham que estamos americanizados, acertaram!).

Por fim, tem o Panier no centro. Tenho paixão pelo pão de sal do Panier, para mim o melhor pão de Seattle. Os pastries são bons, mas o pão é simplesmente especial.

E, notícia fresquinha do forno, estou sabendo de uma patisserie que está para abrir aqui em nosso bairro de Capitol Hill, a Crumble & Flake. De fato, é uma vergonha que um bairro como Capitol Hill não tenha uma patisserie à altura de Queen Anne ou Ballard. Pois bem, nos aguardem ;-)

 

 

 

Restaurantes

Começamos o ano e eu sei que muita gente pensa em dieta e exercício. Eu penso sempre em restaurantes. Adoro ir a restaurantes, e gosto de dar recomendações, mas sei que esse negócio de restaurante bom e ruim é que nem filme bom e ruim – depende muito de gosto.

Quando morávamos no Brasil, ouvia muito que comida nos Estados Unidos não prestava, não era refinada e não tinha tempero. De início eu concordei, e quando ia ao Brasil de férias tinha minha listinha de restaurantes brasileiros para ir e comidinhas para me empaturrar antes de ir embora. Com o passar do tempo, começamos a ir a restaurantes melhores nos Estados Unidos, a certo ponto que hoje volto ao Brasil e já não acho a comida de lá grande coisa. Mesmo os restaurantes que eu adorava, quando volto fico desapontada. A vida muda e seu gosto muda.

Pois bem, vamos às recomendações para janeiro de 2012 (como eu disse, gosto muda, e a lista de janeiro de 2013 pode ser totalmente diferente). Um dos meus restaurantes favoritos dos últimos tempos tem sido o Cascina Spinasse, aqui em Capitol Hill. Restaurante italiano, o prato de pasta custa em torno de $15 e o prato de carne em torno de $20. Mas se você está a fim de um restaurante italiano mais descomplicado, recomendo o La Spiga, também em Capitol Hill. O preço é semelhante ao Cascina Spinasse, mas é menos formal. A pasta é maravilhosa, mas nunca demos sorte com outros pratos, então escolha pasta! Outro italiano que adoro é o Barolo, em downtown. O preço é parecido com os outros dois, mas o melhor do Barolo é o Happy Hour, onde os pratos do bar saem pela metade do preço! Um super negócio, você come bem e a conta sai bem barata. Outro restaurante que adoro no verão é o Mamma Melina, pelas bandas do U District. A comida não é tão boa como os três anteriories, mas eles abrem as portas para o pátio no verão e você fica lá aproveitando o sol e assistindo os carros passarem na rua (afinal de contas, estamos no centro da cidade ;-)

Em termos de restaurantes para ocasiões especiais, o Crush é maravilhoso. Já fomos lá algumas vezes, sempre quando eles tem essas promoções de três pratos (entrada + prato principal + sobremesa) por $30. O que é uma barganha, considerando-se que só um prato principal no Crush custa $30. Aqui abro um parêntese que não gosto muito da idéia de pagar tão caro num prato de comida. Eu sei que você  paga pelo ambiente, pelo trabalho do chef, pelo privilégio, blah, blah, blah, mas eu consigo comer muito bem por um preço mais moderado do que $150 por casal, então não acho que vale a pena. Se você conseguir ir lá na promoção, vale muitíssimo a pena. Fora isso, não recomendo. Na mesma linha do Crush, tem o Altura, pertinho aqui de casa. Eles tem esse esquema de “fixed course” que começa a $50 por casal. No final, com bebida e tudo mais, a conta vai para $150. Muito bom, mas também não acho que vale a pena.

Para jantar, tem vários outros restaurantes que eu gosto. O Olivar, por exemplo, também pertinho aqui de casa. Gosto da comida e, principalmente, do ambiente. O restaurante fica num prédio antigo e quando eles ligam a máquina de lavar louça a luz chega a piscar, super charmoso ;-)  E tem várias pinturas com temas russos nas paredes, que contam uma história. Só não recomendo ir lá no verão, você vai torrar de calor. Também tem o Voila Bistro, em Madison Valley. Gosto da comida e do ambiente, que lembra um pouco Paris. Para pizza, meu favorito é o Via Tribunali - eles fazem pizza com massa bem fininha, que eu adoro.

Nossa, tantos lugares, tão pouco tempo. Para almoço, gosto muito do Vios, aqui perto de casa. Descomplicado e “kid friendly”. Adoro o Cafe Campagne, no centro, principalmente quando eles tem cassoulet no menu. Adoro o La Isla (comida porto riquenha), em Ballard. O restaurante é barato e a comida é muito saborosa. Gosto de chicken burger (não beef burger), e um dos meus favoritos restaurantes é o The Counter, também em Ballard. Aqui perto de casa tem o Smith, comida descomplicada de bar, mas o ambiente (e as cervejas) são bons. Falando em cerveja, também adoro o Feierabend. A seleção de cerveja é maravilhosa e eles servem comida alemã, daquela bem pesada e oleosa, uma maravilha ;-) O maior problema é que criança não pode entrar, já que ele é considerado um bar, o que dificulta um pouco as coisas com Paula.

Nossa, vou para por aqui. A lista é interminável e sei que deixei de fora vários lugares. E ainda faltam os lugares de brunch, as bakeries, e os lugares de café! Esse post já está me dando água na boca …



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