Archive for May, 2011

Feriadão em Yakima

Aqui nos Estados Unidos temos muito poucos feriados, tanto que eu conto todos nos dedos – Martin Luther King Day, President’s Day (esses dois nem todo mundo tem), Memorial Day, Fourth of July, Labor Day, Thanksgiving (2 dias), Natal e Ano Novo. Daí que quando temos um feriado, é dever mais que cívico aproveitar aquele dia de folga, porque o próximo vai levar meses a chegar.

A cidade escolhida para nosso feriadão foi Yakima, por vários motivos. Apesar de não ser tão longe de Seattle (aproximadamente duas horas de carro), Yakima é uma cidade mais seca e ensolarada. Além do mais, é uma Disneylandia para quem gosta de vinho, com ótimas vinícolas. Daí que nosso passatempo favorito no final de semana foi ir às vinícolas, fazer “tasting” de vinhos e comprar uma garrafa do vinho favorito para sentar do lado de fora e aproveitar as temperaturas agradáveis e a vista maravilhosa. O passeio foi ótimo, o único problema é que o feriadão pareceu mais um feriadinho, e eu voltei com aquele gostinho de quero mais.

Paula comportou-se muito bem, para variar. A dinâmica dessa vez foi um pouco diferente da nossa viagem a Vancouver. Ela já está com uma rotina mais fixa para dormir, indo para o berço em torno de 7 da noite, quando já está bastante cansada. Como já estávamos abusando da paciência dela o dia todo – coloca no car seat, tira do car seat, acordando por conta do barulho, horas dentro do carro – resolvemos que pelo menos deixaríamos ela dormir no horário de sempre, até porque não queríamos arriscar ir ao restaurante com uma Paula cansada e ameaçando abrir o berreiro. Daí que no primeiro dia meus pais e nós revezamos para jantar – eles saíram primeiro, depois fomos nós – e no segundo dia comemos no quarto mesmo. Por uma concidência muito feliz, o hotel que escolhi (Ledgestone) tinha uma pequena cozinha no quarto, com utensílios e tudo mais, e o quarto era separado. Escolhi esse hotel por acidente por conta do preço bom, mas estou começando a achar que daqui para frente nosso esquema vai ser mais hotel família. Quem diria…

Quanto ao que fazer em Yakima, aqui vão nossas recomendações: 1) Columbia Crest Winery, um pouco longe mas minha favorita, tanto por conta dos vinhos como da localização; perfeita para um piquenique na beira do lago; 2) Terra Blanca Winery, pela vista maravilhosa; também é uma das poucas vinícolas que servem comida; 3) Silver Lake Winery, mais perto de Yakima, muito agradável com vistas maravilhosas; 4) Bonair Winery, também mais perto de Yakima, muito agradável e o Chardonney é muito bom; 5) Chukar, pelos chocolates maravilhosos; 6) Farmer’s Market no centro de Yakima no domingo; 7) brunch no Backwoods Country Fare Cafe (913 S 1st St., Yakima, WA 98901 ), bem autêntico; lá não há turistas, tanto que o povo sempre pergunta de onde somos pela nossa cara de gente que não mora nas redondezas; a comida é simples mas gostosa – pensando bem, onde nesse mundo ovos com bacon e pão não é bom???

As fotos da viagem estão no Flickr.

Bonair Winery

Curtindo um vinho - Bonair Winery

Piquenique na Columbia Crest Winery

Columbia Crest Winery

Terra Blanca Winery

Apreciando as flores com o papai - Terra Blanca Winery

Papai babão ;-)

Enquanto Isso, No Mundo Lá Fora…

Antes de ter filho, ficava um pouco entediada quando encontrava meus amigos com filho que só falavam em bebes, crianças, fraldas, psicologia infantil, e por aí vai … pois bem, nem precisam dizer que eu sei - estou fazendo a mesma coisa! Não porque goste tanto assim do assunto, mas cá para nós, como estou trabalhando como mãe 7 dias da semana, meus assuntos ficam um pouco limitados. Mas hoje vou falar de nossas experiências com a(s) reforma(s) das casas (sim, já são várias agora), que dariam bom enredo para novela.

