Eu sou uma pessoa chata e admito. Reconheço minhas falhas e, ao invés de tentar consertá-las, convivo com elas. Eduardo também convive com elas, assim como todos os visitantes lá de casa. Eu tenho umas implicâncias bem inofensivas, que nem, por exemplo, detesto queijo que você já compra fatiado. Compro às vezes por conveniência, mas queijo fatiado para mim perde muito o charme do queijo. Que nem pão de forma. Também detesto pão de forma também, perfeitamente fatiado.
Também não gosto de vinho com rótulo engraçadinho. Que nem, por exemplo, o Red Byciclette. Ou o Yellow Tail (por sinal, um bom vinho). Gosto de vinho com rótulos clássicos e bonitos, como o Perrin Côtes du Rhônes-Village (por sinal, excelente). Afinal de contas, aparências importam e muito, como comprova toda pesquisa científica séria, apesar do que o povo tenta de ensinar que beleza não põe mesa, aparências não são importantes, e todas essas coisas que os adultos te ensinam quando você é criança.
Mas aqui vai uma implicância grande, e esta de maior impacto aos visitantes: meu fogão. A essa altura já morei em 6 casas/apartamentos aqui nos Estados Unidos, sem contar os temporários no meio do caminho, e sempre percebi que eu recebia o fogão limpo e pristino (acredito pelo fato de ninguém nos Estados Unidos cozinhar) e eu entregava a casa com o fogão bastante manchadinho. Não tem jeito, sempre derrama coisa no fogão e não tem esfregação que limpe. O negócio gruda para a eternidade. Daí que reformamos nossa casa, compramos um fogão legal, e eu tenho esse objetivo na vida de deixar o fogão constantemente limpo, como novo. Não é tarefa muito fácil, envolve vigilância constante e limpeza de imediato. E mínimo de fritura (fritura e leite derramado são terríveis). Não que meu fogão esteja como no dia que eu recebi, afinal de contas, eu uso o fogão com bastante frequência. Mas continua lindo de morrer, e fogão lindo de morrer deixa Nara feliz.
Minha última implicância (do dia, claro): TV ligada. Meus amigos sabem quem são, e eles mesmo admitem, mas detesto ir na casa dos outros e a ver a TV ligada. Se eu vou para a casa dos outros, é para conversar. Se for para ver TV, eu fico na minha casa, que é muito mais comfortável. Eduardo e eu fomos criados em ambientes nos quais refeições eram feitas à mesa, sem esse negócio de televisão ligada. É um hábito que carregamos e hoje lá em casa na hora do almoço ou jantar sentamos os dois à mesa, comemos, bebemos e conversamos. Sem TV ligada. É um hábito lega, faz com que você preste atenção ao que está comendo e saboreie a comida.
Mas meus filhos, que juro que algum dia ainda vou ter, não ligarão muito para TV. Pelo andar da carruagem, eles terão um celular super-hiper potente, que eles levarão à mesa, à cama e ao banheiro. Eduardo, mesmo, quando comprou o iPhone, foi assim. O iPhone dormia com a gente, comia com a gente, assistia TV com a gente … eu cortei logo a brincadeira, e hoje o iPhone já não senta à mesa de jantar conosco.
Por hoje, é só. Bom domingo para vocês também.





