Archive for July, 2010

E Começa O Julgamento

Começou o julgamento do estacionamento do futuro. Só tivemos dois dias de julgamento e eu já estou exausta. Exaurida. E olhe que ainda temos duas semanas pela frente, incluindo os inevitáveis finais de semana.

Julgamentos sao estressantes. Suga suas energias. Bem, se eu contar para vocês o que faço nesse processo todo, talvez vocês achem que não. Durante o julgamento, eu fico na mesa com os advogados “pilotando” o laptop e teclando as ”exhibits” (já não me lembro mais da palavra em português) para serem projetadas no telão durante a apresentação das testemunhas. Nós usamos um software específico da área (chama-se Trial Director, sugestivo, não?), e daí você pode fazer ”highlight” das exhibits, dar zoom em certas partes, colocar dois documentos lado a lado, é o máximo do ”geek” na área jurídica.  Também fico dando todo tipo de assistência necessária: encontrar um livro aqui, uma exhibit ali que eles querem usar de última hora e por aí vai. Daí vocês ficam achando que ficar sentada lá o dia todo teclando no computador não é trabalho tão difícil assim, mas não é verdade.

A verdade é que julgamento drena suas forças. A começar pela seleção do juri (esse vale outro post), a primeira etapa do processo. Nós recebemos 40 “jurados potenciais” e desses 14 sao selecionados. E selecionar as pessoas certas é vital para seu caso; você tem que se livrar de todas aquelas pessoas, por exemplo, que acham que construir um estacionamento do futuro é uma idéia muito legal. E sempre tem as mudanças de última hora. Como nosso caso é de desapropriação, em geral levamos o juri para ver a propriedade. Mas às vezes a outra parte não concorda com o tour, principalmente se a propriedade já está desocupada e mal cuidada. Daí pedimos ao juiz e explicamos que é importante que o júri veja a propriedade; daí que o juiz não sabe, diz que vai pensar, e só decide de última hora; daí que nesse meio tempo eu tenho que ir atrás de uma companhia de ônibus para levar os jurados, e com a mudança de plano toda hora, a companhia diz que talvez não tenha ônibus disponível no dia que precisamos … eu fico para arrancar os cabelos. E fora as testemunhas que, durante a inquisição da outra parte, abre a boca para falar o que não deve, e ficamos sem saber como reabilitar a testemunha. Ah, e tem os pedido de última hora do juiz - será que vocês poderiam escrever algo sobre esse tema para me entregar amanhã, para eu ter mais base na decisão? Pedido justíssimo, mas considerando que estamos na corte de 9 da manhã às 4 da tarde, e que a corte fica a 40 minutos do escritório, e que o tráfico para Seattle final de tarde é horrível, só chegamos no escritório lá para final do dia, isso quer dizer que temos que escrever o negócio à noite, e ainda preparar a testemunha do dia seguinte.

Mas apesar de tudo, julgamento tem suas recompensas. Temos um contato maior com o cliente, que até então eu só conhecia por e-mail e telefone. A rotina é diferente da do escritório, o que é bom para variar. E tem outras coisinhas mais. Por exemplo, quando terminamos o julgamento no primerio dia, tinha um grupo de pessoas no lobby da corte que claramente participava de um casamento. A noiva estava lá, lindíssima, parecendo um princesa com seu vestido branco esvoaçante e sua tiara. Uma graça. Todos muito felizes. Ela estava bem grávida e aparentava ter uns 17 anos de idade, se muito. É ou não é recompensador, ver uma adolescente grávida se casando?? O amor é lindo demais…

Festival da Lavanda

Aqui no estado de Washington é muito famoso o Festival da Tulipa, em abril. Já fomos várias vezes. Mas nunca tínhamos ouvido falar do Festival da Lavanda, que os organizadores juram de pé junto que já acontece há uns 14 anos. Sinal de que ainda temos muito o que descobrir sobre o estado de Washington. O festival acontece em Sequim, uma cidade a duas horas de Seattle, e ao contrário do Festival da Tulipa, que leva várias semanas, esse só dura três dias. Daí que fomos hoje, dia 2 do festival, conferir do que se trata.

Sabe esse ditado ”Deus ajuda quem cedo madruga”? É bem verdade, especialmente quando tem a palavra “Festival” envolvida na história. Eduardo e eu já estávamos a caminho do festival às 8 da manhã, o que foi muito bom pois conseguimos ver tudo tranquilo. Quando estávamos voltando, lá para 2 da tarde, só víamos a fila imensa do lado contrário da rua dos carros tentando entrar na cidade … e nós já estávamos de saída, depois de termos visto várias fazendinhas de lavanda e o centro da cidade com a feirinha vendendo tudo estilo lavanda.

Pela manhã o tempo não prometia muita coisa. De fato, estava nublado, frio e ameaçando chover. Mas sendo Seattle, você dá graças a Deus se, no meio do verão, você não passar frio e não correr o risco de apreciar lavanda debaixo de chuva. Mas quando estávamos chegando em Sequim, o sol abriu e o tempo ficou bem agradável, nem muito quente nem muito frio. Ok, eu admito que vez ou outra ficou frio quando estávamos na sombra ou quando batia um pé de vento, mas aí já é pedir demais não?  Fomos para o centro da cidade olhar as barraquinhas (acabamos comprando umas geléias com essência de lavanda) e o movimento e depois fomos para as fazendas de lavanda. Eram sete fazendas no total, mas depois da segunda tudo já fica meio igual - as mesmas lavandas, as mesmas geléias, o mesmo tudo - daí que encerramos nosso tour da lavanda na terceira fazenda. As fazendas estavam bem animadas, tinha música, em geral um grupo country,  feirinhas, sorvetes e bebidas com essência de lavanda, produtos com cheiro de lavanda … bem, uma overdose de lavanda. Se você não gosta de lavanda, tem alergia a lavanda, ou acha que não pode ficar horas exposto ao cheiro de lavanda, corra do festival.

