Começou o julgamento do estacionamento do futuro. Só tivemos dois dias de julgamento e eu já estou exausta. Exaurida. E olhe que ainda temos duas semanas pela frente, incluindo os inevitáveis finais de semana.
Julgamentos sao estressantes. Suga suas energias. Bem, se eu contar para vocês o que faço nesse processo todo, talvez vocês achem que não. Durante o julgamento, eu fico na mesa com os advogados “pilotando” o laptop e teclando as ”exhibits” (já não me lembro mais da palavra em português) para serem projetadas no telão durante a apresentação das testemunhas. Nós usamos um software específico da área (chama-se Trial Director, sugestivo, não?), e daí você pode fazer ”highlight” das exhibits, dar zoom em certas partes, colocar dois documentos lado a lado, é o máximo do ”geek” na área jurídica. Também fico dando todo tipo de assistência necessária: encontrar um livro aqui, uma exhibit ali que eles querem usar de última hora e por aí vai. Daí vocês ficam achando que ficar sentada lá o dia todo teclando no computador não é trabalho tão difícil assim, mas não é verdade.
A verdade é que julgamento drena suas forças. A começar pela seleção do juri (esse vale outro post), a primeira etapa do processo. Nós recebemos 40 “jurados potenciais” e desses 14 sao selecionados. E selecionar as pessoas certas é vital para seu caso; você tem que se livrar de todas aquelas pessoas, por exemplo, que acham que construir um estacionamento do futuro é uma idéia muito legal. E sempre tem as mudanças de última hora. Como nosso caso é de desapropriação, em geral levamos o juri para ver a propriedade. Mas às vezes a outra parte não concorda com o tour, principalmente se a propriedade já está desocupada e mal cuidada. Daí pedimos ao juiz e explicamos que é importante que o júri veja a propriedade; daí que o juiz não sabe, diz que vai pensar, e só decide de última hora; daí que nesse meio tempo eu tenho que ir atrás de uma companhia de ônibus para levar os jurados, e com a mudança de plano toda hora, a companhia diz que talvez não tenha ônibus disponível no dia que precisamos … eu fico para arrancar os cabelos. E fora as testemunhas que, durante a inquisição da outra parte, abre a boca para falar o que não deve, e ficamos sem saber como reabilitar a testemunha. Ah, e tem os pedido de última hora do juiz - será que vocês poderiam escrever algo sobre esse tema para me entregar amanhã, para eu ter mais base na decisão? Pedido justíssimo, mas considerando que estamos na corte de 9 da manhã às 4 da tarde, e que a corte fica a 40 minutos do escritório, e que o tráfico para Seattle final de tarde é horrível, só chegamos no escritório lá para final do dia, isso quer dizer que temos que escrever o negócio à noite, e ainda preparar a testemunha do dia seguinte.
Mas apesar de tudo, julgamento tem suas recompensas. Temos um contato maior com o cliente, que até então eu só conhecia por e-mail e telefone. A rotina é diferente da do escritório, o que é bom para variar. E tem outras coisinhas mais. Por exemplo, quando terminamos o julgamento no primerio dia, tinha um grupo de pessoas no lobby da corte que claramente participava de um casamento. A noiva estava lá, lindíssima, parecendo um princesa com seu vestido branco esvoaçante e sua tiara. Uma graça. Todos muito felizes. Ela estava bem grávida e aparentava ter uns 17 anos de idade, se muito. É ou não é recompensador, ver uma adolescente grávida se casando?? O amor é lindo demais…














