Cá estamos nós, com viagem marcada para a Europa. Daqui a pouco, para ser mais exata. A verdade é que essa viagem tem sido uma experiência um tanto quanto diferente de todas as outras viagens que já fizemos: ao invés da animação, planejamento e sonho de umas férias tranquilas, ficaram a ansiedade de um vulcão que Deus sabe quando vai explodir. No apogeu da confusão, quando vários aeroportos fecharam, pensamos que não iríamos mais. Depois os aeroportos abriram. Oba! Depois fecharam. Tristeza. Depois abriram. Haja concentração de Buda para dormir com um barulho desses.
Tem várias coisas chatas dessa confusão toda. Primeiro, você não quer se animar demais com uma viagem que pode não acontecer. Nada de muitos sonhos de passear de carro no sul da França. Segundo, se aeroporto e viajar de avião já não são as melhores partes de tirar férias, com um vulcão temperamental as coisas só fazem piorar.
Eduardo estava aqui contemplando que essa viagem começou e continua “difícil”. O plano inicial era ir para a Grécia. Desistimos por uma série de fatores, incluindo o fato de que os vôos estavam mais caros e eu estava com um mau pressentimento (acertadíssimo, na verdade) de que essa confusão fiscal da Grécia só iria piorar. Eduardo achou umas passagens baratas pela British indo para Milão e voltando por Lyon, e resolvemos ir.
Daí entra a história do vulcão e do “vai não vai”. E se não bastasse isso, o “cabin crew” da British anunciou uma greve – de 18 de maio a 9 de junho. Tenho que dizer, morro de paixão pela Europa, mas temo muito pelo seu futuro. O vulcão está mais do que atrapalhando o turismo pelas bandas de lá (eu, por exemplo, se não tivesse já de passagem marcada, não iria), a confusão grega está desvalorizando o euro (nada mal para nós, por sinal), e as greves, bem, não ajudam muito a situação.
A verdade é que esse stress emocional todo das últimas semanas (muitas horas de trabalho em Anacortes, vulcão que explode e não explode, aeroporto que fecha, greve, compra de casa para reformar) tem me afetado de tal forma que me pego pensando doideiras. Sexta-feira passada, por exemplo, na fila do cinema, eu virei para Eduardo e disse que numa boa, de verdade, trocaria minha viagem de duas semanas pela Europa por uma semana tranquila no México, na beira da praia, fazendo nada … Ora, quem me conhece sabe que uma semana torrando de calor na beira da praia é algo que me agrada muito pouco. Pois bem, não é que Eduardo topou? Quinze minutos depois eu já estava morrendo de arrependimento. Um ou dois dias depois desse acontecimento, enquanto tomava conta do jardim, pensei em como seria legal ter um filho e ficar vendo as crianças brincando no jardim, que nem comercial de margarina. Acho que estou enlouquecendo…





