Archive for April, 2011

Paula Vai a Vancouver

Final de semana passado fomos a Vancouver encontrar com minha irmã, que está passeando pelo Canadá. Apesar de já termos ido a Vancouver várias vezes, essa viagem foi um pouco diferente por conta do fator Paula, que com 4 semanas de vida já estava fazendo sua primeira viagem internacional. Seria nosso primeiro grande passeio com ela, e estávamos curiosos/apreensivos de como as coisas seriam. No final, foi tudo ótimo.

Paula está numa idade onde tudo funciona por ”ciclos” – acorda, come, troca a fralda e dorme, depois acorda, come, troca a fralda e dorme, e por aí vai por 24 horas. Se você souber se ajustar nesses ciclos (por exemplo, sair logo após a troca de fralda quando ela começou a dormir), você tem umas 3 a 4 horas de tranquilidade. Claro que às vezes o negócio desanda e ela começa a chorar do nada, sem nenhum motivo aparente, mas em 95% das vezes as coisas funcionam bem se você respeitar o ciclo dela. E foi assim que passeamos, íamos jantar em restaurantes e tudo mais, e ela dormindo como um anjo. Acho que Paula herdou o “travel genes” dos pais, e fiquei bastante animada de fazer mais viagens com ela.

E por falar em Paula, as coisas têm melhorado bastante, e parte disso vem do fato de termos decidido aproveitar o momento presente. Se há algumas semanas atrás eu estava desejando do fundo do coração que ela estivesse maiorzinha e dormisse a noite toda para não termos que acordar de madrugada, hoje já acho que quando ela passar a dormir a noite inteira será ótimo, mas que em compensação haverá outros problemas. Suspeito que cada fase tem seus altos e baixos (exceto a adolescência, que tem menos baixos e mais baixos), então talvez seja mais vantajoso focar nas partes boas de cada fase. No fundo, acho que é isso que todos os pais fazem, do contrário ninguém sairia do primeiro filho, não é mesmo? ;-)

Paula pronta para a viagem!

 

Eduardo, Paula, minha irmã e o namorado

 

Mariana e eu

O Pediatra e a Lactant Consultant

Mulheres americanas prestes a virar mães dão o maior valor a duas coisas: parto normal ao invés de cesárea (isso quando não batem o pé que querem um parto natural, sem anestesia) e amamentação. Não discordo das mamães americanas – parto normal é melhor em termos de recuperação do que cesárea e amamentação é importante. Mas discordo de toda a dor da consciência que acompanha as mamães que precisam fazer cesárea ou não podem amamentar.

Eu tive problemas para amamentar como já expliquei no post anterior, tanto que fui a uma lactant consultant (pessoa especializada em amamentação), que recomendou que eu usasse a bombinha até o seio sarar, para depois voltar a amamentar. O problema agora é que eu viciei na bombinha e pouco dou de amamentar para Paula, e isso por dois motivos – primeiro porque tenho medo de ferir o seio de novo com ela amamentando, e depois porque se eu tirar com a bombinha eu vejo o quanto está saindo e posso complementar meu leite com a fórmula, e daí ter uma ideia de quanto leite ela toma por dia. E, claro, não menos importante para uma mãe que já se sente inadequada, tem o fato de que dar de mamadeira permite uma “divisão” do trabalho. Claro que amamentar cria todo aquele laço especial entre mãe e bebe, mas amamentar 24 horas por dia, a cada 3 horas, requer muita dedicação de mamães adequadas. Dar de mamadeira é super rápido e eficiente; amamentar, por outro lado, leva tempo, até porque ela dorme e usa o seio de chupeta, o que não ajuda no processo de recuperação. E aqui em casa já temos um esquema de “turnos”: Eduardo fica com ela a partir de 9 da noite, quando eu vou dormir, eu pego o turno de 2 da manhã, que é quando ela acorda de novo para comer, e minha mãe pega o turno de 6 de manhã, para daí eu poder tirar um cochilo para compensar a noite mal dormida. Esse esquema ficaria difícil se eu fosse a única pessoa a alimentar Paula.

Bem, você não seria uma lactant consultant se você não desse o maior valor à amamentação. De fato, a maior parte dessas lactant consultants são pessoas bem atenadas aos processos naturebas relacionados a ter filhos: importantíssimo o parto normal ao invés de cesárea, importantíssimo contato pele a pele com o bebe, importantíssimo segurar e abraçar o bebe, muitíssimo importatíssimo amamentar etc.

