Archive for March, 2010

Implicância

Eu sou uma pessoa chata e admito. Reconheço minhas falhas e, ao invés de tentar consertá-las, convivo com elas. Eduardo também convive com elas, assim como todos os visitantes lá de casa. Eu tenho umas implicâncias bem inofensivas, que nem, por exemplo, detesto queijo que você já compra fatiado. Compro às vezes por conveniência, mas queijo fatiado para mim perde muito o charme do queijo. Que nem pão de forma. Também detesto pão de forma também, perfeitamente fatiado.

Também não gosto de vinho com rótulo engraçadinho. Que nem, por exemplo, o Red Byciclette. Ou o Yellow Tail (por sinal, um bom vinho).  Gosto de vinho com rótulos clássicos e bonitos, como o Perrin Côtes du Rhônes-Village (por sinal, excelente). Afinal de contas, aparências importam e muito, como comprova toda pesquisa científica séria, apesar do que o povo tenta de ensinar que beleza não põe mesa, aparências não são importantes, e todas essas coisas que os adultos te ensinam quando você é criança.

 Mas aqui vai uma implicância grande, e esta de maior impacto aos visitantes: meu fogão. A essa altura já morei em 6 casas/apartamentos aqui nos Estados Unidos, sem contar os temporários no meio do caminho, e sempre percebi que eu recebia o fogão limpo e pristino (acredito pelo fato de ninguém nos Estados Unidos cozinhar) e eu entregava a casa com o fogão bastante manchadinho. Não tem jeito, sempre derrama coisa no fogão e não tem esfregação que limpe. O negócio gruda para a eternidade. Daí que reformamos nossa casa, compramos um fogão legal, e eu tenho esse objetivo na vida de deixar o fogão constantemente limpo, como novo. Não é tarefa muito fácil, envolve vigilância constante e limpeza de imediato. E mínimo de fritura (fritura e leite derramado são terríveis). Não que meu fogão esteja como no dia que eu recebi, afinal de contas, eu uso o fogão com bastante frequência. Mas continua lindo de morrer, e fogão lindo de morrer deixa Nara feliz.

Minha última implicância (do dia, claro): TV ligada. Meus amigos sabem quem são, e eles mesmo admitem, mas detesto ir na casa dos outros e a ver a TV ligada. Se eu vou para a casa dos outros, é para conversar. Se for para ver TV, eu fico na minha casa, que é muito mais comfortável. Eduardo e eu fomos criados em ambientes nos quais refeições eram feitas à mesa, sem esse negócio de televisão ligada. É um hábito que carregamos e hoje lá em casa na hora do almoço ou jantar sentamos os dois à mesa, comemos, bebemos e conversamos. Sem TV ligada. É um hábito lega, faz com que você preste atenção ao que está comendo e saboreie a comida.

Mas meus filhos, que juro que algum dia ainda vou ter, não ligarão muito para TV. Pelo andar da carruagem, eles terão um celular super-hiper potente, que eles levarão à mesa, à cama e ao banheiro. Eduardo, mesmo, quando comprou o iPhone, foi assim. O iPhone dormia com a gente, comia com a gente, assistia TV com a gente … eu cortei logo a brincadeira, e hoje o iPhone já não senta à mesa de jantar conosco.

Por hoje, é só. Bom domingo para vocês também.

Europa Hipocondriaca

As vezes acontece de voce ler um artigo que bate tao bem com suas ideias, e tao bem escrito, que voce acha que nao poderia jamais na sua vida expressar sua opiniao de forma mais clara. Pois isso aconteceu comigo semana passada quando estava lendo uma coluna da revista Economista. Ai vai – sorry, English only ;-)

