Archive for August, 2009

Polônia

Voltamos, após 12 dias de viagem. Foi tudo muito bem, ninguém ficou doente e quase não pegamos chuva (o que é bem surpreendente em se tratando de Irlanda). Dublin estava maravilhosa, até chegarmos em Cracóvia … daí as coisas ficaram muito melhores … o clima estava perfeito (nos 70′s), a comida era maravilhosa (com uns poréns) e com a conversão da moeda a nosso favor (1 Polish zloty = 3 US dollars), tudo era bem barato, até na área de turista que costuma ser extorsiva.

Cracóvia me lembra muito de Praga (apesar do que Praga é muito mais bonita). Passamos 3 dias e meio em Cracóvia e acho que foi um tempo bom. Eles tem um castelo (como não poderia deixar de ser), várias catedrais, uma praça enorme cheia de restaurantes e cafés e igrejas e casas lindas, e ruas que viram labirintos. De Cracóvia dá para fazer vários passeios: fomos para Wieliczka, uma mina de sal que fica perto de Cracóvia e aparentemente é uma das grandes atrações do lugar de lotado que estava, e para Auschwitz. A comida é bem parecida com comida alemã/checa/húngara/austríaca: salsicha, porco, batata e repolho. O que está muito bem para mim, semprei gostei muito mais de batata do que de arroz ;-) E cerveja. Já falei que cerveja é mais barato que água e coca-cola?  Uma cerveja de 500 ml custava em média 8 zloty, enquanto uma coca-cola de 200 ml (de garrafinha) custava 5 zloty e um litro de água chegava a custar 12 zloty num restaurante. Eduardo quase nos leva à falência bebendo água e refrigerante na Polônia! Está com sede, pede cerveja sem álcool, oras! Muito mais barato!

De Cracóvia fomos para Varsóvia, onde passamos um dia e meio. Acho até que poderia ter passado um pouco mais de tempo lá. Se Varsóvia fosse uma pessoa, seria uma dessas pessoas que você chamaria de azarada de tanta coisa ruim que acontece. A Polônia tem uma história bem trágica e Varsóvia ainda mais (me animei toda por lá e comprei um livro sobre história da Polônia, em inglês, que está ali na fila para ser lido). No período das grandes potências (Inglaterra, França, Rússia, Áustria), a Polônia tinha eleição para rei e, para variar, a tendência política do rei dependia de quem estava por cima. Eles já se juntaram à Lituânia para formar um Commonwealth; já tiveram seu território dividido entre Rússia, Áustria e Prússia, não uma, mas várias vezes; e para tentarem conseguir liberdade já tiveram vários “uprisings”, dos quais se deram muito mal. A Polônia, seguindo a regra dos países do leste europeu, só se tornou país independente em 1918. Quando as coisas começaram a ficar bem para eles, foram invadidos pelos alemães em 1939, que daí ficaram até o final da Segunda Guerra. Lá para o final da Segunda Guerra, quando os alemães já estavam enfraquecidos, o povo de Varsóvia decidiu conquistar a independência deles na marra com mais um ”uprising”. Foram derrotados e Hitler, chateado e aquela altura já perdendo a guerra, mandou destruir a cidade. No final das contas, 85% da cidade foi destruída (incluindo a parte antiga da cidade) e várias pessoas morreram (a essa altura, os judeus, como era de se esperar, já tinham morrido há muito tempo). Mas pelo menos eles se libertaram no final da guerra, vocês estão pensando. Não foi bem assim. Quando acabou a guerra, os comunistas tomaram conta da Polônia e daí ficaram até a década de 80.

Daí que, apesar de não ter achado Varsóvia uma cidade tão encantadora quanto Cracóvia, tiro meu chapéu para a cidade. Depois da guerra eles decidiram reconstruir a parte antiga da cidade se baseando em arquivos, plantas de construções, fotos … daí que a parte antiga de Varsóvia está tinindo de nova, se é que isso é possível. Uma pena que eles tiveram que passar por tanto sofrimento, mas quem sabe agora a coisa não vai? Eu fico torcendo por eles.

