Archive for May 18th, 2011

Enquanto Isso, No Mundo Lá Fora…

Antes de ter filho, ficava um pouco entediada quando encontrava meus amigos com filho que só falavam em bebes, crianças, fraldas, psicologia infantil, e por aí vai … pois bem, nem precisam dizer que eu sei - estou fazendo a mesma coisa! Não porque goste tanto assim do assunto, mas cá para nós, como estou trabalhando como mãe 7 dias da semana, meus assuntos ficam um pouco limitados. Mas hoje vou falar de nossas experiências com a(s) reforma(s) das casas (sim, já são várias agora), que dariam bom enredo para novela.

A casa número um é a casa em que moramos. Sempre tem um conserto aqui e ali, mas estamos sem planos de vendê-la por algum tempo – eu gosto da casa (com piso rangendo e tudo) e adoro o bairro de Capitol Hill. Se Paula achar que o mundo é um espelho de nosso bairro, ela vai crescer com a noção de que 60% dos casais do mundo são gays e 90% das pessoas têm tatuagem. Vai cair em choque cultural quando for visitar o Brasil.

A casa número dois foi a que colocamos à venda antes de Paula nascer. Pois bem, ainda está à venda. Tivemos uma oferta já no primeiro final de semana, mas o negócio deu para trás. Desde então, várias pessoas interessadíssimas, mas nenhuma oferta. Já baixamos o preço para $949,995 (se alguém estiver interessado em fazer oferta, favor não esquecer os $995). Os dois papais orgulhosos estão indignados que uma casa tão maravilhosa, uma preciosidade arquitetônica, ainda não esteja vendida, mas vender casa leva tempo, ainda mais se você não quiser sair no prejuízo.

A casa número três, a da escritura enrolada, finalmente saiu. Está na fase do projeto e temos um inquilino morando lá para ajudar a reduzir os custos mensais. Depois que o projecto estiver pronto, precisamos de todas as aprovações da prefeitura, o que deve levar alguns meses. Espera-se que a casa número dois esteja vendida até então, ou não vai haver dinheiro para a reforma. Bem, ao menos está alugada.

Mas vamos falar da casa mais interessante de todas, a casa número quatro. Sim, a essa altura estamos endividadíssimos com quatro casas. Essa foi comprada em short sale e levou uns três meses até o processo terminar; recebemos a chave na sexta passada. Os donos da casa, que são indianos, já não estavam mais morando lá porque o filho deles tinha leucemia e não podia ficar na casa, que já era antiga e tinha problemas típicos de casas antigas, como pintura de chumbo. Mas o tio dele estava morando lá. Até aí tudo bem. Contudo, o banco que ia nos emprestar o dinheiro implicou que tínhamos que consertar umas coisinhas antes deles concederem o empréstimo, e consequentement antes de recebermos a chave da casa (o dia do “closing”), e foi aí que o negócio degringolou.

O contractor (e parceiro no bom sentido de Eduardo) foi na casa na quarta-feira antes do closing para fazer os tais consertos. Para sua surpresa, o tio não deixou ele entrar alegando, entre outras coisas, que ele era mentiroso e que ninguém tinha falado com ele desses consertos. A essa altura, ficamos um pouco preocupados com a situação – será que esse tio vai sair mesmo da casa na sexta, dia de recebermos a chave? A essa altura, o agente do vendedor já estava chateadíssimo com o cliente e se recusando a falar com ele. O que entendemos da história é que se tratava de briga de família, indiana ainda por cima, que em termos de drama se equivale às famílias brasileiras. Finalmente conseguimos autorização para o contractor ir na quinta fazer os consertos. Chegando lá, para sua surpresa, não percebeu nenhuma movimentação de mudança – nada de caixas, gente empacotando, nada de nada. E aí, esse tio vai sair? Começou uma corrida frenética para descobrir se o tio sairia na sexta. O banco estava exigindo que a compra da casa fosse fechada na sexta meio-dia. O dono da casa já estava exasperado com o tio problemático, mas garantiu que o tio sairia. A essa altura, nós queríamos provas concretas que a casa estaria desocupada, daí Eduardo marcou de encontrar com nosso corretor e o dono da casa na sexta, 11:30 da manhã, para se certificar que a casa estava vazia. Chegando lá, o dono não tinha a chave e teve que chamar um chaveiro para abrir a porta. Para a surpresa de todos … a casa estava vazia, exceto por pouquíssimas coisas! Suja, mas vazia.

A essa altura, o dono aproveitou o chaveiro e trocou todas as fechaduras da casa. Afinal de contas, não se brinca com tio encrequeiro. A compra da casa foi fechada. Lá para às quatro da tarde, Eduardo foi informado que a polícia foi chamada à casa.  Acontece que o tio queria as pouquíssimas coisas que tinha deixado para trás e ficou um pouco chateado de descobrir que a chave dele não funcionava. Ao invés de ligar para o sobrinho atrás da chave, coisa que qualquer pessoa sensata nesse mundo faria, chamou a polícia. Daí foram Eduardo, o contractor e o dono da casa para recepcionar o tio, que aparentemente só queria mesmo pegar as coisas dele e ir embora. Eduardo, coitado, ficou traumatizado e anunciou que não quer saber de comida indiana por algum tempo ;-)



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