O pediatra, por outro lado, tem outras preocupações. Quando fomos à primeira consulta de Paula, ele ressaltou duas providências importantíssimas que a lactant consultant nem mencionou: primeiro, começar um “college fund” para pagar a universidade dela; depois, fazer um testamento para nomear um filho de Deus para tomar conta dela caso os dois batam as botas e, claro, deixar dinheiro o bastante para ela cursar a universidade (ou viajar pelo mundo, que me parece mais divertido do que cursar universidade). Amamentação? Muito legal se você puder amamentar, mas bebes que tomam fórmula se viram muito bem, obrigado, então que eu não me preocupasse nem um pouco com isso. De fato, disse ele, nenhum college application pergunta se você amamentou ou tomou fórmula quando bebe. Quanto tempo amamentar? No máximo 20 minutos (no total!), senão ela acaba fazendo seu seio virar hamburger, o que foi exatamente o que ela fez comigo (nas palavras dele). Temos um gato, alguma providência que devemos tomar? Não se preocupe, disse ele, que ela não vai machucar o gato.

Eu sou uma pessoa prática, então não deve ser surpresa para ninguém que eu me identifiquei mais com o pediatra do que com a lactant consultant. Paula toma leite materno e fórmula, então considero que ela tem uma alimentação completa. E de fato, o pediatra falou que se fosse para amamentar o tempo todo, que avisasse porque daí ele teria que dar um suplemento de vitamina D para ela, o que é desnecessário se ela tomar fórmula.

Pobre Paula, mal tem consciência do tipo de mãe que arranjaram para ela :-)

Paula, Semana Dois

Gente, para alguém tão pequeno, um recém-nascido é uma canseira só! As coisas estão melhorando, pouco a pouco, mas eu estava para arrancar os cabelos nos primeiros dias de tanto desespero. Perguntas do tipo será que algum dia eu vou conseguir dormir 7 horas ininterruptas?, será que eu jamais viajarei de novo?, será que minha vida jamais voltará aos eixos? passam por minha cabeça diariamente.

Pois bem, chegamos em casa no domingo, dia 27 de março. Desafio número 1: amamentação. Amamentar dói no início, então não achei anormal que meios seios estivessem doendo, mas daí quando o bico do peito começou a sangrar e eu via a hora da amamentação como tortura, comecei a achar que tinha algo de errado. Pobre Paula, eu só conseguia associar minha filha com dor.  Fomos numa lactant consultant (pessoa especializada em amamentação) dois dias depois e ela  recomendou eu tirar o leite com a bombinha e dar de mamadeira até o seio sarar. O bom de tirar o leite com a bomba é que você pode ver o quanto sai, e daí que eu descobri que não tinha leite o bastante (há mais de dez anos atrás eu fiz cirugia de redução de mama, e já sabia que minha produção de leite poderia ser afetada pela cirurgia). Foi quando passamos a suplementar com a fórmula, e assim resolvemos o problema número um e parcialmente o problema número dois.

Problema número dois: a hora de dormir. Pois bem, recém nascido dorme o dia inteiro, mas não consegue dormir por longas tiradas de tempo, tendo que comer de duas em duas horas, ou, se você tiver sorte, de três em três horas. Isso já era esperado, mas nos primeiros dias ela tinha a maior dificuldade em dormir, e chorava até cansar e finalmente apagar. Depois que descobrimos que ela não estava comendo o bastante devido a minha baixa produção de leite e começamos a suplementar com fórmula, as coisas melhoraram. Agora ela já não chora tanto e dorme tiradas de duas ou, quando luxamos muito, três horas. Cansativo, mas melhor do que não dormindo e ainda por cima chorando no seu pé do ouvido a noite toda. Outro problema é que ela não gosta de dormir no bercinho que colocamos do lado da cama. Você coloca ela para dormir no braço e ela sonha com os anjos, mas é só colocar no bercinho que ela acorda como passe de mágica. Já lemos sobre o assunto e todo expert no assunto diz que até 6 semanas de vida, não adianta muita disciplina, é só paciência, tolerância, e um braço forte.

Problema número três? O tal dos hormônios, que fazem você chorar sem motivo. Você chora quando ela chora, chora quando ela dá risada (ou um esboço de risada, já que ela ainda não sorri nessa idade), chora quando ela dorme … dureza, mas todos os experts no assunto dizem que isso é normal e passa. O que tem me ajudado demais nessa fase é conversar com minhas amigas, principalmente as que tiveram filho há pouco tempo. Miséria gosta de companhia, e às vezes é bom saber que você não é a única pessoa passando por uma fase difícil.

A verdade é que essa vida com filho até o momento tem sido um choque para mim. De vez em quando (ok, frequentemente) me pego pensando na vida que eu tinha antes dela nascer - sair quando bem entendesse, viagens, tranquilidade - e, bem, a verdade é que eu morro de saudade da minha vida antiga. Isso, somado com os hormônios e a falta de sono, me fazem sentir como uma mãe menos que ideal. Se eu fosse adepta do espiritismo, eu diria que  me sinto como aqueles espíritos que ficam por aqui atazanando a vida dos outros porque não conseguem se desligar da vida terrestre e passar para o próximo plano. É mais ou menos assim.

