Gente, para alguém tão pequeno, um recém-nascido é uma canseira só! As coisas estão melhorando, pouco a pouco, mas eu estava para arrancar os cabelos nos primeiros dias de tanto desespero. Perguntas do tipo será que algum dia eu vou conseguir dormir 7 horas ininterruptas?, será que eu jamais viajarei de novo?, será que minha vida jamais voltará aos eixos? passam por minha cabeça diariamente.
Pois bem, chegamos em casa no domingo, dia 27 de março. Desafio número 1: amamentação. Amamentar dói no início, então não achei anormal que meios seios estivessem doendo, mas daí quando o bico do peito começou a sangrar e eu via a hora da amamentação como tortura, comecei a achar que tinha algo de errado. Pobre Paula, eu só conseguia associar minha filha com dor. Fomos numa lactant consultant (pessoa especializada em amamentação) dois dias depois e ela recomendou eu tirar o leite com a bombinha e dar de mamadeira até o seio sarar. O bom de tirar o leite com a bomba é que você pode ver o quanto sai, e daí que eu descobri que não tinha leite o bastante (há mais de dez anos atrás eu fiz cirugia de redução de mama, e já sabia que minha produção de leite poderia ser afetada pela cirurgia). Foi quando passamos a suplementar com a fórmula, e assim resolvemos o problema número um e parcialmente o problema número dois.
Problema número dois: a hora de dormir. Pois bem, recém nascido dorme o dia inteiro, mas não consegue dormir por longas tiradas de tempo, tendo que comer de duas em duas horas, ou, se você tiver sorte, de três em três horas. Isso já era esperado, mas nos primeiros dias ela tinha a maior dificuldade em dormir, e chorava até cansar e finalmente apagar. Depois que descobrimos que ela não estava comendo o bastante devido a minha baixa produção de leite e começamos a suplementar com fórmula, as coisas melhoraram. Agora ela já não chora tanto e dorme tiradas de duas ou, quando luxamos muito, três horas. Cansativo, mas melhor do que não dormindo e ainda por cima chorando no seu pé do ouvido a noite toda. Outro problema é que ela não gosta de dormir no bercinho que colocamos do lado da cama. Você coloca ela para dormir no braço e ela sonha com os anjos, mas é só colocar no bercinho que ela acorda como passe de mágica. Já lemos sobre o assunto e todo expert no assunto diz que até 6 semanas de vida, não adianta muita disciplina, é só paciência, tolerância, e um braço forte.
Problema número três? O tal dos hormônios, que fazem você chorar sem motivo. Você chora quando ela chora, chora quando ela dá risada (ou um esboço de risada, já que ela ainda não sorri nessa idade), chora quando ela dorme … dureza, mas todos os experts no assunto dizem que isso é normal e passa. O que tem me ajudado demais nessa fase é conversar com minhas amigas, principalmente as que tiveram filho há pouco tempo. Miséria gosta de companhia, e às vezes é bom saber que você não é a única pessoa passando por uma fase difícil.
A verdade é que essa vida com filho até o momento tem sido um choque para mim. De vez em quando (ok, frequentemente) me pego pensando na vida que eu tinha antes dela nascer - sair quando bem entendesse, viagens, tranquilidade - e, bem, a verdade é que eu morro de saudade da minha vida antiga. Isso, somado com os hormônios e a falta de sono, me fazem sentir como uma mãe menos que ideal. Se eu fosse adepta do espiritismo, eu diria que me sinto como aqueles espíritos que ficam por aqui atazanando a vida dos outros porque não conseguem se desligar da vida terrestre e passar para o próximo plano. É mais ou menos assim.
Mas há luz no fim do túnel, apesar de eu ainda não enxergar. Como eu sei disso? Porque meus amigos me dizem que há. E, no final das contas, todos acabam tendo dois filhos, o que para mim é um indicador de que não pode ser tão mal assim, ou que a recompensa é grande. Depois, apesar da canseira e trabalheira e noites mal dormidas, eu vou me afeiçoando cada vez mais a essa menina trabalhosa. Por fim, as coisas estão cada vez melhores. Não que ela já esteja dormindo seis horas por noite, mas nós vamos nos acostumando com a nova rotina (ou com a falta de rotina, por assim dizer) e tentando otimizar o tempo. Está um pouco difícil de cobrar felicidade a essa altura, mas nós chegaremos lá!