Archive for February, 2011

Aquela Casa Moderna da Porta Vermelha

A nossa casa multi-colorida agora tem uma porta vermelha (juro que a foto abaixo não faz justiça ao tom vermelho paixão que está essa porta). No final das contas eu gostei muito pelo ponto de referência que vai ser. “Moro numa casa na rua tal, não tem como errar, multicolorida e com a porta vermelha.” Ou o vizinho pode dizer, “se você continuar na rua tal, passa da casa moderna com a porta vermelha, continua mais umas três casas e daí você acha minha casa.” Muito útil essa porta vermelha, adorei! E a casa já está quase pronta (se eu já estou careca de ouvir essa história, imagina vocês). E aqui estou eu e a casa na maior competição – quem chega primeiro, Paula ou a casa? Podem fazer suas apostas porque a disputa está acirrada.

Casa Moderna de Porta Vermelha

Cozinha

Segundo andar, descendo para o primeiro andar

Esses dias Eduardo achou outra jóia de casa para comprar, e todo animadíssimo demais da conta, me mandou os papéis para assinar a compra da casa. Quem já comprou casa aqui sabe que o vendedor tem que fornecer um “disclosure” listando os problemas conhecidos da casa. Essa era mais ou menos assim: “Já ouve infiltração na casa? Sim. Já ouve vazamento no telhado? Sim. Já ouve danos por conta de terremoto? Sim. Há problemas na fundação? Sim.” Eduardo disse que não era para se preocupar, afinal de contas o plano era colocar a casa abaixo para construir outra (isso é, se ela não viesse abaixo antes de comprarmos). No final das contas, perdemos a casa por conta de várias outras ofertas que ela teve – como se vê, era um negócio da China.

Mas daí achamos outra, melhor ainda. Bem, não tinha tantos problemas como a casa anterior, mas tinha problemas bem sérios. Por exemplo, havia sido feito um estudo comprovando a existência de asbestos (muito usado em insulamento antigamente, pode causar doenças desagradáveis como câncer se a pessoa for exposta ao produto por tempo prolongado), tinta a base de chumbo (muito usada antes e durante a década de 70, comprovou-se depois ser grande fonte de problemas de saúde, principalmente para crianças, causando problemas neurológicos) e, de quebra, problema sério de mofo. Veja bem, uma pessoa que compra uma casa antiga (que nem nós) sabe que muito provavelmente há camadas e camadas de tinta de chumbo e talvez algum asbestos na casa. Se eles estiverem quietos, não há problemas. O problema é quando, por exemplo, você vai lixar a casa para pintar de novo, e aquele pozinho carregado de chumbo sai viajando pela casa e entra no seu pulmão. O que fazer? O que todo americano de bom senso faz: ninguém aqui lixa a casa para pintar, coloca-se uma camada de tinta em cima da anterior e voila, serviço pronto. No nosso caso, com uma casa de 1906, isso envolve várias camadas de tinta (de vez em quando ainda vemos uns pedaços da casa que foram pintados de roxo, vejam só).

Bem, essa casa está vendendo em “short sale” - um processo burocrático no qual o proprietário deve mais na casa do ela vale, daí vira para o banco e pede para que a casa seja vendida pelo preço de mercado e que o banco “perdoe” o restante da dívida porque, afinal de contas, ele não tem dinheiro para pagar mesmo.  E o banco concorda porque, se não vender em short sale, vai ter que entrar com processo de foreclosure (advogados, custas administrativas etc) e no final vai vender a casa até por menos do que seria vendida em short sale e teria mais despesas. A maior confusão, e a não ser que você esteja apaixonado pela casa, não recomendo.  Mas afinal de contas, tudo que á fácil fica meio chato, é ou não é???

Fazer Ou Não Fazer Cesárea, Eis A Questão

Bem, o título do meu post é um pouco enganoso, porque não há questão alguma. Várias pessoas do Brasil já me perguntaram sobre o assunto, já deram palpite, já acharam absurdo, mas o fato é que aqui nos Estados Unidos não se marca cesárea como no Brasil. E depois de muito pensar sobre o assunto, tenho que admitir que o sistema americano faz mais sentido. A natureza é bastante sábia, e apesar de precisar de um empurrãozinho aqui ou ali, um parto “normal”, como se diz, é muito menos traumático para o corpo da mulher do que uma operação cesariana.

Não que os médicos aqui se neguem a fazer cesárea. Se o parto começar a demorar ou houver complicações, eles tentam vários métodos (remédio, romper a bolsa, sucção) e daí partem para a cesárea. Por incrível que pareça, há uma resistência muito grande por parte das pacientes/futuras mamães americanas, mais do que dos médicos, a fazer cesárea, e muitas ficam extremamente desapontadas se tem que chegar ao ponto de fazer uma. Já li vários livros e artigos mencionando o fato de que a mulher não deve sentir que “falhou” se no final precisar de uma cesárea. Mais do que isso, e muito mais chocante para os ouvidos das pacientes/futuras mamães brasileiras, é o fato de que muitas futuras mamães por aqui querem passar pelo parto normal sem qualquer anestesia, e já ouvi vários casos de mulheres no meu trabalho que tiveram filho assim. Isso quando elas não tem os bebes em casa, com uma parteira, como era (ou ainda é) no interior do Brasil. Eu admito, um pouco demais para mim.

