Estamos em época de eleições, mas você nem diria de tão quieta que anda a cidade, exceto por uns panfletos aqui e ali. A começar, não é obrigatório votar. Eu , como boa cidadã, me registrei para votar. Por sinal, quase perdi o último dia para registrar – eles permitem que você registre pelo correio ou online até um mês antes das eleições; depois disso você tem que ir registrar pessoalmente, o que não seria tão mal se o lugar de registro não ficasse lá no fim do mundo (Tukwila) e só funcionasse no horário mais incômodo para pessoas trabalhadoras como eu (8:30 a.m. – 4:30 p.m.).
Pronto, registro feito. Onde votar agora? Fácil, em casa. Há uma semana atrás Eduardo e eu recebemos nossa cédula de votação pelo correio. Isso mesmo, você preenche sua cédula, coloca no envelope que eles te mandam, e envia de volta pelo correio. Eu mesmo acabei de votar e me senti como uma estudante colando na prova. No Brasil votar é tão “big deal” – TEM que ser secreto, você TEM que comparecer para votar, se você NÃO votar NÃO pode tirar passaporte – que me senti um tanto desconcertada com a facilidade de votar por aqui. Digamos, por exemplo, que você se enganou e votou para a pessoa errada. E agora, o que fazer? Fácil. De acordo com as instruções, é só riscar o nome da pessoa “erroneamente” votada e escolher outra pessoa. Bem, aqui eles consideram isso um “momento de relapso”, mas de onde eu venho isso se chama voto nulo. E se você perdeu sua cédula? Facílimo, é só ligar para eles e pedir outra. Alguém aí pensou em fraude? Eles também pensaram, daí que você tem que assinar uma declaração e enviar com sua cédula afirmando que você é cidadão, que é mentalmente competente, que você não está votando duas vezes, que você não está votando por outra pessoa, blah blah blah. Pronto, problema resolvido. Não sei como eles não implementam esse sistema de voto pelo correio com declaração no Brasil.
Eu já falei dos write-ins? Quando vi minha cédula, algumas posições tinha duas opções: Fulano de Tal ou opção em branco, com denominação de write-in. De acordo com o Wikipedia, write-in é um candidato numa eleição cujo nome não aparece na cédula (por não ter se registrado etc) mas pelo qual você pode votar escrevendo o nome. Também é uma ótima oportunidade para votar no Mickey Mouse para xerife do King County.
Eu já falei no que temos que votar? Algumas opções são mais polêmicas e fáceis de votar, como prefeito de Seattle, aprovar Referendum 71 (que garante a casais homossexuais os mesmos direitos de casais heterossexuais casados no papel), reprovar Iniciativa 1033 (mais uma péssima idéia do péssimo Tim Eyman de limitar o crescimento do estado/county/cidade ao crescimento populacional/inflacionário, justamente num ano de péssima economia, para assim você morar numa péssima cidade sem perspectiva de crescimento). Mas tem outras, como por exemplo, nas três posições abertas dos “Commissioners” do Port of Seattle, que você nem tem idéia do que faz. Ou melhor ainda, se você aprova ou rejeita o “Charter Amendment No. 2″, no qual ele te pergunta se o “King County Charter Section 475, relating to preparation of work programs and requested allotments and to appropriation transfers, [shall] be repealed”? Eu sei lá! Sim? Não? Tanto faz?
A nossa sorte é que o Stranger (um jornalzinho grátis da região) publica um “cheat sheet” com indicações para quem votar e os motivos pelos quais você deve votar naquelas pessoas. Aliás, quase todo jornal por aqui tem suas “indicações”, bem diferente do Brasil, onde os meios de comunicação são totalmente e completamente imparciais. Com tanta facilidade para votar – no comforto do seu lar, com “cheat sheet” do Stranger e tudo mais – eu só não sei porque é que as pessoas não votam com mais frequência por aqui. Vai entender.







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