Archive for March, 2011

No News Is Good News?

Não necessariamente. Até o horário de postagem desse post, nada de Paula, nada de venda da casa, nada de nada. Mas eu tenho certeza que daqui a pouco vai tudo acontecer ao mesmo tempo – ela nascendo, o corretor louco atrás da gente com três ofertas que apareceram ao mesmo tempo, o aquecedor da casa vai quebrar …

O médico diz que as coisas estão progredindo, mas não quer se responsabilizar em dizer quando ela vai nascer, até porque é imprevisível. Mas já decidimos que de quarta-feira que vem não passa. Eles te dão a opção de fazer indução (com remédios, de jeito nenhum que eles vão partir para uma cesárea assim de cara) com 41 semanas, que será dia 30 de março. Eu só não quero que ela nasça dia 1 de abril – já pensou, você já começa sua vida nascendo no April Fool’s (Dia da Mentira)? Fora isso, dia 30 ou 31 de março está valendo. Dizem, inclusive, que andar é ótimo para induzir o nascimento, então já estou com planos de andar umas 5 milhas amanhã para ver se ela se anima.

O julgamento acabou na quarta-feira, mas até agora nada de veredito. Ficou decidido que eu não iria ao julgamento essa semana, e que a minha “back up” paralegal iria no meu lugar, dado o risco de, bem, algo acontecer em plena corte. Claro que minha ausência causou o maior ti-ti-ti, com os jurados extremamente curiosos com meu estado de saúde, digamos assim. E você bem que acharia que os advogados estão lá extremamente ocupados com o julgamento, mas vez ou outra eu recebia um e-mail do tipo “E aí, ela já nasceu?”.

Eu já ando até sem graça de ir  para o escritório, dado que todos me olham com aquela cara de “E aí?”. E aí nada, vocês estão vendo alguma coisa??? Esses dias fui ligar para Eduardo e quando ele atendeu ouvi o maior ti-ti-ti no fundo. “Você está numa reunião, por um acaso?”. “Estou sim, algo urgente?”. “Bem, não. E quem atende telefone quando se está numa reunião?”. Daí que eu percebi que sua esposa está passando do ponto de ter filho, bem, talvez você responda ao telefonema dela, mesmo que no meio de uma reunião.

A gota d’água foi hoje, quando a mulher de recursos humanos me mandou um e-mail para dizer que o povo do nosso seguro de short term disability ligou para perguntar se eu já tinha tido filho (na minha firma, o período que eu estiver fora de licença maternidade é considerado short term disability).  É isso aí, até o povo da seguradora anda se perguntando onde está Paula.

Apesar de tudo, ainda agradeço a Paula por não ter nascido no dia marcado, dia 23 de março. Essa é a data de  nosso aniversário de casamento, e eu suspeito, com certa razão, que Eduardo e eu não teríamos como celebrar nosso aniversário de casamento pelos próximos vários anos, caso ela resolvesse nascer na mesma data. Afinal de contas, nós deixaríamos ela com uma babá no dia do aniversário dela para celebrar nosso aniversário de casamento? Valeu pela consideração Paula, mas agora você já pode vir (desde que não seja no dia 1 de abril ou  ninguém vai acreditar que você chegou ;-)

Casa à Venda

Nossa casa chegou! Antes de Paula, é verdade, mas por bem pouco. Eduardo está um pai todo orgulhoso do projeto dele. E a porta vermelha, quem diria, fez o maior sucesso!  De fato, a casa ficou muito legal, e vale cada centavo que estamos pedindo – $979,575.00, para ser mais exata.  Quer preço mais preciso que isso?

Aqui está o anúncio da venda e aqui estão algumas fotos:

A Casa da Porta Vermelha

Sala de Estar, com Sala de Jantar e Cozinha ao Fundo

Sala de Jantar com Cozinha ao Fundo

Cozinha

Suite

Closet (Meninas, podem babar!)

Banheiro da Suite

Uma pergunta bem comum que as pessoas fazem é quem fez a decoração. Bem, nós contratamos essa empresa que se especializa em “staging” – eles vem na casa, medem tudo, fazem o design, trazem os móveis e decoram tudo direitinho. Afinal de contas, uma casa (bem) decorada vende muito mais fácil do que uma casa vazia. Fica bem dessas casas que ninguém mora – por exemplo, a cozinha não tem um eletrodoméstico em cima da bancada e o closet, como vocês podem ver, está vazio e bem organizado, bem do jeito que closet não é. O banheiro  não tem escova de dente e desodorante em cima da pia – que é que mora assim, escondendo a escova de dente todo dia de manhã?  Mas é isso aí, estamos vendendo um sonho de casa. Se vocês tiverem interesse em comprar, é so fazer uma oferta ;-)

Os Advogados do Diabo

Eu sei que já fiz muita piada de engenheiro aqui às custas de meu marido. Mas verdade seja dia, nós, advogados, também somos alvos de muita gracinha. Se engenheiros são nerds, advogados são estressados, e aproveitam o processo para estressar todos em volta.

