Michiganians Em Paris

Eduardo e eu adoramos um programa da HGTV chamado House Hunters International.  A historinha do programa é sempre a mesma – uma pessoa/família/casal à procura de uma casa em outro país. Eles mostram os compradores olhando três casa e no final do show eles mostram qual a casa escolhida. Meus favoritos, como não poderia deixar de ser, são as buscas por casas na Europa. O último programa que vimos, por exemplo, mostrava um casal de Michigan com dois filhos pequenos (daí o título do episódio e desse post) em busca de uma casa em Paris. Ele tinha sido relocado pela empresa que trabalhava e a família toda se mudou de mala e cuia para Paris. A vida deles nos Estados Unidos era bem comfortável, como nós e nossos amigos que moram por aqui podem atestar – casa grande no subúrbio, fartura, cachorro …

Logo de cara, eles desistiram de comprar um imóvel e resolveram alugar (admito, foi a primeira vez que vi isso acontecendo no programa). Eles não queriam gastar mais de U$4,300 por mês de aluguel, o que é um budget bem generoso na minha opinião, mas acontece que, ao contrário de Seattle, U$4,300 não faz milagre em Paris.  Daí que o primeiro apartamento que eles viram era muito bonitinho, iluminado, num daqueles prédios lindos de Paris, e bem localizado no centro da cidade. O problema? O apartamento era pequeno, com cerca 800 sf (cerca de 73 m2), e bem caro – o aluguel quase passava do budget deles. A segunda opção era um apartamento não tão legal, numa localização fora do centro (fora da área turística, digamos assim, e mais perto da área onde moram os imigrantes revoltados da França que tanto vemos na TV), e nem por isso tão abaixo do budget deles. Ainda por cima, parecia que era habitado por hippies, com tudo muito colorido. A terceira opção, não tão legal quanto a primeira mas não tão ruim quanto a segunda, ficava fora do centro mas custava uns $3,000 de aluguel e era uma casa geminada. Qual foi a casa que ganhou?

Antes de revelar o final da história, queria contar os fatos mais interessantes do programa. Americanos (e nisso estou incluindo eu e Eduardo) gostam de comforto – cômodos grandes para colocar móveis grandes para pessoas cada vez maiories. Daí que todos os apartamentos que eles viam tinham o mesmíssimo problema de “vixi (licença poética), nossa cama “king size” com quatro “posts” não vai caber nesse quarto”. Assim é a vida em Paris, paga-se mais por menos. E não tem onde estacionar. Outro problema era a segurança dos filhos. Americano é um povo estressado e quem mora aqui fica estressado por pura e simples osmose. Eu reconheço e admito, daí que quando você vai para a Europa e vê aquele bando de gente andando de bicicleta com o filho na cestinha da frente,  SEM capacete NEM qualquer outro tipo de proteção, fica assombrado com aquele povo tão despreocupado. E os bares, com aquele bando de criança e mulher grávida envoltos naquela fumaça de cigarro? Absurdo dos absurdos! O maior problema da casal de Michigam eram as janelas, que iam de cima a baixo da parede e sem proteção para criança, e a varanda que tinha um gradil de 1 metro de altura que, Deus do Céu, os meninos podem voar por cima. Numa das casas que eles olharam, a coisa foi mais ou menos assim:

Mulher de Michigan: “Mas essas janelas são um perigo.”

Corretor: “Por quê, você não gosta das janelas?”

Mulher de Michigan: “Não é isso, mas elas vão até embaixo, abrem para fora e não tem proteção. É um perigo para quem tem criança!!!”

Corretor (coçando a cabeça): “E se você falar com seu filho que não é para pular da janela, será que ele pula mesmo assim?”

Dava para ver que no final o corretor estava intrigado com essa história de criança e janela, sem entender o porque da preocupação. E deu para ver que a mulher estava cada vez menos encantada com Paris e com aquela vida onde tudo é caríssimo,  sua cama king size não cabe nos ambientes e o povo não dá, digamos assim, o estresse devido ao evidente problema de crianças e  janelas.

Pois bem, no final eles ficaram com a casa número três, e que eu saiba os meninos continuam são e salvos.  Os móveis, por outro lado,  ficaram um tanto quanto apertados. A sala de estar foi meio ambiente favorito, mais do que o quarto. Eles  “decoraram” o ambiente com um sofá florido, duas poltronas listradas e um tapete oriental (e aqui não estou usando de licença poética). De qualquer forma, eu tenho que tirar o chapéu aos Michiganians, que apesar de terem sua vida muito legal e comfortável no U S and A, decidiram largar casa e cachorro, apesar de não terem largado dos móveis, para tentar uma vida diferente em Paris. Eu que o diga, quando nada vale pela lição de vida ;-)

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