Archive for September, 2009

I Love Geeks

Geek é dessas coisas que é difícil de definir mas você reconhece um assim que bate os olhos. Eu sempre achei que eu tivesse uma quedinha por homem de farda, mas esse último julgamento do qual participei veio me provar que, de fato, eu sou mesmo apaixonada pelos geeks.

Uma das nossas testemunhas era um engenheiro de tráfego. Tentávamos provar que a driveway do nosso cliente (essas driveways são o pesadelo da minha vida) ficaria terrivelmente afetada depois da desapropriação que a cidade de Bothell queria fazer de parte da driveway para alargar a rodovia, e que o prejuízo do nosso cliente justificaria o valor monetário que estávamos pedindo, mais de $1 milhão de dólares (a cidade de Bothell só queria pagar $300 mil). O nosso engenehrio de tráfego estava lá para dizer que o mundo acabaria depois que a driveway fosse modificada, e os engenheiros da cidade estavam lá para dizer que nosso cliente estava delirando e que a driveway depois da aquisição ficaria muito melhor do que a que ele tinha antes.

O nosso engenheiro de tráfego era um geek. Conversava de muita pouco coisa além de rodovias, driveways, curvas … íamos todo almoçar juntos e as poucas vezes que fui conversando com ele o papo era assim mesmo:

Ele: “Olha só essa rampa para cadeira de rodas, totalmente descentralizada em relação a rampa do outro lado da rua. Um absurdo.”

Eu (concentrada no meu pé que estava doendo com o sapato de salto): “Ah…”

Ele: “E aquela driveway vai ficar terrivelmente afetada depois que eles alargarem a pista, você vai ver!”

Eu (pensando mais ainda no meu pé que continuava doendo): “Ah…”

Os engenheiros da cidade testemunharam, nosso engenheiro testemunhou, depois a cidade teve a oportunidade de fazer o reply com os engenheiros deles (no qual um dos engenheiros fez vários cálculos ao vivo para os jurados, que tentavam a todo custo ficar de olhos abertos), e no final tínhamos o direito de fazer o reply do reply. Veja bem, o reply do reply era a última parte do julgamento, que por sinal estava levando mais tempo do que o antecipado; os jurados já estavam ficando inquietos e mandavam perguntar ao juíz de vez em tempo quando o julgamento terminaria. Colocamos nosso engenheiro no banco das testemunhas na quinta de manhã, prometendo ao juíz que na quinta à tarde nós terminaríamos nossa parte; o tempo estava passando e tínhamos pouco tempo. Nosso engenheiro queria porque queria porque queria refazer os cálculos do outro engenheiro, “completamente errados” na opinião dele. Nisso ele vai ao quadro e com aquela confiança matemática típica dos geeks começa a refazer os cálculos do outro engenheiro. Um minuto, dois minutos, três  minutos … nós, advogados pouco geeks, começamos a nos preocupar com o tempo mas totalmente esperançosos que o engenheiro fosse ganhar nosso caso ao mostrar o absurdo dos cálculos do engenheiro da outra parte. Depois de tudo calculado, nosso advogado pergunta:

Advogado: “E aí, qual a diferença do seu cálculo para o do engenheiro da cidade?”

Ele: “A diferença é de meio inch!” (approximadamente 1 centímetro)

Meio inch naquele contexto não era nada. Enquanto nós abaixávamos a cabeça esperando levar bronca do juíz por ter gastado tanto tempo para provar nada, ele estava lá totalmente orgulhoso por ter provado a quem quisesse ter prestado atenção que o engenheiro da cidade estava totalmente errado. E foi naquele exato momento que eu me apaixonei pelo engenheiro de tráfego – um homem nos 40′s, levemente mais alto que eu, meio careca e, claro, óculos. E é por isso que eu gosto tanto de geeks, eles são inteligentes e ainda por cima muito sexy. Ai, ai …

Preciso de Férias!

Mas você não acabou de tirar férias? Bem lembrado, eu já tinha me esquecido. Mas acho que já estou precisando de outras férias.