A casa número um é a casa em que moramos. Sempre tem um conserto aqui e ali, mas estamos sem planos de vendê-la por algum tempo – eu gosto da casa (com piso rangendo e tudo) e adoro o bairro de Capitol Hill. Se Paula achar que o mundo é um espelho de nosso bairro, ela vai crescer com a noção de que 60% dos casais do mundo são gays e 90% das pessoas têm tatuagem. Vai cair em choque cultural quando for visitar o Brasil.

A casa número dois foi a que colocamos à venda antes de Paula nascer. Pois bem, ainda está à venda. Tivemos uma oferta já no primeiro final de semana, mas o negócio deu para trás. Desde então, várias pessoas interessadíssimas, mas nenhuma oferta. Já baixamos o preço para $949,995 (se alguém estiver interessado em fazer oferta, favor não esquecer os $995). Os dois papais orgulhosos estão indignados que uma casa tão maravilhosa, uma preciosidade arquitetônica, ainda não esteja vendida, mas vender casa leva tempo, ainda mais se você não quiser sair no prejuízo.

A casa número três, a da escritura enrolada, finalmente saiu. Está na fase do projeto e temos um inquilino morando lá para ajudar a reduzir os custos mensais. Depois que o projecto estiver pronto, precisamos de todas as aprovações da prefeitura, o que deve levar alguns meses. Espera-se que a casa número dois esteja vendida até então, ou não vai haver dinheiro para a reforma. Bem, ao menos está alugada.

Mas vamos falar da casa mais interessante de todas, a casa número quatro. Sim, a essa altura estamos endividadíssimos com quatro casas. Essa foi comprada em short sale e levou uns três meses até o processo terminar; recebemos a chave na sexta passada. Os donos da casa, que são indianos, já não estavam mais morando lá porque o filho deles tinha leucemia e não podia ficar na casa, que já era antiga e tinha problemas típicos de casas antigas, como pintura de chumbo. Mas o tio dele estava morando lá. Até aí tudo bem. Contudo, o banco que ia nos emprestar o dinheiro implicou que tínhamos que consertar umas coisinhas antes deles concederem o empréstimo, e consequentement antes de recebermos a chave da casa (o dia do “closing”), e foi aí que o negócio degringolou.

O contractor (e parceiro no bom sentido de Eduardo) foi na casa na quarta-feira antes do closing para fazer os tais consertos. Para sua surpresa, o tio não deixou ele entrar alegando, entre outras coisas, que ele era mentiroso e que ninguém tinha falado com ele desses consertos. A essa altura, ficamos um pouco preocupados com a situação – será que esse tio vai sair mesmo da casa na sexta, dia de recebermos a chave? A essa altura, o agente do vendedor já estava chateadíssimo com o cliente e se recusando a falar com ele. O que entendemos da história é que se tratava de briga de família, indiana ainda por cima, que em termos de drama se equivale às famílias brasileiras. Finalmente conseguimos autorização para o contractor ir na quinta fazer os consertos. Chegando lá, para sua surpresa, não percebeu nenhuma movimentação de mudança – nada de caixas, gente empacotando, nada de nada. E aí, esse tio vai sair? Começou uma corrida frenética para descobrir se o tio sairia na sexta. O banco estava exigindo que a compra da casa fosse fechada na sexta meio-dia. O dono da casa já estava exasperado com o tio problemático, mas garantiu que o tio sairia. A essa altura, nós queríamos provas concretas que a casa estaria desocupada, daí Eduardo marcou de encontrar com nosso corretor e o dono da casa na sexta, 11:30 da manhã, para se certificar que a casa estava vazia. Chegando lá, o dono não tinha a chave e teve que chamar um chaveiro para abrir a porta. Para a surpresa de todos … a casa estava vazia, exceto por pouquíssimas coisas! Suja, mas vazia.

