Archive for July, 2009

A Mais Nova Compra

Depois da esteira de correr, essencial para qualquer casa nova, nossa mais última compra importantíssima para a casa foi feita ontem: um colchão! Sim, nós já temos um colchão maravilhoso que usamos e gostamos muito. E porque tanta felicidade e urgência por uma colchão novo? Por causa do aquecimento global que anda aterrorizando o mundo.

Ultimamente nós temos tido um problema aqui em Seattle que não temos há muitos e muitos anos: excesso de calor e falta de chuva. As temperaturas estão prometendo chegar nos 30 Celsius essa semana. As pessoas no Brasil tem que entender que aqui em Seattle nós não estamos preparados para o calor, seja fisicamente, psicologicamente ou materialmente. Me lembro que lá no Brasil tínhamos temperaturas tão altas quanto, que duravam muito tempo, e nunca tivemos problema: eu dormia no calor, comia no calor, estudava no calor (imagina faculdade federal ter ar condicionado), dirigia no calor (imagina carro de estudante ter ar condicionado, e ainda tinha que andar de janela fechada para evitar se assaltada nos sinais de trânsito). Mas por algum motivo (frescura? falta de problema maior para se preocupar?) as pessoas aqui tem uma sensibilidade maior às altas temperaturas, e depois de tantos anos morando nesse país, nós também acabamos sofrendo da mesma sensibilidade aguda ao calor. Nós ainda temos um pequeno problema que muitas das janelas da nossa casa não abrem (100 anos de pintura “colaram” as janelas, e se você forçar a barra o vidro pode quebrar, como já aconteceu). Nós também não temos ar condicionado central. Ok, quase ninguém tem ar condicionado central no Brasil, mas se você mora numa cidade quente  aqui nos Estados Unidos (como era em DC), ar condicionado é necessidade básica, assim como luz e água encanada. Daí que a solução mais barata que achamos foi colocar um colchão no basemente e passar a dormir lá, que é mais fresquinho (é impressionante, parece que tem um ar condicionado no basement de tão mais fresco que é em relação ao resto da casa).

Aliás, os jornais da região estão recomendando tomar cuidado com o excesso de calor, e eles até dão umas dicas para “pet owners.” De fato, o pobre Oscar anda totalmente desanimado e sem ânimo (mais do que o normal, quero dizer) por conta do calor. Olhe só as recomendações que eu vi no Seattle Times hoje:

1. Não deixe seu bichinho de estimação dentro do carro, nem que seja por uns poucos minutos. Mesmo que você abra as janelas, ainda assim não é o bastante para proteger o seu “pet”.

2.  Pugs (um tipo de cachorro), bulldogs, gatos persas e bichos com nariz curto estão mais suscetíveis a passar mal no calor porque a cara achatada faz com que eles respirem com mais dificuldade. Fiquei pensando se tem correlação com os humanos: será que gente de cara achatada também tem mais chance de passar mal no calor? Taí matéria para uma tese.

3. Conheça os sinais de que seu bicho está passando mal de tanto calor: respiração profunda, agitação, olhos turvos, vômitos e língua roxa. Se o seu bicho estiver nesse estado, coloque bolsas de gelo ou toalhas geladas na testa, pescoço e peito (do bicho, não em você) e corra para o veterinário.

Bem, ainda não cheguei ao ponto de aplicar “compressas de gelo” na testa do Oscar, até porque as pessoas no Brasil iriam me olhar com estranheza se eu fizesse tanto alvoroço por causa do gato passando calor. Mas eu admito que eu coloco um gelinho na água dele para refrescar o fresco do Oscar. ;-)

Haja Dinheiro

Agora que já gastamos uma montanha de dinheiro reformando a casa, estamos gastando outra montanha de dinheiro para decorar a casa. Considerando que a casa tem quatro quartos, três banheiros, um lavabo, sala de estar, sala de jantar, sala de estar informal (o nosso “family room”), copa, cozinha, media room e escritório (eu acho que um dos problemas que jamais teremos será de falta de espaço), haja dinheiro. Mas nós temos nossas prioridades, claro. Começamos pelos ambientes que usamos e essa semana fizemos uma compra essencialmente importante para uma casa com tanto espaço vazio: uma esteira. Isso mesmo, uma esteira que segundo as estatísticas vai virar cabide.