Mas há luz no fim do túnel, apesar de eu ainda não enxergar. Como eu sei disso?  Porque meus amigos me dizem que há. E, no final das contas, todos acabam tendo dois filhos, o que para mim é um indicador de que não pode ser tão mal assim, ou que a recompensa é grande. Depois, apesar da canseira e trabalheira e noites mal dormidas, eu vou me afeiçoando cada vez mais a essa menina trabalhosa. Por fim, as coisas estão cada vez melhores. Não que ela já esteja dormindo seis horas por noite, mas nós vamos nos acostumando com a nova rotina (ou com a falta de rotina, por assim dizer) e tentando otimizar o tempo. Está um pouco difícil de cobrar felicidade a essa altura, mas nós chegaremos lá!

Paula, Dia Zero

Pois é, desde meu último post tanta coisa aconteceu que juro a vocês que parece que dois meses já se passaram. Mas só faz uma semana. Mas é tanto assunto para uma semana que vou ter que ir contando aos pouqinhos. Vou começar pelo parto.

E não é que eu comecei a sentir as contrações naquela bendita quinta à noite, a mesma do No News Is Good News? Fui dormir sentindo dores que desconfiava serem contrações, visto que nunca tinha passado pela experiência – são ondas de dores que vem e vão. No início elas vinham de 30 em 30 minutos, depois de 20 em 20 minutos, até que começaram a vir a cada 5 minutos. Como tinha participado das aulinhas do hospital, sabia que deveria ligar quando chegasse na regra do 5-1-1 – contrações a cada 5 minutos, com duração de 1 minuto, por 1 hora. Daí que lá para às duas da manhã (claro que não tinha pregado os olhos até então por conta da dor) eu liguei e o  hospital disse para eu ir para lá.

No hospital você vai para uma triagem para eles decidirem se você deve ser admitido ou ser mandado para casa para esperar mais tempo. Eu ainda não estava com dilatação suficiente e o médico me deu a escolha de ficar lá andando no hospital para ver se o processo se adiantava ou voltar para casa com um remedinho (morfina) para tentar dormir um pouco. Eu escolhi opção 2, porque naquele momento eu só queria uma pausa para a dor.

Voltei para casa e consegui dormir umas 3 horinhas (santa morfina). No outro dia acordei ainda com dor, liguei para o hospital e eles mandaram ir para lá. Tinha progredido pouco na dilatação, mas mesmo assim decidiram me admitir no hospital. Isso já era lá para 11 da manhã de sexta-feira. No quarto do hospital eu tinha  uma enfermeira que ficava comigo o tempo todo. E aqui eu abro um parêntese para dizer que sua experiência do hospital, boa ou ruim, vai depender muito mais da enfermeira do que de qualquer médico. A residente aparecia de vez em quando, o médico apareceu pouco, e eu só vi um bando de médico na hora do push. O resto do tempo foi a enfermeira, que por sinal era mais do que excelente. Sorte minha.

Bem, já tinha ouvido falar que tomar a anestesia atrasava um pouco a progressão do parto, então evitei a tal da epidural até onde pude. Até porque eu ficaria presa na cama depois da anestesia, o que é meio chato. Fiquei sentada em cima da bola para ver se a menina descia ;-) Lá para às quatro da tarde, como não havia muito progresso, decidiram estourar a bolsa para aumentar a intensidade das contrações. Foi nesse momento que eu decidi pela anestesia, e posso te dizer que o mundo ficou muito melhor depois disso. Descobriram que minha bolsa já tinha estourado, mas era tão pouco que ninguém tinha percebido. Daí resolveramme dar o tal do pitocin, um hormônio para induzir contrações. Daí para frente foi tudo muito rápido e quando eu menos esperava já estava fazendo o tal do push, que foi rapidinho. Dona Paula nasceu na sexta, dia 25 de março, as 9 da noite. Quando a vi pela primeira vez, o que mais me impressionou foi o tamanho dela. Esperava um bebe de 6 pounds, e saiu um bebe de 7 pounds que me pareceu enorme. Você jura que ela estava aí dentro?

Já ouvi de muitas amigas minhas por aqui que tiveram experiências desagradáveis no hospital para terem filho (decisões dos médicos mal tomadas, etc), mas eu não tenho nada do que reclamar. De quando comecei a sentir dor até Paula nascer foram umas 23 horas. Eu sabia que o processo seria longo, então ficar praticamente um dia inteiro em trabalho de parto não me surpreendeu. Os médicos/residentes/enfermeiras me trataram muito bem e sempre me consultavam antes de tomar as decisões. Bom para Paula,  já nasceu com o pezinho (bem, eu diria pezão) direito.

Fotos de Paula estão no Flickr.

Paula e Nós

Papai e Paula

Daddy's Little Girl



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