A essa altura, o dono aproveitou o chaveiro e trocou todas as fechaduras da casa. Afinal de contas, não se brinca com tio encrequeiro. A compra da casa foi fechada. Lá para às quatro da tarde, Eduardo foi informado que a polícia foi chamada à casa.  Acontece que o tio queria as pouquíssimas coisas que tinha deixado para trás e ficou um pouco chateado de descobrir que a chave dele não funcionava. Ao invés de ligar para o sobrinho atrás da chave, coisa que qualquer pessoa sensata nesse mundo faria, chamou a polícia. Daí foram Eduardo, o contractor e o dono da casa para recepcionar o tio, que aparentemente só queria mesmo pegar as coisas dele e ir embora. Eduardo, coitado, ficou traumatizado e anunciou que não quer saber de comida indiana por algum tempo ;-)

O Que Vamos Fazer Hoje?

Esse é um ano de muitas novidades. Não só ter um filho, que por si só seria A NOVIDADE, mas também por todas as outras coisas que envolvem ter um filho. Como, por exemplo, a licença maternidade. Estou de licença por 12 semanas e só vou retornar ao trabalho dia 20 de junho. Nunca fiquei tanto tempo em casa sem ser ou estudando ou trabalhando (trabalhando fora, deixemos claro, porque estou trabalhando de mãe tempo integral), e posso dizer que tem sido bem interessante.

Ficar em casa em licença maternidade é bem desestressante. Minha rotina se resume a: acordar de manhã, dar Paula para minha mãe para o turno dela para eu poder resolver umas coisinhas/curtir um tempinho para mim (ir ao médico, academia, cortar o cabelo, pagar contas), ajudar a aprontar o almoço, escolher algum lugar para passear à tarde para sairmos de casa, voltar e começar a pensar no jantar, Eduardo chega e ficamos um pouco com Paula, jantamos, ficamos uma horinha conversando e depois vou dormir para pegar meu turno com Paula às duas da matina. Claro que no meio das funções acima tem o “dar a mamadeira de Paula, trocar a fralda de Paula, interagir um pouco com Paula na medida do possível para um bebe tão pequeno e colocar ela para dormir”, o que leva uma boa parte do dia se você considerar que ela come de 3 em 3 horas. Como se vê, ninguém enchendo o saco no trabalho, nada de trabalhar finais de semana em julgamento … o que me leva à conclusão que trabalho é uma grande fonte de stress na vida das pessoas, e olhe que eu considero o meu trabalho bem tranquilo. O meu stress do dia a dia vem de Eduardo, que mantém um certo contato com o mundo lá fora que está cada vez mais estranho para mim, e de certa forma transmite preocupações que me parecem distantes nesse momento. Resumindo, tem sido muito gostoso passar esse tempo em casa, curtindo meus pais e minha filha.

A parte ruim da licença maternidade? É bem desestressante. Não ando entediada em casa, longe disso, estou ocupada o dia inteiro e mal tenho tempo para tomar banho, quanto mais assistir TV. Mas eu gosto de acordar de manhã, me arrumar e sair de casa para trabalhar, ver outras pessoas e ouvir (e por incrível que pareça, ter) outros problemas que não sejam “a fórmula de Paula só tem em marcado tal e temos que ir lá hoje porque está acabando” ou “Paula se arranhou no rosto, é bom cortarmos logo a unha dela” ou até mesmo coordenar as visitas de amigos a Paula. Sinto falta do trabalho e hoje tenho plena convicção que esse negócio de ser mãe tempo integral não é para mim. Contudo, suspeito que no dia 20 de junho vou ter uma opinião diferente ao acordar pela manhã, ir para o trabalho e ficar longe da minha princesinha o dia inteiro.

Por fim, e aproveitando que o Dia das Mães está chegando, vou extender minha eterna admiração para as mulheres (e homens, como não?) que trabalham na profissão de criar filho tempo integral. Não é fácil – não há recompensa financeira e muitas vezes nenhum reconhecimento. Afinal de contas, filhos adolescentes não são  muito famosos por gratidão à dedicação dos pais ;-)



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