Archive for May, 2010

Nao E A Minha Praia

A viagem tem sido muito boa, apesar dos contratempos. Nice foi uma cidade muito legal, tem praia e um “old town”, o que deixava a cidade com cara de cidade de praia e cidade europeia ao mesmo tempo. Com tudo isso, Nice nao e e nunca sera uma de minhas cidades favoritas. Eu morei numa cidade de praia varios anos e tem algo sobre ver as pessoas com pouca roupa e arrastando chinelo na rua, bem “vamos a la playa”, que nao me agrada. Eduardo, por outro lado, amou Nice. Disse que parece o Rio de Janeiro, mas muito melhor e muito mais tranquilo.

Alugamos um carro e fomos dirigindo pelas pequenas cidades do sul da Franca. Dirigir na Fraca, porem, pode se tornar uma aventura a parte. O caminho entre Nice e Cannes, por exemplo, me lembra um bocado Lauro de Freitas, cidade de praia onde morei. Lauro de Freitas nao e das cidades mais bonitas, prova que cidades de praia sao bem parecidas. Os franceses sao mais educados que os brasileiros no transito, mas nao tao educados quanto os “Seattlelites”. Por exemplo, frances gosta de dar uma fechada em voce so para dar emocao a viagem. E dirigir em cidades medievais, onde voce nem consegue fazer a curva de tao apertada a rua, e um desafio aos melhores motoristas, mesmo se seu carro e um Twingo minusculo. Eduardo nao ficou muito contente nesse dia…

Nice e uma cidade legal; Monaco e OK mediano, e talvez fosse melhor se eu tivesse mais dinheiro; e Cannes e bem OKEIZINHA, e talvez fosse melhor se nao tivesse o tal do Festival de Cannes acontecendo (por conta do festival, a cidade estava lotada e um pouco desagradavel). Marseille, por outro lado, e uma cidade a ser evitada. Diria que quatro horas naquela cidade e o suficiente, ao contrario de tres noites, que foi quanto tempo passamos. A cidade e feia, suja e cheira a peixe. Eduardo disse que a melhor parte de Marseille e a avenida que leva para fora da cidade. Eu diria que a melhor parte e o Chateau D’If, uma fortaleza prisao que foi a inspiracao de Alexandre Dumas para o Conde de Monte Cristo. E a segunda, a avenida que leva para fora de Marseille. Mas, como qualquer outra cidade, tem que saber onde ir. No ultimo dia, depois de muita pesquisa, achei um restaurante que foi muito bom; a rua era suja e cheirava a peixe, mas a refeicao foi boa.

De Marseille fomos para Lyon, que so posso definir como uma mini-Paris. Muito simpatica. Nosso plano era ficar em Lyon duas noites, mas por conta da greve do “cabin crew” da British, nosso voo de Lyon para Londres tinha sido cancelado. Dai nossas opcoes eram 1) ir para Londres mais cedo no dia e esperar 6 horas no aeroporto para nosso voo para Seattle, que nao havia sido cancelado, ou 2) ir para Londres um dia antes. Ir para Londres nao e nenhum sacrificio para nos, e optamos por opcao numero 2. Tivemos sorte e o tempo em Londres estava maravilhoso. Sabado pegamos nosso voo de volta. Nao ouvi mais historia de vulcao, mas ficar presa em Londres nao me desagrada.

Chegando final de viagem, estamos na fase de refletir todo o dinheiro que gastamos e todas as porcarias que comemos durante a viagem. Valeu muito a pena. Mas a dieta ja esta marcada para comecar na terca, ja que segunda e feriado, e Eduardo jura de pe junto que agora, sim, ele vai comecar a ir para a academia. E ver para crer.

E Os Americanos Vao Conquistar O Mundo

Estamos em Varenna, uma das “pequenas e lindas de morrer” cidades em volta do Lago Como, na Italia. Nao tem muito italiano por aqui, mas tem americano que nao acaba mais. Estavamos atras de um restaurante para jantar, e depois de muito rodar (muitos deles estando fechados ou, so tendo cinco mesas, estavam lotados), nos deparamos com um que tambem estava cheio. Mas dessa ves eu insisti.
- Quanto tempo para uma mesa? – Perguntei
- Ih, lotado. – Respondeu uma mulher com cara de dona, que falava mal o italiano e nao falava nada de ingles (mais tarde vim a saber que ela era francesa).