Tenho que dizer que Eduardo estava mais motivado para comprar a esteira do que eu, até porque eu vou para a academia. Dia desses Eduardo chegou animadíssimo do trabalho, colocou a roupa de ginástica e foi correr pelas ruas de Capitol Hill. O resultado? Ficou cansado e com as pernas doendo. Desde então não correu mais. Até porque é perigosíssimo para um homem sozinho correr sozinho pelas ruas de Capitol Hill, dado o alto índice de homens interessados em homens nessa região. Já falei para Eduardo tomar cuidado e não sair sem mim!

Apesar de tudo, não posso deixar de louvar as intenções de Eduardo de ficar “fit”. Quando morávamos em DC, ele resolveu fazer yoga (gostou muito, por sinal). Mas a coisa é mais ou menos assim: ele resolveu fazer yoga e, antes de começar as aulas, foi às compras.

Eu: “Eduardo, você não quer ver se esse negócio de yoga vai dar certo antes de comprar esse tanto de roupa para ginástica?”

Eduardo: “Mas como é que eu vou começar a fazer exercício se não tenho roupa de exercício?”

Eu: “Sim, mas para isso você compra uma roupa e se o negócio vingar, você compra mais.”

O resultado é que Eduardo tem um guarda roupa (“unused”) invejável para fazer exercício que anda ocupando o nosso closet. E o que eu vou fazer com as roupas de ginástica de Eduardo? O que todo mundo faz: vou pendurar na esteira ;-)

Tinindo de Nova

Casa nova é muito bom. Você entra na casa e sente aquele cheirinho de novo, tudo bem limpinho, o chão de madeira sem uma marquinha, os armários que nunca foram usados … mas como dona de uma casa nova reformada de 100 anos e alguém que na vida “before DC” tinha comprado uma casa de terceiros, sem reforma, eu tenho umas críticas a cultura da “casa nova”. Primeiro, e como todo bom engenheiro de software deve saber, produto tinindo de novo não é tão bom assim. Por mais que você teste o produto, nada se compara com o uso do dia a dia. O mesmo é com casa. O eletricista vem, instala o lustre, liga e vê que está tudo bem. Mas será que esse eletricista vai usar esse lustre como os pobres mortais da casa – liga lustre da sala de jantar e lâmpada na cozinha, junto com o forno e a máquina de lavar louça em cima disso. Nãaaao, quem faz isso é você. E daí que aparece pepino.

Nosso microondas mesmo, novinho em folha, está com os números do display desaparecendo. Sim, ele está na minha lista de providências a serem tomadas. O nosso hardwood, principalmente no nook e family room, está ficando todo marcado e manchado do sol (a madeira do nosso hardwood chama-se fir, muito famosa por ser um “soft wood”). O que não seria problema nenhum se ele já estivesse marcado e manchado, mas como ele estava lindo de morrer antes de eu inventar de usar minha casa, fico morrendo de pena. E por aí vai.

Por sinal, trocamos o espelho do nosso banheiro. Nosso contractor tinha comprado um espelho pequeno que não gostamos muito e decidimos trocar por um maior. Instalamos hoje (segunda visita, da primeira vez o espelho ficou 1/8 de inch maior do que deveria ser e não coube) e depois tivemos que colocar os lustrezinhos (“sconces”) em cima do espelho. Para variar, aconteceu outro curto circuito nos sconces do banheiro (eu não disse que a casa era assombrada?). Dessa vez conseguimos resolver o problema, até porque o lustre da sala (aquele mesmo que deu curto semana passada) continua lá no cantinho das providências a serem tomadas e eu não queria adicionar à pilha do “to do”, mas esse negócio de curto circuito já está perdendo a graça. E para o final de semana: tapete para o nook para proteger meu chão lindo de madeira das marcas das cadeiras e cortina no family room para proteger o chão do sol!