Irlanda

Estamos aqui na Irlanda correndo para aproveitar tudo o de  melhor que esse pais tem para oferecer: Guinness, irish coffee, pubs ;-) Ja passamos por Belfast e agora estamos em Dublin – amanha partimos para Cracovia (ou sera Krakovia???). Belfast e uma cidade bem pequena, passamos um dia e meio la e acho que foi o bastante. O mais interessante da cidade e ver os murais tao famosos e saber mais dos conflitos da decada de 80. Pegamos um daqueles “black cab tours” – praticamente um guia dirigindo um taxi e passeando com voce. Nao entendi tudo porque e um pouco dificil de entender sotaque de irlandes, mas achei bem interessante ele contando que na decada de 80, quando ele era jovem, nao se podia sair na rua depois das 5 da tarde por causa do toque de recolher. Ele estava impressionado com como as coisas tinham mudado e mostrou um hotel, pertinho do nosso por sinal, que tinha sido bombeado umas 40 vezes naquela epoca. Achei ate impressionante que o hotel ainda estivesse de pe e tivesse clientela. Belfast ainda pertence a Inglaterra, e ainda tem gente por la que nutre esse sonho de ser pais independente ou pertencer a Republica da Irlanda … quem sabe uma dia isso nao acontece, comentou o nosso taxi guide.

Dublin parece uma mini Londres – tem o castelo, muito menor que o de Londres, tem zilhoes de pubs, tem o rio, o povo fala ingles, a arquitetura e parecida … so que bem mais barato. E o clima aqui e de doer. Ate que demos sorte por nao estar chovendo, mas em pleno verao a temperatura nao passa dos mid 60′s e esta nublado o tempo inteiro. Acho que eles devem morrer de inveja de quem mora em Seattle ;-) Ontem fomos na Guiness Storehouse, onde eles produzem a Guiness aqui na Irlanda. Em 1759 o Sr. Guinness fez um contrato de alguel de 9000 anos (isso mesmo, nove  mil anos) pelo local onde eles estao agora. Isso e que e confiar no seu negocio, nao? Eduardo nao e muito chegado na Guinness, e tenho que admitir que nunca foi das minhas cervejas favoritas, mas depois de tres dias bebendo Guinness sem parar ando mudando de ideia. Afinal de contas, quem vem para a Irlanda para beber Budweiser, hein?

Ahhh … Férias!

Eu adoro férias – e quem não gosta??? Viajar para um lugar diferente, comer e beber como se não houvesse amanhã, sem (muita) preocupação com a gastança de dinheiro … Tudo bem que na volta você tem que se preocupar em perder os quilinhos a mais que ganhou nas férias maravilhosas, no rombo do cartão de crédito, nas noites mal dormidas por conta do fuso horário, a depender de onde você foi, mas ainda assim acho que vale, e muito, a pena.

E falando em viajar para um lugar longíquo e diferente, o mais interessante que eu acho disso tudo é que o tempo parece que para quando se está viajando. Enquanto aqui na minha vidinha de todo dia semana entra e sai e não dou conta dos dias, meses e anos que passam, uma semana viajando parece meses, de tanta informação diferente, lugares diferentes  e pessoas diferentes a que você se expõe. Claro, também tem os germes diferentes, o que às vezes leva a uma pequena gripe fora de hora, bem no meio das suas férias. Malditos germes estrangeiros.

Mas isso tudo só para contar que vamos sair para o que esperamos sejam mais umas férias maravilhosas: 12 dias pela Irlanda e Polônia. “Mas a Irlanda não fica perto da Polônia, não é?” perguntou uma advogada no meu trabalho, intrigadíssima com nossa escolha de roteiro. Não, não é perto, de fato, ficam em pontos extremos da Europa. Mas como iríamos viajar em agosto (eu prefiro setembro, mas já tenho dois julgamentos marcados para o mês de setembro e estamos precisando de férias urgentemente), tínhamos três requerimentos: queríamos conhecer um lugar diferente, que o lugar não fosse dos mais visados por turistas, e que não fosse muito quente no verão. Como nunca tivemos muita curiosidade de ir aos países nórdicos, acabou ficando a Irlanda (da qual ouço falar muito bem) e Polônia. Depois conto como foi.

Sábado

Foi um sábado produtivo. Pela manhã tratei de limpar do quintal enquanto Eduardo tomava coragem de montar a esteira. Que ficou montadíssima, apesar de ninguém ter usado ainda. Cheguei até a colocar meu casaquinho na esteira e tenho que concordar com 90% das pessoas que tem uma esteira em casa – como cabide, é uma maravilha. Eduardo ficou chateado e disse que era falta de respeito com a esteira pendurar roupa nela.  ;-) 