Eu, claro, com minha super-hiper eficiencia americana, insisti:
-Sim, mas posso deixar meu nome e voltar em 15 minutos?
A dona me pareceu um tanto quanto surpresa com essa ideia inovadora de “lista de espera”, tao incomum. Mas deixei meu nome e voltamos dali a quinze minutos. A mesa nao estava pronta , e como pedido de desculpa pela demora, ganhamos um proseco. Prova de que os italianos, apesar de muito bonzinhos, tem muito o que render sobre capitalismo :-)

Pois bem, dentro do restaurante tinha umas 10-15 mesas … Todas ocupadas por americanos.
- Nossa, me sinto em Seattle. – Foi minha reacao.
- Nem tanto. – Disse Eduardo.

A verdade e que eu ouco muita essa historia que americano deveria viajar mais psra conhecer o mundo, ver outras realidades, outras culturas … Mas todo lugar que vamos (Milao, Roma, Madrid, Lago Como) eu so ouco americano conversando … Todo lugar que vamos, so ouco musica americana tocando e filme americano nos cinema … Imagine se americano viajasse mais, o que seria desse mundo? Nessa noite, pelo menos, Eduardo e eu estavamos disfarcados de brasileiros, e assim derrubamos a hegemonia americana naquele pequeno restaurante em Varenna , Lago Como.

Milao

Vou tentar escrever esse post “catando letra” no mais novo iPad de Eduardo (nao recomendo, nao e tao portatil ou faz ligacoes como o iPhone e nao e tao util como um laptop).

De qualquer forma, estamos em Milao. Ja tinha ouvido dizer que as pessoas sao mais civilizadas no norte da Italia, e e verdade. De fato, essa viagem tem sido muito boa para melhorar a imagem que eu tinha dos italianos, que nao me deixaram uma impressao muito boa da ultima viagem. Nao sendo Milao uma cidade tao turistica quanto Roma, Florenca ou Veneza, voce acaba sendo um pouco mais bem tratado. A comida e boa e as pessoas sao relativamente educadas (nao tao educadas quanto Seattle, mas definitivamente mais educadas do que sul da Italia ou Brasil).

Eduardo diz que na Italia existe esse fenomeno que homem se arruma mais do que mulher. Eu concordo. Em geral, as pessoas se arrumam bem por aqui, afinal de contas, estamos em Milao. Mas os homens sao um show a parte. Nossa … Se voce gosta de homem bem arrumado (nada de tenis, pelo amor de Deus), perfumado e com os cabelos “propositalmente” despenteados, aqui e seu lugar. Ou nao. Eu mesma nao poderia morar aqui, e tentacao demais para uma pessoa so :-)

Os Deuses Devem Estar Loucos

Cá estamos nós, com viagem marcada para a Europa. Daqui a pouco, para ser mais exata. A verdade é que essa viagem tem sido uma experiência um tanto quanto diferente de todas as outras viagens que já fizemos: ao invés da animação, planejamento e sonho de umas férias tranquilas, ficaram a ansiedade de um vulcão que Deus sabe quando vai explodir. No apogeu da confusão, quando vários aeroportos fecharam, pensamos que não iríamos mais. Depois os aeroportos abriram. Oba! Depois fecharam. Tristeza. Depois abriram. Haja concentração de Buda para dormir com um barulho desses.
Tem várias coisas chatas dessa confusão toda. Primeiro, você não quer se animar demais com uma viagem que pode não acontecer. Nada de muitos sonhos de passear de carro no sul da França. Segundo, se aeroporto e viajar de avião já não são as melhores partes de tirar férias, com um vulcão temperamental as coisas só fazem piorar.
Eduardo estava aqui contemplando que essa viagem começou e continua “difícil”. O plano inicial era ir para a Grécia. Desistimos por uma série de fatores, incluindo o fato de que os vôos estavam mais caros e eu estava com um mau pressentimento (acertadíssimo, na verdade) de que essa confusão fiscal da Grécia só iria piorar. Eduardo achou umas passagens baratas pela British indo para Milão e voltando por Lyon, e resolvemos ir.
Daí entra a  história do vulcão e do “vai não vai”. E se não bastasse isso, o “cabin crew” da British anunciou uma greve – de 18 de maio a 9 de junho. Tenho que dizer, morro de paixão pela Europa, mas temo muito pelo seu futuro. O vulcão está mais do que atrapalhando o turismo pelas bandas de lá (eu, por exemplo, se não tivesse já de passagem marcada, não iria), a confusão grega está desvalorizando o euro (nada mal para nós, por sinal), e as greves, bem, não ajudam muito a situação.
A verdade é que esse stress emocional todo das últimas semanas (muitas horas de trabalho em Anacortes, vulcão que explode e não explode, aeroporto que fecha, greve, compra de casa para reformar) tem me afetado de tal forma que me pego pensando doideiras. Sexta-feira passada, por exemplo, na fila do cinema, eu virei para Eduardo e disse que numa boa, de verdade, trocaria minha viagem de duas semanas pela Europa por uma semana tranquila no México, na beira da praia, fazendo nada … Ora, quem me conhece sabe que uma semana torrando de calor na beira da praia é algo que me agrada muito pouco. Pois bem, não é que Eduardo topou? Quinze minutos depois eu já estava morrendo de arrependimento. Um ou dois dias depois desse acontecimento, enquanto tomava conta do jardim, pensei em como seria legal ter um filho e ficar vendo as crianças brincando no jardim, que nem comercial de margarina. Acho que estou enlouquecendo…

