Não necessariamente. Até o horário de postagem desse post, nada de Paula, nada de venda da casa, nada de nada. Mas eu tenho certeza que daqui a pouco vai tudo acontecer ao mesmo tempo – ela nascendo, o corretor louco atrás da gente com três ofertas que apareceram ao mesmo tempo, o aquecedor da casa vai quebrar …
O médico diz que as coisas estão progredindo, mas não quer se responsabilizar em dizer quando ela vai nascer, até porque é imprevisível. Mas já decidimos que de quarta-feira que vem não passa. Eles te dão a opção de fazer indução (com remédios, de jeito nenhum que eles vão partir para uma cesárea assim de cara) com 41 semanas, que será dia 30 de março. Eu só não quero que ela nasça dia 1 de abril – já pensou, você já começa sua vida nascendo no April Fool’s (Dia da Mentira)? Fora isso, dia 30 ou 31 de março está valendo. Dizem, inclusive, que andar é ótimo para induzir o nascimento, então já estou com planos de andar umas 5 milhas amanhã para ver se ela se anima.
O julgamento acabou na quarta-feira, mas até agora nada de veredito. Ficou decidido que eu não iria ao julgamento essa semana, e que a minha “back up” paralegal iria no meu lugar, dado o risco de, bem, algo acontecer em plena corte. Claro que minha ausência causou o maior ti-ti-ti, com os jurados extremamente curiosos com meu estado de saúde, digamos assim. E você bem que acharia que os advogados estão lá extremamente ocupados com o julgamento, mas vez ou outra eu recebia um e-mail do tipo “E aí, ela já nasceu?”.
Eu já ando até sem graça de ir para o escritório, dado que todos me olham com aquela cara de “E aí?”. E aí nada, vocês estão vendo alguma coisa??? Esses dias fui ligar para Eduardo e quando ele atendeu ouvi o maior ti-ti-ti no fundo. “Você está numa reunião, por um acaso?”. “Estou sim, algo urgente?”. “Bem, não. E quem atende telefone quando se está numa reunião?”. Daí que eu percebi que sua esposa está passando do ponto de ter filho, bem, talvez você responda ao telefonema dela, mesmo que no meio de uma reunião.
A gota d’água foi hoje, quando a mulher de recursos humanos me mandou um e-mail para dizer que o povo do nosso seguro de short term disability ligou para perguntar se eu já tinha tido filho (na minha firma, o período que eu estiver fora de licença maternidade é considerado short term disability). É isso aí, até o povo da seguradora anda se perguntando onde está Paula.
Apesar de tudo, ainda agradeço a Paula por não ter nascido no dia marcado, dia 23 de março. Essa é a data de nosso aniversário de casamento, e eu suspeito, com certa razão, que Eduardo e eu não teríamos como celebrar nosso aniversário de casamento pelos próximos vários anos, caso ela resolvesse nascer na mesma data. Afinal de contas, nós deixaríamos ela com uma babá no dia do aniversário dela para celebrar nosso aniversário de casamento? Valeu pela consideração Paula, mas agora você já pode vir (desde que não seja no dia 1 de abril ou ninguém vai acreditar que você chegou ;-)






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