Ontem passei por uma experiência mais ou menos inédita, ao assitir os últimos 15 minutos da partida de futebol entre Brasil e Costa do Marfim com um grupo de brasileiros. Mais ou menos inédita porque, apesar de já ter assistido a jogo de Copa, isso já faz muitos e muitos anos. E foi exatamente numa dessas finais, Brasil x França. O Brasil perdeu a tal Copa (ou tirou segundo lugar, para os otimisitas), mas de qualquer forma depois do jogo estávamos com fome e fomos atrás de uma pizza. A cidade estava deserta e a pizzaria parecia um necrotério de tão triste, a não ser por uma mesa comprida e animada ao fundo. Era um grupo de franceses que lá para tanta começou a cantar o hino da França, sob os olhares furiosos dos garçons. Bem, pelo menos animou a nossa noite, do contrário seria um domingo à noite mais triste do que o normal.
Pois bem, tenho que admitir que minha experiência ontem me deixou um tanto quanto surpresa pela dedicação da torcida. Vale lembrar, só peguei os últimos 15 minutos, e o placar era 3 x 1 para o Brasil. Ou seja, já tinha ganhado a partida. Mas as pessoas torciam e se enervavam como se a vida delas dependesse daquele jogo. Lá para as tantas, houve um incidente com um jogador chamado Kaka, e o juiz deu um cartão para ele que, aparentemente, o suspendia do próximo jogo, que seria contra Portugal. Houve indignação geral contra o juiz, contra o técnico (que deveria ter tirado ele da partida porque ele já tinha levado outro cartão e corria o risco de ser suspenso) e, bem, contra a injustiça do mundo em geral. Não entendo absolutamente nada de futebol, mas com toda a informação que fui coletando aqui e acolá, descobri que não havia motivo nenhum para tanta revolta: 1) o juiz não tem o recurso da câmera lenta, como nós telespectadores (ou tem?), daí que é meio difícil ele ver o que aconteceu no ímpeto do momento e implica em decisões nem sempre justas, logo não devemos ser tão severos com o juiz; 2) o Brasil já tinha ganhado o jogo, já que a Costa do Marfim teria que fazer 3 gols e menos de 15 minutos para ganhar, um pouco improvável; 3) fui a saber que o Brasil já estava classificado, ou seja, mesmo perdendo a próxima partida iria para as oitavas (é assim que fala?), daí que a perda do tal Kaka na próxima partida não seria um problema tão grande assim. Ou seja, não valia muito a pena esquentar tanto sobre o assunto.
Bem, tais argumentos não saíram da minha cabeça. Não senti que a torcida pela seleção estava a fim de ouvir o que eu tinha a dizer, a não ser que envolvessem as palavras “juiz” e “corrupto” na mesma frase. Daí que fiquei na minha. Mas fiquei genuinamente surpresa com todo o evento. Alguém uma vez me veio com a teoria que as pessoas sentem necessidade de pertencer a um grupo e torcem por aquele grupo, não necessariamente pelos jogadores em si. Isso eu compreendo, mas o que eu não entendo é como as pessoas se exaltam, desesperam e estressam tanto por algo que vai modificar a vida delas o equivalente a um zero à esquerda.
Mas falando dos jogadores, fiquei curiosíssima depois do jogo para saber mais sobre aqueles representantes da nação brasileira. Exceto pelo tal do Kaka, fiquei no limbo sobre quem seriam os outros vinte e tanto jogadores. Depois de uma breve pesquisa no site oficial da Copa, vim a descobrir que dos 23 jogadores jogando pela seleção brasileira, somente 3 jogam em clubes brasileiros. A grande maioria dos jogadores, 20 para ser mais exata, jogam em clubes internacionais, predominantemente europeus. Afinal de contas, por que eles ficariam no Brasil se eles podem ganhar muito mais dinheiro (e no caso deles, é muito dinheiro mesmo) jogando em times internacionais? Eu compreendo, já que nós fizemos o mesmo ao imigrar para os Estados Unidos (exceto pela parte do ganhar muito dinheiro mesmo). Só não sei como os brasileiros se sentem em relação a isso: se sentem orgulho, já que o Brasil tem jogadores tão bons e qualificados que são “exportados” para times internacionais melhores, ou se chateados pelo fato de todas as estrelas do país estarem debandando para uma vida melhor no exterior, ao invés de permanecerem no país e, bem, trabalharem para o crescimento da nação. Não sei a resposta, mas também não sei se ninguém pensa tanto assim no assunto.






Futebol e’ paixao! Nao da’ para racionalizar….
Estou vendo