Descobri dias desses de minhas ex-colegas da Heller Ehrman (via Facebook, onde mais?) que as obras de arte da Heller estavam indo a leilão para pagar as dívidas da finada endividada. Fui no site da Bonhams conferir a “Coleção de Arte Contemporária da Heller Ehrman”, como eles mesmo chamavam. Eu desconhecia muitos dos quadros, afinal de contas eles estavam fazendo leilão das obras de arte de todos os escritórios. Mas seguindo a lista, às vezes eu me deparava com um quadro que me fazia lembrar dos vários anos que trabalhei na Heller. Tempos onde tudo era mais fácil e mais bonito. Pelo menos é isso o que eu acho agora, toda vez que eu venho com esse papo de quão legal a Heller era, Eduardo me vem com um “lembra daquela vez que você ficou p. da vida por ter que passar o mês de agosto inteiro no Alaska, onde a temperatura não passava dos 10C, quando aqui em Seattle estávamos tendo um dos melhores verões de toda a história” ou “lembra daquela outra vez …” Tá bom, tá bom, point taken, nem sempre tudo era tão bonito e fácil e legal.
O leilão veio e passou e eu não comprei nada. Primeiro, porque o gosto da Heller não é bem meu gosto. Depois, porque os quadros são caros, apesar de não parecerem. O quadro da Panela de Arroz, por exemplo, vendeu por $5,000. Por essa quantia, eu mobilho minha sala de jantar inteira. O quadro dos Homenzinhos Flutuantes era um dos favoritos da turma. Ele ficava bem na escada, e era bem sugestivo descer a escada com aqueles homenzinhos flutuando no nada. Pois é, vendeu por $3,600, nada mal para um quadro que não me parece muito difícil de fazer.
O meu quadro favorito sempre foi o da Banana Reclinando (título oficial), carinhosamente chamado do quadro da Banana Controversial. O quadro tem de tudo: tem uma banana, tem várias cherries, e tem um poema! “Do outro lado da sala tinha uma banana controversial … sozinha.” Esse quadro ficava numa sala de conferência onde já tive várias reuniões … chatas, interessantes, intensas. Nunca parei para pensar o que os clientes achavam daquele quadro, mas você tem que admitir que não é o tipo de quadro que passa desapercebido. Era a “sala de conferência com o quadro da banana”, e como a própria frase, nunca deixou de ser uma banana controversial. Fiquei tentada, mas o quadro vendeu por $3,500 e, bem, com esse dinheiro eu compro vários pares de sapato e Eduardo compra várias bugigangas eletrônica para nossa casa.
Quão difícil é pintar homenzinhos flutuando e bananas com cherries? Acho que está na hora de repensar minha carreira.








