Sabado, onde estavamos? Estavamos na casa trabalhando, como nao??? Mais exatamente, instalando drywall. Mas acho que voces ja ouviram sobre isso. A historia que eu quero contar e outra.
Estavamos no sedundo andar trabalhando no banheiro quando ouvimos um barulho no andar de baixo. Quando fui ver, alguem tinha jogado um pacote dentro de casa, pelo buraquinho da porta que serve para o carteiro jogar carta. Olhei pela janela e vi um homem se afastando e olhando com bastante curiosidade para a casa. Desconfiei imediatamente quem era o homem, abri a porta e perguntei: “Are you Steve?”.
Steve era o dono anterior da casa e, como prometido ha tempos atras, ele tinha passado para entregar umas chaves extras e outras coisas mais pertencentes a casa. Nos acabamos mostrando para ele a reforma que estavamos fazendo – ele se mostrou impressionado com o tamanho da reforma, mas no fundo nao pude sentir um que de “o que voces estao fazendo com a minha casa?” da parte dele. Totalmente compreensivel, ja que ele tinha morado la por 10 anos.
O encontro foi muito interessante, por varios motivos. Steve trabalha na Microsoft, mas disse que ja saiu e voltou para a Microsoft umas duas vezes. Nos perguntamos se ele tinha ido trabalhar em alguma outra empresa nesses intervalos Microsoftianos, e ele disse que nao – tinha parado de trabalhar para descansar e viajar. Nada mal.
Steve aparenta ser bem jovem, diria menos de 40 anos, principalmente considerando todos os “accomplishments” da vida dele. Alem da casa em Capitol Hill, que nos compramos, ele tem mais duas propriedades – uma em Fremont, aqui em Seattle, e a outra, pasmem, em Redmond. Eu, que nao sou nem um pouco fuxiquenta, fui checar as outras casas que ele tem (essas informacoes sao “public record”)- a de Redmond ele comprou em Novembro do ano passado por por um pouco abaixo de 1 milhao (antes de vender a nossa casa). A de Fremont, ele comprou por uma quantia razoavel, gastou mais $70,000 de reforma, e agora esta vendendo por uns $50,000 abaixo do preco que ele comprou. O que prova que financeiramente Steve vai muito bem de vida, obrigado.
E onde mora Steve por esses dias? Em Redmond, ora bolas. Eu, nem um tiquinho de nada fuxiquenta, Deus me livre dessas coisas, perguntei logo como foi essa adaptacao de sair de Capitol Hill, o melhor bairro de Seattle (assumo logo que sou bairrista!), para morar em Redmond. Dai ele admitiu que, bem, a noiva dele gostava de suburbio. Mas ele nao. Tanto que ele vinha para Seattle com certa frequencia, mais exatamente para nossa vizinhanca, para correr pelas ruas de Capitol Hill. Que ele adorava correr por aquelas ruas. Que o terreno da casa dele em Redmond tem 5 acres, com laguinho particular e tudo mais … que morar em Redmond era “diferente”. Dai a pouco demos nossos “goodbyes” e Steve foi correr, enquando nos fomos instalar drywall.
Eu achei que Steve estava conformado de ter saido de Seattle para morar em Redmond. Afinal de contas, atire a primeira pedra quem nunca cometeu uma loucura por amor. Eduardo achou que ele estava contrariado. E um pouco dificil de descobrir o que se passa em 15 minutos de conversa, mas eu tenho a impressao que, pelo que conheci de Steve, no final ele vai ficar muito bem, obrigado.