Estou aproveitando minha estadia no Brasil para estudar os costumes dos nativos locais. Unindo minha curiosidade cultural ao útil, resolvi ir à academia, da qual participam minha mãe e minha irmã. Em linhas gerais, academia no Brasil é como tudo no Brasil: serviço é baratíssimo, daí que o nível de atenção que você recebe em relação ao que paga é muito maior, comparando-se com os Estados Unidos. Claro que os monitores atenciosos que ficam ali te ajudando nos aparelhos de musculação ganham uma mixaria, mas ninguém parece se importar muito com isso. E como eu sei que eles ganham uma mixaria? Bem, daí vai meu segundo ponto sobre a academia, que é como tudo no Brasil: todo mundo sabe da vida de todo mundo. Minhas informantes sabem do salário deles. E outras coisas mais, do tipo “aquele ali teve filho cedo, ó, agora tem vinte e poucos anos e está tentando estudar para o vestibular de medicina com dois meninos para criar. Como pode, né???”, ou “aquele ali, ó, todo dia pela manhã vai tomar o mingau da Dona Dora do outro lado da rua, se não se cuidar vai ficar é barrigudo.” E por aí vai.
Eu, acostumadíssima com o estilo americano do cada um por si, estranhei demais aquele nível de atenção dos monitores da academia, olhando sua postura e mandando você alongar. Agora estou até gostando. E as pessoas se tocam! Quem mora nos Estados Unidos sabe que as pessoas evitam se tocar o máximo possível, mas aqui eles gostam dessa “troca de energia” que é uma coisa séria. Com isso eu não me acostumei, afinal de contas, já estou americanizada do que até eu imaginava. Ah, e as pessoas vestem roupas de ginásticas coloridas e estampadas. Bem verão. Com isso também não me acostumei, até porque verde limão e bermuda de ginástica branca com bolinhas roxas ou estilo escama de cobra não combinam muito com meu estilo elegante americano metido a besta. Daí que resolvi comprar umas roupas de ginástica por aqui e tive a maior dificuldade.
Vendedora: “Olha só essas bermudinhas, bem coloridas, olha que estampa bonita!”
Eu: “Eh … tem alguma coisa lisa, tipo preto ou cinza?”
Vendedora: “Olha, tenho pouquíssimo, em geral só as senhoras mais velhas compram as bermudas pretas. Tem essa azulzinha aqui, você gostou?”
Eu: “Ótimo, é isso mesmo o que eu quero.”
Vendedora: “Está até na promoção, essa aí não vende muito bem…”
Muito simpática a vendedora, que por sinal também é dona da loja. Ela contou que ela mesma faz as bermudas (e também biquini, e também faz alteração de roupa e o que mais você precisar nessa vida), e engatou num papo muito legal com minha irmã.
Vendedora: “Olha, eu faço de tudo, remendo roupa, bainha de calça, encomenda de biquini, o que você precisar.”
Minha irmã: “Bom saber …”
Vendedora: “Esse negócio de fazer roupa para encomenda é meio complicado, porque às vezes o freguês não gosta e é a maior dificuldade. Essa mulher que acabou de sair daqui da loja mesmo, devolveu a peça porque não gostou. Ela mora em Praia do Forte e de vez em quando vem aqui. Mas é meio complicado, com frequência ela não gosta das roupas que encomenda. Tem gente que é difícil assim mesmo.”
Vixi Maria, como o povo aqui conversa!






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