Aproveitamos para fazer uma limpeza em nossos livros. Assim como guarda-roupa, de vez em quando a “biblioteca” merece uma limpeza.  Tenho muito livro que adoro e que merece lugar na minha estante, mas tem uns que nem terminei de tão chato … ou livros de quase dez anos atrás, quando eu estava estudando para ser paralegal … ou livros que Eduardo tinha para aprender espanhol, que ele já tinha muito antes de me conhecer no Brasil. Esses foram embora. Pensamos em doar os livros, e um amigo nos recomendou o Half Price Books, uma livraria que já conhecíamos do nosso tempo no Eastside.  Melhor que doar, eles compram seus livros! Fomos lá hoje levando três caixas de livros, mas acho que o tiro saiu pela culatra. Eles te pedem uns vinte minutinhos de nada para eles avaliarem seus livros para fazer uma oferta de quanto eles oferecem. Nesse meio tempo ficamos andando na livraria e, claro, como não poderia deixar de ser, e como é que eu achei que isso não fosse acontecer, comprei mais uns oito livros. Daí que se minha intenção era livrar minha “biblioteca” de livro, não funcionou. No final eles ofereceram uns $50 pelos livros que tínhamos, mas gastei mais da metade disso em novos livros. A outra metade serviu para subsidiar o almoço à base de sanduíche de porco, batata-frita e cerveja no Feierabend ( um bar alemão que recomendo demais, exceto para quem tem filho, já que o lugar inteiro é um bar e criança não pode entrar).

E para completar o sábado, fizemos outra mudança! Quando mudamos para a casa, ficamos no quarto oficial do segundo andar. Com a onda de calor, mudamos para o basement, e apesar de ter esfriado um pouco essa semana, ficamos com preguiça de mudar para o segundo andar de novo. Hoje, finalmente, levamos as coisas para cima e já estamo de volta no segundo andar. O bom dessa casa é que temos um andar para cada membro da família – um para mim, para Eduardo, e outro para Oscar. Mas por algum motivo, nós três só andamos concentrados no mesmo cômodo. Vai entender ;-)

Link Light Rail

Está aí um passeio que eu recomendo para todos os meus amigos da região de Seattle: andar no Sound Transit Link Light Rail (criança, principalmente, vai adorar). O Light Rail é o nosso protótipo de trem/metro, o começo de uma era da cidade de Seattle, rumo ao desenvolvimento dos meios de trasnporte digno das cidades européias.  Ok, nem tanto, até porque eu não quero levantar as expectativas de ninguém de achar que vai estar andando de trem em Paris, mas o Light Rail é um (bom) começo.

Se já não expliquei, na minha firma eu trabalho com o grupo que lida com desapropriação – o governo precisa de sua casa para alargar a pista ou construir o trilho do trem, pede para comprar, você diz que por aquele preço não vende, daí nós entramos na história para te processar e te obrigar a vender a casa porque pedindo por favor não adiantou. Parece “mean”, mas se você pensar bem, se já é difícil dos projetos sair com esse poder todo de desapropriação, imagina o que faríamos sem? Pois bem, voltando ao trenzinho. Na segunda-feira o meu time inteiro foi andar no trenzinho, afinal de contas, Sound Transit é o nosso maior cliente. Não deixei de me sentir numa excursão de escola pois eramos oito pessoas. O plano: almoçar no Westlake, onde o trem começa, ir até o fim de linha em Tukwila (o trecho que vai de Tukwila até o aeroporto, incluindo a estação do aeroporto, fica pronto até final do ano), e voltar. De Westlake para Tukwila leva em torno de meia hora.

Bem, o passeio não é dos mais bonitos que já fiz na minha vida, ainda mais se você considerar que no centro de Seattle o trem é subterrâneo e quando ele desencava vai para o sul de Seattle, em direção ao aeroporto. O sul de Seattle não é exatamente a parte mais turística da cidade, e como o trenzinho estreou há menos de um mês, ainda não há o desenvolvimento típico ao redor das estações – lojinhas, restaurantes, bêbados, mendigos … Mas vai melhorar, e de preferência com mais lojinhas e menos bêbados.

Mas de Westlake para Tukwila, vocês devem estar pensando, não adianta muita coisa. Mas isso é só o começo de um projeto revolucionário. O próximo passo vai ser extender a linha de Westlake para Capitol Hill (a estação de Capitol Hill vai ficar a umas seis quadras da nossa casa) e para o University District. Uma maravilha, e vai ficar pronto em 2016!  Imagina só se não houvesse desapropriação, quanto tempo ia levar isso? E os planos futuros, tão longíquos de longe que estão, incluem extender para o norte até Lynwood e para o Eastside. Bem, até esse trenzinho chegar no Eastside é capaz que Eduardo já tenha aposentado, mas vai ser uma opção boa  … para os filhos dos nossos filhos ;-)