A história das minhas maravilhosas férias para Irlanda e Polônia começou num belo dia em julho, quando eu olhava meu calendário para escolher a semana mais apropriada para tirar férias, e não tinha nenhuma! As coisas andavam ocupadíssimas no trabalho e o calendário indicava três julgamentos por vir: 31 de julho, 14 de setembro e 24 de setembro.  Conversa para lá e conversa para cá, meu chefe me indicou a semana perfeita para férias: 17 de agosto, quando já teria terminado o julgamento de 31 de julho e antes de começar o de 14 de setembro. Corri e comprei logo as passagens, afinal de contas, estou trabalhando tempo o bastante na área jurídica para saber que as coisas mudam.  E como mudaram.  A outra parte pediu para adiar o julgamento de 31 de julho para 31 agosto, nós batemos o pé que aquela data não podia e que mudasse para novembro, a outra parte concordou, mas daí o juíz não deu a mínima bola e decidiu por 31 de agosto. E agora, José? Agora já era, arrumei minha mala e fui de viagem, com uma leve dor na consciência que desapareceu com a primeira dose de Guinness.

Mas minha viagem fora de hora não seria sem consequências. Cheguei numa quarta, 26 de agosto, e o julgamento estava para começar na segunda. A nossa secretária teve que viajar correndo para outro estado para ver a mãe, que tinha tido um ataque cardíaco, e a firma contratou uma “temp” que conseguiu ser uma das pessoas mais incompetentes que conheci na vida. O resultado é que estava o maior pandemônio no escritório. Trabalhei aquele final de semana inteiro, boa parte do final de semana seguinte, e também o final de semana passado. Hoje, finalmente, foi o último dia desse julgamento. Não que tenha acabado, porque ainda estamos esperando o veredito dos jurados. Ah, e  quinta-feira que vem começa outro julgamento. O do meio, de 14 de setembro, foi adiado, e estamos lá fazendo a dança do adiamento para ver se o julgamento de quinta é adiado para um futuro distante, afinal de contas, não faça hoje o que você pode deixar para daqui a seis meses. Dedinhos cruzados, só espero não fazer a dança errada e trazer chuva ao invés de adiamento ;-)

Álbum de Viagem

Finalmente, as fotos da viagem já estão no Flickr. A verdade é que, apesar de termos voltado há pouco mais de uma semana, parece que já tem uns três meses que viajamos, de tão distante que as coisas parecem agora que voltamos à rotina de casa – trabalho – casa. A viagem foi muito bem, obrigado, mas agora estamos de volta à vidinha de sempre que, diga-se de passagem, até que é uma vidinha legal. Vamos às fotos.

Belfast é uma cidade pequena, tanto que passamos um dia e meio por lá e acho que foi de bom tamanho. O mais interessante de Belfast são os famosos murais, e conhecer um pouco da história do lugar. Belfast faz parte da Inglaterra enquanto Dublin faz parte da República da Irlanda.  Até hoje muito “Belfastiano” sonha em se tornar independente da Inglaterra, e apesar dos atentados a bomba e tudo mais ter se acalmado pelas bandas de lá, eu suspeito que ainda vou ouvir falar de Belfast.

Os Murais de Belfast

Os Murais de Belfast

Irlandês, assim como inglês,  adora beber … daí que você tem que deixar explícito que “É PROIBIDO BEBER NESSA RUA!”

Proibido Beber

Proibido Beber

Nossa, fomos a tanto castelo que já perdi as contas (como não poderia deixar de ir, Eduardo insistia tanto para visitar os castelos ;-) Esse é o castelo no. 1, de Belfast.
Belfast Castle

Belfast CastleForam dias intensos de Guinness ...Pausa para a Guinness

Eu adorava os pubs irlandeses, tão bonitinhos!

Típico Pub Irlandês

Típico Pub Irlandês

Cracóvia … tempo bom, cidade bonita, comida boa e barata, preciso dizer mais???

Cracóvia

Cracóvia

Wieliczka, a mina de sal, é uma das maiores atrações da região de Cracóvia. Eu adorei, nunca achei que mina de sal fosse tão interessante. São duas horas de caminhada dentro dos túneis da mina. Ao longo do caminho tem várias escultura feitas de pedra de sal, demonstrações de como eles extraíam sal, história da mina, valeu a pena. E quem diria, as paredes da mina têm gosto de sal ;-)
Wieliczka Salt Mine

Wieliczka Salt Mine

Essa capela aí foi construída ao longo do tempo pelos mineiros. De acordo com o nosso guia, até os lustres são feitos de pedra de sal. Você nem diz que está numa minha de sal – o teto é alto, o espaço é bem amplo e as esculturas são lindíssimas.
Capela - Mina de Sal