Como já falei aqui, meu “due date” é dia 23 de março. Acontece que tínhamos um julgamento marcado para começar dia 28 de fevereiro, e por conta de atrasos na corte, agora só vai começar dia 9 de março. O julgamento deve durar uns dez dias (devo ressaltar que não há julgamento nas sextas-feiras), ou seja, deve terminar perigosamente perto do meu due date. Pessoas precavidas que somos, já temos uma paralegal de alerta para tomar as rédeas se eu precisar sair correndo para o hospital, mas o meu povo gosta de ser ultra-extra-além da imaginação precavido. Daí que tivemos uma conversa séria essa semana.

Advogado 1: “Nara, temos que pensar num plano para você. Tipo assim, estamos no meio do julgamento e você começa a sentir contração? O que fazer? Seu marido iria te pegar na corte?”

Eu: “Bem, como a corte fica em Tacoma (uns 40 minutos de Seattle), acho melhor eu pegar um táxi e ir para o hospital. É melhor do que eu dirigir e fica longe para meu marido ir  me pegar.”

Advogado 1: “Pode ser. Talvez seja bom você levar sua mala do hospital para a corte também.” (Como se eu já não tivesse o bastante para levar para a corte).

Advogada 2: “Boa ideia. É bom você ter uma muda de roupa também. Já pensou se sua bolsa estoura? Vai ser muito desconfortável ficar 40 minutos no táxi dessa forma…”

Advogado 1: “Talvez seja bom também ver se tem hospitais perto da corte, caso você precise ir logo para o hospital.”

Advogada 2: “E se você precisar de uma pausa para ir ao banheiro, mesmo que não seja a hora da pausa da corte, nos avise que nós pedimos uma pausa ao juiz.” (Já consigo até imaginar o anúncio: “Senhores e senhoras do júri, vamos fazer uma pausa  nesse momento porque a paralegal precisa fazer xixi.”)

Eu, como já tinha lido muito sobre o assunto de parto, sabia que as chances da bolsa romper antes de qualquer contração são muito pequenas; que se rompesse, seria algo discreto, ao invés daquele horror de água descendo de suas pernas; e que quando se começa a sentir dor de contração, quer dizer que você ainda tem umas boas 12 a 24 horas em trabalho de parto, então dá tempo de sobra de chegar no hospital. Mas claro que depois de tanto agouro é bem capaz que eu entre para os anais da corte como aquela paralegal que teve um bebe dentro da sala do juiz, num trabalho de parto que levou menos de duas horas, depois que a bolsa rompeu de tal forma que ficou claro para todo mundo da corte o que estava acontecendo.  Bem, pelo menos eu teria uma história interessante para contar para Paula.

Dia seguinte fui conversar com minha médica sobre os riscos de participar de um julgamento em Tacoma, a quarenta minutos de Seattle, e ela se acabou de rir da preocupação dos advogados. Bom para ela, gostei de saber que nós, advogados, somo fontes de alegria para outras pessoas.

E por que eu não desisto logo desse julgamento e deixo minha back up paralegal tomar conta do negócio de vez? Bem, eu estou numa fase do meu trabalho em que estou terminando projetos e fazendo questão de não pegar nada novo, daí que se eu não for ao julgamento,  não terei nada para fazer. E olhe que três semanas custam a passar quando você está desocupada. Depois, minha back up paralegal tem as responsabilidades dela, daí que ela ficaria com o trabalho de duas paralegals e eu ficaria com o trabalho de nenhuma. Eu poderia até ajudar nos casos dela, mas é bem ineficiente fazer ela trabalhar no meu caso, do qual ela não entende muita coisa, e eu trabalhar nos casos delas, do qual entendo menos ainda. E cá para nós, as chances de eu ter filho na corte ou até mesmo no táxi são bem remotas, apesar de ter muita gente por aí torcendo para eu dar o maior show em plena corte. Então, se for para o bem de todos e felicidade geral da firma, diga aos advogados que eu vou!



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