Mais Um Final De Semana Que Se Vai

Esse final de semana ficamos bem ocupados com a casa, principalmente consertando as coisas que tínhamos acabado de quebrar. Semana passada, por exemplo, cheguei em casa do trabalho cheia de sacola. Coloquei parte das sacolas no “countertop” da cozinha, só que não tinha visto que uma delas tinha se enroscado no trequinho de ligar o fogão, daí que quando fui puxar o trequinho do fogão veio junto …  foi peça para todo lado. Sem problema, pensei eu, nada que Eduardo não consiga consertar. De fato, ele consertou, e está funcionando até hoje. No sábado resolvemos trocar as lâmpadas da sala de estar, que estavam muito fortes para o ambiente. Beleza, o quão perigoso pode ser trocar uma lâmpada? Bem, numa casa de 100 anos, bastante perigoso. Tanto que Eduardo trocou a primeira lâmpada e pediu para eu ligar o interruptor para ver se tinha funcionado. Acontece que o lustre deu o maior curto circuito, Eduardo (que estava em cima da escada) saiu todo chamuscado, e uma tarefa aparantemente simples (trocar uma lâmpada) se tornou um problemão. No final a lâmpada ficou grudada no lustre, tivemos que quebrar a lâmpada e tirar ela na marra. Nesse processo, claro, estragamos um pouco o lustre. Acabamos desinstalando o lustre, que está  ali no cantinho da casa, na pilha das providências a serem tomadas. Hoje já descobri que o monitor automático do microondas está com defeito – tem uns número que estão meio apagados. Essa, pelo menos, não foi culpa nossa. Já peguei a garantia para ligar para eles amanhã.

A nossa maior conquista do final de semana foi limpar o quintal. Continua feio, mas pelo menos está limpo. Também tínhamos planos ambiciosos de passar o selante no concreto, mas Eduardo amarelou:

Eduardo: “Nossa, diz aqui na embalagem que está comprovado que esse produto causa malformação do feto, e que não e para aplicar sem luva e máscara.”

Eu: “Mas não tem ninguém grávido por aqui. E você sabe como esse povo exagera nas embalagens.”

Eduardo: “Também diz para procurar assistência médica imediatamente se inalado.”

Eu: “Bobagem. Abre aí para ver se tem cheiro forte.”

Eduardo: “Está louca, eu não, eu vou contratar alguém para fazer isso.”

Daí que nem isso resolvemos.

E o que seria da sexta sem um aborrecimento para amarelar o seu final de semana? Pois é, foi assim que na sexta passada estreamos o trabalho com mais anúncios de demissões. No final das contas, mais quatro funcionários foram demitidos na minha firma e alguns foram reduzidos a trabalhar meio período (o que não me soa tão mal assim). O que mais me chateou foi que uma das demitidas foi alguém que eu tinha recomendado da Heller Ehrman, minha firma antiga, quando a Heller estava na bancarrota. Pois é, ela estava lá há menos de um ano e já foi demitida. Nunca fui muito amiga dela na Heller, mas aqui tínhamos uma certa amizade, aquela coisa de saímos vivas do navio que afundou. Mas é assim mesmo, no final ela arruma outro emprego e a vida continua. Por isso que ultimamente segunda-feira tem sido meu dia favorito da semana: vá la, que é que tem coragem de te dar notícia ruim na segunda???

A Pedidos …

… postei umas fotos da casa (mais ou menos) reformada no Flickr. Bem, nem foram tantos os pedidos assim, mas achei que depois dessa trabalheira toda eu tinha mais é que mostrar as fotos casa ao mundo, para quem quisesse ver. Meu plano inicial era colocar tudo nos eixos, inlcuindo decoração, para mandar umas fotos, mas vi que o negócio vai demorar.

Esse negócio de casa antiga não funciona como casa nova. Por exemplo, às vezes mais limpo não é melhor. Esses dias inventei de limpar as maçanetas da casa, que já estão quase pretas de tão velhas, ehr, antigas. Desinstalei uma das maçanetas, coloquei de molho na amônia, esfreguei até não poder mais e no final Eduardo e eu chegamos a conclusão que gostávamos mais quando a maçaneta era suja. O problema é que a maçaneta não fica com cara de nova, e não fica uniformemente limpa. Antes ela era uniformemente suja, e muito mais bonita. Como tínhamos umas maçanetas que sobraram na garagem, trocamos a “nova limpa” por uma “velha suja” e pronto. Lesson learned!

A propósito, a casa não é mais azul, é verde. Já estou avisando aos amigos que chegam aqui atrás de uma casa azul e depois reclamam que não achou a casa porque só viram uma casa verde. Estejam avisados!

casaazul

 

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