A Casa da 11th Avenue

Nesse tempo todo de crise, Eduardo me convenceu que seria uma idéia maravilhosa investir em imóveis.  Foi assim que ele se juntou com o contractor que reformou nossa casa para entrarem no negócio de ”flip”, ou seja, comprar uma casa velha caindo aos pedaços, reformar, e vender com lucro (de preferência). Depois de algumas ofertas que não foram a lugar algum, finalmente achamos a casa. Ela fica na 11th Avenue, a umas 10 quadras da nossa casa. Não só ela está caindo aos pedaços, com um deck tão capenga que o banco mandou consertar antes de se comprometer a fazer o empréstimo, como ela é uma casa com uma história muito estranha. Se eu acreditasse na coisa, diria até que tem “alma” perdida naquele lugar.

Ao entrar na casa, você tem a sensação que a família que morava lá foi sequestrada por ETs. Portas de armário da cozinha abertas, pratos na pia, comida na geladeira, livro de criança aberto na sala de jantar, roupas espalhadas pela casa inteira, brinquedos pelo chão, um piano de cauda todo empoeirado com um afinador do lado … enfim, parece que a família estava no meio dos afazeres diários e, de repente, sumiu do mapa. Tudo bem que a casa está sendo vendida num processo de falência, mas isso não justificaria ter que largar tudo, naquele momento, e sair corrido da casa. Fica-se até pensando naqueles filmes de terror, que a família sai aterrorizada da casa assombrada para nunca mais voltar.

Apesar da grande questão do que aconteceu com aquela família, achamos que seria um bom negócio comprar a casa para reformar e revender. Afinal de contas, estava caindo aos pedaços. A casa está quase comprada e o projeto de reforma está na fase de planejamento. Foi numa dessas idas à casa para tirar medições que o contractor encontrou com alguns dos vizinhos, que contaram uma história um tanto quanto assombrosa sobre a casa. Sim, mais assombrosa que sequestro por ET ou alma botando a família para correr.

De acordo com os vizinhos, a família saiu da casa há nove anos atrás. Isso mesmo, nove anos atrás! Sabendo disso, fiquei eu aqui morrendo de curiosidade para voltar à casa e comprovar essa teoria: atrás de jornais com data de nove anos atrás, comida mumificada na geladeira, ou qualquer outra indicação que comprove a teoria dos nove anos. Pois bem, a história vai pioriando. Disseram os vizinhos que a esposa tinha uns problemas mentais, e que ela piorou tanto que a família inteira teve que se mudar para a Flórida. Correndo, largando tudo para trás. Disseram ainda os vizinhos, nada fofoqueiros, que a família deixou os dois carros para trás e ainda por cima dois caminhões de mudança do U-Haul estacionados na porta da casa, e que os benditos caminhões da U-Haul ficaram estacionados lá por dois anos. Isso mesmo, dois anos. Já pensou pagar dois anos de caminhão da U-Haul para ficar parado na porta da casa??? Disseram ainda que alguns dos vizinhos tentaram contactar a família, mas que foram ignorados.

Claro que na hora de vender a casa, ninguém vai falar contar para os potenciais compradores essa história estranhíssima. Depois o povo fica achando que o homem prendia a mulher no sótão, que nem esses filmes de terror que vemos por aí. Mas vai ficar uma casa muito legal. E aí, alguém topa uma casa mal assombrada muito legal? ;-)



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