IMAGINE two cousins. One comes from continental Europe, France, perhaps. A hypochondriac, his life is filled with vague complaints—stress, fatigue and mysterious aches—for which he takes fistfuls of pills. He is sure that strenuous exercise is a menace to his fragile health. The other cousin is American (or British, take your pick), a risk-taker devoted to extreme sports. Shunning doctors, he feels as strong as an ox, although he has been drinking and overeating for years. Eventually, in 2008, he succumbs to a massive heart attack while out jogging. As far as his French cousin is concerned, a deep truth has thus been confirmed: that exercise is bad for you. Substitute free-market competition for exercise, and you have the European debate over the financial crisis. Sober discussion about how to manage the instability of markets is giving way to a simpler fable. Too many voters now believe that the credit crunch has proved that globalisation is bad for you. And too many politicians are happy to endorse such views. In a televised meeting with voters in January the French president, Nicolas Sarkozy, denounced Renault for planning to build a new car in Turkey, saying “I do not accept that cars sold in France should be manufactured abroad.” More recently, politicians have condemned speculators for picking on weak links in the euro-area. Jean-Claude Juncker, the prime minister of Luxembourg and president of the Eurogroup of finance ministers, has declared that governments must show “the primacy of politics” over markets. In an unexpected Bela Lugosi moment, Mr Juncker said governments had “instruments of torture in the basement”, and would readily “display” them. In a more thoughtful speech, the new president of the European Council, Herman Van Rompuy, noted that Europeans were “anxious”, as they watched the economic strength of emerging countries like China, India or Brazil turning into political power. As long as globalisation was seen mainly as economic, Europeans felt as if everyone could win from it, argued Mr Van Rompuy. But now that other world powers are rising, Europeans fear that unstoppable competition may take away their jobs and undermine their welfare states. In a new paper a French academic from SciencesPo, Zaki Laïdi, pulls together data to demonstrate that Europe is risk-averse (“Europe as a Risk Averse Power”, Garnet). Most Europeans dispute the idea of just war, he notes. Many fear genetically modified crops. They are less likely to own stocks and shares than Americans, even though some are assiduous savers against a rainy day (three-quarters of all French household financial assets are free from capital risk). Mr Laïdi cites a “job protection index” drawn up by the OECD club of rich countries. On average, this shows, it is 12 times harder to lay off permanent workers in Europe than it is in America. The French are outliers in western Europe, marked by unusual pessimism and hostility to free markets. Jean-Paul Delevoye, France’s médiateur de la République, a sort of national ombudsman, made front-page news in February by declaring that French society was “psychologically exhausted”. In a poll by the CSA institute 56% of French respondents said it was somewhat or very possible that they could end up homeless (despite living in one of the world’s most generous welfare states). French politicians play up to this national hypochondria. Like a cynical quack, Mr Sarkozy prescribes homeopathic cures in which policies like protectionism are so much diluted that they cease to function. Elsewhere EU governments have surrendered to the first sign of protests by reversing austerity measures almost as soon as they announce them. The Spanish have proved especially feeble, with ministers twice proposing and then swiftly backtracking on reforms, once over a rise in the legal pension age, and once over public-sector pay cuts. Perks and privileges Even in the worst-hit countries, protests rarely come from the main victims of the crisis: the young, immigrants and temporary workers. Unemployment in Spain is close to 20%, but the loudest squeals have come from full-time workers arguing against raising the pension age to 67. Greek civil servants are mobilising to defend generous pensions that most of their countrymen will never enjoy. Other strikers include Greek tax collectors (whose bribe-taking is one reason why the country is broke) and taxi drivers furious over plans to make them issue receipts, keep accounts and pay taxes on their full incomes. Elsewhere, strikers have included French air-traffic controllers, said in a recent study by French state auditors to work fewer than 100 days a year—though nobody knows for sure, as their perks include shift patterns kept secret from senior management. It is perhaps no surprise to find that organised workers in positions of privilege, including many in the public sector, fight the hardest and squeal the most in defence of their benefits. But European governments know that they have been living beyond their means—and so, deep down, do most voters. Besides, hypochondriac Europe is stronger than it thinks. German manufacturing has weathered the crisis quite well, partly because Germany’s economy has become more Anglo-Saxon in recent years than its political leaders care to admit. Poland avoided recession altogether. Italy has escaped any upsurge in its deficit. France’s companies are in better shape than its public opinion. Just look at Renault: despite being hauled over the coals, it continues to make more cars abroad than at home. Politicians need to hold their nerve and make cuts. They should also remember what doctors have always known: those who shout loudest are not always the ones in the most pain.

Primavera

De forma inédita, a primavera esse ano chegou em março. Isso para não dizer que já tinha uma florzinha ou outra despontando final de fevereiro, atrapalhadas com o inverno maravilhoso que tivemos. E com tanta miséria acontecendo no mundo, e tantos terremotos destrutivos por aí afora, estou aqui curtindo nossa primavera adiantada e torcendo para que nada de ruim esteja a caminho.

Sábado amanheceu prometendo ser um dia maravilhoso. Primeira providência do dia, depois do cafezinho, foi ir ao Home Depot comprar uma churrasqueira que temos nos prometido desde que mudamos ano passado. Nossa idéia não foi lá tão original, visto que outras pessoas na fila também estavam comprando churrasqueira. Mais tarde, no mesmo dia, Eduardo teve que voltar ao Home Depot para resolver outra coisa e percebeu que todas as churrasqueiras no estilo que tínhamos comprado tinham acabado.  O que não me surpreende nem um pouco, porque em Seattle somos de onda: quando faz muito calor, acabam-se os ar condicionados e ventiladores; quando faz sol, acabam-se as churrasqueiras; quando neva, acaba o salzinho para derreter gelo da driveway; e por aí vai.

O churrasquinho foi ótimo. Se você ficasse no sol de calça e casaquinho, e até blusinha fina se o sol estivesse a pino, ficava bem agradável (ainda não estamos nos aventurando de bermuda nessa casa). Foi um abuso total de carne, farofa e cerveja, tanto que passei o domingo meio de ressaca. Parece brincadeira, mas acho que perdi o costume.

E por falar em primavera … ano passado gastamos uma grana generosa refazendo o quintal que foi destruído na reforma. Foi o maior planejamento para saber o que plantar, como plantar, onde plantar, com quem plantar. Ficou bonitinho, mas bonitas mesmos são as árvores que já estavam lá no quintal há anos. Estão lindíssimas de tão floridas, e a maior pena que tenho é que minhas fotos não fazem justiça à beleza das árvores. É tanto que nosso quarto fica na frente da casa, e com as janelas “single pane”, conseguimos ouvir da rua as pessoas parando e comentando sobre as flores. Agradeçam a Mãe Natureza pelo espetáculo, não a mim ;-)



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