Capela - Mina de Sal

Auschwitz fica a mais ou menos uma hora de Cracóvia. Há dois campos – Auschwitz 1, o campo principal que já existia e que de início servia para prisioneiros poloneses e acabou virando mais centro administrativo, e Auschwitz 2 (Birkenau), que fica a uma milha de Auschwitz e foi construído no ano seguinte devido à demanda por espaço. Antes de ir a Auschwitz, eu achei que fosse ter essa impressão de um lugar deprimente. Ao contrário, e surpreendentemente, é um lugar muito bonito, com árvores e prédios de tijolinho vermelho. Não fosse pelos arames farpados, você não daria muita coisa pelo lugar. Porém, e a medida que o tour procede, você se depara com a história do local: seja pelas exposições que eles fazem com as pilhas de sapatos (de homem, mulher e criança, tendo em comum o fato de todos terem o mesmo estilo década de 30), malas, óculos e roupas que foram confiscados dos judeus que chegavam; seja pelas fotos que eles tiravam dos prisioneiros inicialmente (depois eles mudaram para o método da tatuagem que dava menos trabalho e facilitava a identificação), onde você vê a data de chegada e a data que eles morriam, geralmente 2 a 3 semanas depois; seja pelo fato de você entrar no crematório (o único que ainda existe, os outros foram destruídos pelos alemães um pouco antes dos campos serem tomados pelos aliados), uma sala subterrânea que mais parece uma caverna, enorme, e dotada de fornos crematórios ao fundo.
Arbeit Macht Frei - Auschwitz

Arbeit Macht Frei - Auschwitz

Auschwitz

Auschwitz

Auschwitz 2 - Birkenau

Auschwitz 2 - Birkenau

Auschwitz 2 - Birkenau

Auschwitz 2 - Birkenau

 Varsóvia foi a última cidade que visitamos. Como eu já disse, Varsóvia foi completamente destruída durante a Segunda Guerra. Eles reconstruíram o centro histórico, que ficou muito bonitinho, mas o resto da cidade não teve tanta sorte … Logo após a Segunda Guerra, a Polônia foi tomada pelos comunistas, daí que a cidade tem uns prédios bem no estilo comunista – quadrados, cinzas, mais parecendo uma máquina de lavar roupa, totalmente sem graça. Uma pena…

Castelo de Varsóvia - Logo Após a Guerra

Castelo de Varsóvia - Logo Após a Guerra

Castelo de Varsóvia Depois de Reconstruído

Castelo de Varsóvia Depois de Reconstruído

Palácio da Cultura e Ciência, "Presente" de Stálin
Palácio da Cultura e Ciência, “Presente” de Stálin

E só para provar que viajamos mesmo, está aí uma foto nossa … Final Feliz!

Nós ;-)

Nós ;-)

Alta, Eu?

Não vou publicar aqui minha altura, mas é fato sabido que não sou das pessoas mais altas. Não é uma qualidade que se atribua a mim de jeito nenhum, a não ser, claro, na China ou no Nordeste subnutrido.  Esses dias, porém, circulou um boato que eu era uma pessoa alta, e até hoje estou coçando a cabeça para saber de onde isso saiu.

Desde segunda eu estou participando de um julgamento de um dos casos do meu trabalho. Tinha uma caixa com materiais que eu tinha deixado no escritório e que os advogados bateram o pé que precisávamos daquela caixa naquele dia (só para responder ao pensamento de vocês, acabamos não precisando da caixa naquele dia). Liguei para a secretária e pedi para ela mandar a caixa por um mensageiro. Pedi para ela instruir o mensageiro para abrir a porta da corte a uma certa hora determinada, que eu sairia para pegar a caixa. Na hora marcada, ele chega e eu saio da corte para pegar a caixa.

Ele: “Nossa, me disseram que você era alta, mas você não é tão alta assim.”

Eu: “Eu, alta? Quem foi que inventou que eu era alta?”

Ele: “Não sei, essa é a história que corre por aí.”

Eu (pensando): “Eu hein.”

Há muitos anos atrás, no meu trabalho antigo, me lembro de ter ido ao nosso departamento de cópias para um projeto. Quando cheguei lá, alguém brincou que eu era Miss Brasil. O outro carinha que estava lá ficou impressionado:

Ele: “Nossa Nara, você foi Miss Brasil?”

Eu: “Ahn, você me acha com cara de Miss Brasil?”

Ele: “Você é bonita, por quê não poderia ser Miss Brasil?”

Eu: “Você já viu Miss da minha altura?”

Ele: “É mesmo, nunca vi Miss baixa não…”

O resultado é que, apesar da boa vontade do povo, continuo não sendo alta e por conta disso nem para Miss Brasil eu sirvo …



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