Mas Os Livros Nao!

Aqui na firma ja ha algum tempo, para ser mais exata, desde outubro do ano passado quando essa historia de crise comecou, que comecaram a tomar providencias para cortar custos. Antes eles tinham uma variedade de frutas (os pessegos eram meus favoritos) e nozes (eu amava as “mixed nuts”) a vontade para os funcionarios porque, diziam eles, “queriam incentivar uma dieta mais saudavel.” Chegou a crise, e da variedade de frutas so ficaram umas macas sem graca e umas nozes meio cruas, que eu detesto. E o “estilo de vida saudavel”? Bem, eles instalaram umas “vending machines” que vendem toda variedade de porcaria nao saudavel que voce pode imaginar. O que prova que se precisa de dinheiro para ser saudavel.

 

Isso tudo foi acontecendo aos poucos – primeiro as frutas e nozes, mais adiante avisaram que reunioes durante o almoco nao teriam almoco, que as confraternizacoes da firma seriam menos frequentes, e por ai vai. Todo mundo engolindo numa boa, afinal de contas, ainda estamos empregados, nao??? O problema comecou quando ameacaram acabar com os livros.

 

A meus amigos “high tech” ligados no que ha de mais novo em tecnologia, tenho que ressaltar que trabalho numa firma de advocacia onde papel e tao valorizado quanto ouro. Ainda trabalho com advogados que preferem que eu imprima um rascunho de um documento que eu fiz, para dai eles fazerem as anotacoes deles em caneta e pedirem a secretaria para fazer as mudancas no documento final. Esse negocio de fazer edicao de texto direto no computador nao e muito popular por aqui nao. Dai vem a historia dos livros.

 

Um advogado coitado da firma ficou encarregado de fazer uma pesquisa e saber se poderiamos nos livrar da maior parte dos livros da biblioteca, ou pelo menos nao comprar as copias atualizadas, ja que poderiamos acessar a maior parte deles pela internete e a firma estava gastando muito mais que previsto com esses livros.

E ainda disse que a justificativa de que “eu gosto de livros” nao seria o bastante! Os comentarios foram muitos e ferozes.

 

“Podemos nos livrar da maior parte dos livros, exceto por esses trocentos aqui.” (Esse aqui esqueceu de dizer que ele nao usa os livros que ele “ofereceu” para se livrar)

“Mas nao da para ver o index do livro na internete. E muito mais dificil fazer o tipo de pesquisa que eu faco pela internete!”

“Ah, e mesmo, o index do livro ajuda um bocado.”

“Sim, mas a gente paga pelo servico da internete para ter acesso a muitas dessas informacoes [de fato, pagamos por um servico especial para acessar muita informacao juridica]. Se deixassemos de usar os livros, nos teriamos que acessar o servico com muito mais frequencia -sera que nao ficaria muitissimo mais caro?”

 

Nunca mais ouvi falar da historia dos livros. A biblioteca continua intocavel e eu continuo imprimindo meus textos para os advogados poderem escrever os comentarios NO PAPEL. Ok, eu admito minhas fraquezas – tambem tenho um fraco por papel e acho que esse negocio de Kindle nao esta com nada

 

 

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