E qual o problema do parto normal? Primeiro, não há como se planejar direito, e vocês sabem como eu não lido muito bem com coisas não planejadas. Meu “due date”, ou seja, minha semana 40, cai dia 23 de março. E aí, até quando eu vou para o trabalho? Se estivesse com a cesárea marcada, pararia um dia antes. Como eu não sei quando ela vai nascer, pretendo ir ao trabalho até o último minuto. Isso porque se eu parar de trabalhar dia 22 de março, e ela só resolver nascer na semana seguinte, está aí uma semana que eu fiquei em casa, bastante ansiosa e focando em cada pequena contração. Além do mais, estaria gastando minha licença maternidade sem nem ter um bebe para tomar conta. 

O segundo problema do parto normal é que se trata de uma espera danada. Uma gravidez tem em torno de 40 semanas, sendo que o normal seja que o nascimento ocorra entre a semana 37 e a semana 42. Em geral a primeira gravidez demora mais que a média de 40 semanas. Tudo depende do médico, mas em muitos casos eles induzem o parto com remédios se o bebe não nascer até a semana 41. Daí que a partir da semana 37, qualquer hora é hora.  E depois que o processo começa, espera-se ainda um bocadinho até o bebe nascer. Quanto tempo leva um parto? Depende … umas 5, 12, 17, 20 horas … Varia muito, e há vários estágios, sendo que o primeiro parto em geral demora mais.

Mas mudando levemente de assunto, sábado passado fomos fazer o tour do hospital. Foi bem útil – eles te mostram onde estacionar caso você tenha que ir de madrugada e a garagem esteja fechada, onde ir, como são os quartos, o que esperar do processo … Mamãe, claro, tem tratamento 5 estrelas (na medida do possível, claro). Se estiver com fome, é só escolher uma opção do menu do hospital (imagino que  es escolhas são canja de galinha ou vegetais levemente aferventados e sem sal) e a conta é paga pelo plano de saúde. Para a mamãe, recomenda-se levar uma sacolinha com seus chinelos favoritos, roupão, tudo para fazer sua estadia bem comfortável. E para os papais? Bem, recomenda-se que os papais levem dinheiro, porque as refeições do papais não estão incluidas e tem que ser pagas em dinheiro. Nada de pendurar na conta do hospital! Precisa-se de dinheiro para o estacionamento também. Mamãe dorme numa cama legal, que levanta, treme, faz massagem… Os papais, como acompanhante da mamãe, dormem numa cadeira ao lado da cama, que em termo de comforto lembra um bocado uma poltrona da classe econômica de avião. É isso ai, papai, depois de 9 meses na moleza é hora de ver que o negócio é sério ;-)

Baby Shower(s)

Para quem não gosta de baby showers, eu até que ando tendo mais festas do que eu merecia.  Minha implicância com baby shower vem de longas datas. Em geral, baby showers acontecem às 3 da tarde e não tem bebida alcóolica, mas tem brincadeiras de montão – adivinhar o tamanho da barriga da grávida, pintar a barriga da pobre grávida, e por aí vai. Eu, como grávida, entendo bem o sentimento de que “se eu não estou bebendo, então ninguém mais pode beber”. Mas como alguém que AMA vinho, bom ou ruim, acho muito estranha a idéia de se fazer um econtro na base da coca-cola e suco de maçã.

Baby Shower 1 – Primeiro, as paralegals do trabalho resolveram organizar um baby shower para mim. Elas recolheram contribuições de várias pessoas da firma e no final ganhei (quero dizer, Paula ganhou) presentes de montão. Não teve vinho, até porque foi na hora do almoço, mas teve pizza e bolo. E quem não gosta de pizza e bolo? E presentes? Achei muito legal, até pelo trabalho que elas tiveram em organizar tudo.

Decoração

O Bolo

Os Presentes de Paula ;-)

Baby Shower 2 – Eu estava na dúvida se faria ou não um baby shower, mas no final resolvi fazer. Decidi que seria uma festinha à noite onde a mulherada pudesse se reunir e colocar o papo em dia sem tem que ficar correndo atrás de menino. Foi muito legal, só fiquei um pouco desapontada com o pouco pique de minhas amigas de longa data … comprei várias e várias garrafas de vinho e coloquei em cima da mesa com abridor e tudo, para deixar todas à vontade, mas qual foi minha surpresa quando no final da noite elas não tinham nem bebido metade das garrafas. “Você achou que a gente ia beber isso tudo?”, perguntou uma. Achei sim, ué :-)

Eu admito, eu "roubei" o enfeito do outro chá de bebe ;-)

O grupo reunido (exceto pela fotógrafa)

No quesito quarto de Paula, acho que estamos quase lá. O quarto está praticamente pronto, só falta uns artigos de decoração aqui e ali. E agora que já se passaram os baby showers, temos que ver o que falta para comprar. Até o momento não comprei uma peça de roupa para Paula, de tanta coisa que ganhei de segunda mão de amigos. E com isso, Paula tem um guarda roupa de fazer inveja a muita dondoca. Eu estava na maior correria para terminar o quarto até o baby shower, para mostrar para as meninas. “Não se preocupe Nara, ela nem vai usar o quarto no início”, me lembrou uma amiga (de fato, nos primeiros meses ela vai dormir num bassinet no nosso quarto). Mas quem disse que eu estou fazendo o quarto para ela? Eu sei muito bem que ela não vai dar a mínima bola para o quarto, ou para o aniversário de um mês de vida que eu vou fazer, ou até mesmo o aniversário de um ano de vida. Como toda boa mãe, faço essas coisas para mim … e haja expectativas para uma pessoinha que nem nasceu ainda  ;-)

Haja roupa!

Espero que Paula goste de casaco rosa...

O berço, que ela não vai usar por algum tempo

Sapatos, item importantíssimo para quem ainda não sabe andar!



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