Recomendo o passeio, mas sugiro que saiam cedo de casa. A não ser que você seja do tipo que goste de ficar parado no meio da estrada com aquela infinidade de carro na sua frente, demore meia hora para achar onde estacionar, e tenha necessidade de muita, mais muita gente, ao seu redor o tempo todo. Aí sim, você deve ir às 2 da tarde ;-)

O Estacionamento do Futuro

Depois dos julgamentos da driveway e da fábrica de gelo, o nosso mais novo caso envolve o estacionamento do futuro. Nosso cliente é a agência do governo que controla o aeroporto de Seattle. Por conta da expansão, temos que desapropriar umas propriedades ao redor do aeroporto.  Até aí tudo bem, até que um dos “desapropriados” bateu o pé que queria muito mais dinheiro do que a propriedade vale, o que é muito justificado, segundo ele, por conta dos planos que ele tem para aquele pedaço de terra: construir o estacionamento do futuro.

Estacionamento ao redor do aeroporto não é uma idéia tão mal assim, apesar de já ter de montão. O terreno do desapropriado não é tão pequeno, mas tem um riozinho que corta numa ponta. Por conta da legislação, você não pode construir nada a 100 pés ao redor do rio, o que diminui o espaço que ele tem para construir o estacionamento, ou qualquer outra coisa que ele queira. Daí que o plano dele é construir um daqueles estacionamentos futuristas, onde você chega com seu carro, coloca numa plataforma, e dali seu carro (de preferência sem você dentro) é içado por um elevador e ”estacionado” numas prateleiras. A vantagem disso é que você não precisa de tanto espaço para rampas de subida e descida e para movimentação dentro do estacionamento. Com muito menos espaço, você consegue estacionar mais carros. A desvantagem? Bem, uma delas é o fato de que é um sistema bem mais caro de se construir do que o tradicional estacionamento com rampas.

É uma idéia muito legal. Em lugares como Londres, Tóquio, Nova York e Hong Kong, onde o preço do terreno por metro quadrado é um absurdo, vale muito a pena. Mas nós temos nossas dúvidas de que seja o mais apropriado para o sul de Seattle onde, convenhamos, o preço do terreno não é tão caro assim para justificar tal empreitada. Sem contar que a localização do terreno dele não é das mais convenientes para servir de estacionamento para o aeroporto.

Pois é isso mesmo, estamos nos preparando para mais um julgamento por conta do estacionamento do futuro. O que quer dizer longas horas de trabalho, finais de semana … uma maravilha, justamente agora que o verão começou. Quem sabe eu ainda não pego uma semana de verão? Bem, pelo menos no trabalho tem ar condicionado ;-)

The Lone Star State

Passamos o final de semana do 4 de julho em Houston, Texas. Afinal de contas, existe lugar mais appropriado nesse país para se passar uma data tão cívica? Pois bem, o Texas é tudo o que achamos que seria e muito, mas muito mais…

Para começar, eu tenho um primo que mora em Houston. A verdade é que eu tenho família morando em tudo quanto é lugar dos Estados Unidos, o que me faz crer que estamos “reconquistando” a América. Daí que aproveitamos o final de semana prolongado para visitar os familiaries e de quebra conhecer um lugar diferente.

Podemos definir o Texas como a antítese do estado do Washington. É mais ou menos assim: Barack Obama v. George Bush, carro híbrido x truck, sistema de transporte público (ainda que deficiente) x bilhares de quilômetros de highway, verão frígido x verão quente de doer, e por aí vai.  A começar, e só posso falar por Houston, a cidade se define como um conjunto de highways cercado de pequenos condomínios e lojas de cadeia. Tudo se faz com carro, e carro grande, e tudo leva pelo menos meia hora de carro. As casas são grandes. As ruas são largas. As pessoas são largas. E por aí vai.

Uma das poucas coisas que eu conhecia sobre Houston era a Nasa (lembra do “Houston, we have a problem?”). Bem, uma decepção. Tinha uma área com vários brinquedos para criança e, bem, muita criança. O mais interessante, que seria andar de trenzinho pelos arredores para ver os foguetes e afins, tinha sido cancelado por causa da chuva que aparecia vez ou outra por conta do “tropical storm” que tinha passado pelo Texas. Bem, o que mais fazer no Texas? Atirar, claro. Fomos para um “shotting range”, um dos vários da região, e quando fomos perguntar como fazíamos para atirar o carinha olhou para nossas caras de amadores tabaréu e disse que eles não alugavam armas, era para trazer sua própria. Bem, como estávamos desarmados naquele dia, voltamos com o rabo entre as pernas, mas não antes de assistir aos atiradores profissionais. Eles atiram ao céu aberto, num alvo distante, e você pode chegar perto (se quiser, resolvemos assistir de longe mesmo).

Domingo fomos para uma cidadezinha perto de Houston, Kemah, que era bem simpática. E quente. De doer. Depois de passearmos um pouco, fomos para o restaurante (com ar condicionado), dali para o aquário (com ar condicionado), depois para a sorveteria (adivinharam, ar condicionado), e finalmente para casa, que também tem ar condicionado.

Welcome, Texas! O carrinho do meu primo ;-)

A família em frente ao Texas Roadhouse (Rose, Eduardo, Eu, Eleusa, Bel, Beatriz e Letícia)

Space Center, em Houston - favor evitarEu e minhas tias (Eleusa e Isabel) em Kemah, Texas

Kemah, Texas

Eduardo, segurador oficial de sorvete!

Igor (meu primo) e Beatriz


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