Mas você não acabou de tirar férias? Bem lembrado, eu já tinha me esquecido. Mas acho que já estou precisando de outras férias.
A história das minhas maravilhosas férias para Irlanda e Polônia começou num belo dia em julho, quando eu olhava meu calendário para escolher a semana mais apropriada para tirar férias, e não tinha nenhuma! As coisas andavam ocupadíssimas no trabalho e o calendário indicava três julgamentos por vir: 31 de julho, 14 de setembro e 24 de setembro. Conversa para lá e conversa para cá, meu chefe me indicou a semana perfeita para férias: 17 de agosto, quando já teria terminado o julgamento de 31 de julho e antes de começar o de 14 de setembro. Corri e comprei logo as passagens, afinal de contas, estou trabalhando tempo o bastante na área jurídica para saber que as coisas mudam. E como mudaram. A outra parte pediu para adiar o julgamento de 31 de julho para 31 agosto, nós batemos o pé que aquela data não podia e que mudasse para novembro, a outra parte concordou, mas daí o juíz não deu a mínima bola e decidiu por 31 de agosto. E agora, José? Agora já era, arrumei minha mala e fui de viagem, com uma leve dor na consciência que desapareceu com a primeira dose de Guinness.
Mas minha viagem fora de hora não seria sem consequências. Cheguei numa quarta, 26 de agosto, e o julgamento estava para começar na segunda. A nossa secretária teve que viajar correndo para outro estado para ver a mãe, que tinha tido um ataque cardíaco, e a firma contratou uma “temp” que conseguiu ser uma das pessoas mais incompetentes que conheci na vida. O resultado é que estava o maior pandemônio no escritório. Trabalhei aquele final de semana inteiro, boa parte do final de semana seguinte, e também o final de semana passado. Hoje, finalmente, foi o último dia desse julgamento. Não que tenha acabado, porque ainda estamos esperando o veredito dos jurados. Ah, e quinta-feira que vem começa outro julgamento. O do meio, de 14 de setembro, foi adiado, e estamos lá fazendo a dança do adiamento para ver se o julgamento de quinta é adiado para um futuro distante, afinal de contas, não faça hoje o que você pode deixar para daqui a seis meses. Dedinhos cruzados, só espero não fazer a dança errada e trazer chuva ao invés de adiamento






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