Archive for February 28th, 2009

Money for nothing


Não sei se vocês estão acompanhando a história do novo Kindle da Amazon. Pois o negócio é o seguinte: este novo dispositivo, além de servir pra ler livros, também serve pra ouvir os livros. O Kindle veio com um sintetizador de voz que lê os livros em voz alta se você quiser.
Daí que tanto as editoras quanto o sindicato dos atores anda fazendo ameaças à Amazon, dizendo que o Kindle está violando leis de proteção à cópia e infringindo os direitos deles em relação a trabalhos derivados. No fundo no fundo, o problema é que eles ganhavam dinheiro vendendo versões gravadas dos livros. No início, achei a história ridícula, mas parece que a Amazon vai voltar atrás, o que indica que o negócio não é tão ridículo assim.
Acho que quem é da área de tecnologia já espera que invenções continuem transformando o mundo. A gente já está preparado, e até mesmo fica contente quando algo de novo aparece. O problema é que mudança, pra muita gente, não é bem-vinda.
Pobres, por exemplo, dos jornalistas. Com o Craigslist, a maior fonte de renda dos jornais, que eram os classificados, simplesmente desapareceu. O Craigslist funciona maravilhosamente e de graça. Daí que ninguém mais ganha dinheiro com classificados, e os jornais vão ter que descobrir outra forma de se sustentar ou vão desaparecer.
Na história do Kindle, me apareceu esta estes dias: o sindicato dos atores quer exigir um pagamento da Amazon caso o Kindle leia o livro em voz alta. Ou seja, se o livro não for uma gravação feita por um ator, que os atores sejam pagos assim mesmo quando o sintetizador de voz do Kindle lê o livro. Legal, né? Dinheiro sem trabalho.
Em termos econômicos, o fato é que a fonte de renda que os atores tinham tende a desaparecer pelo simples motivo de que o trabalho que eles desempenhavam está deixando de produzir algo de valor para a sociedade. O sintetizador do Kindle provê um serviço inferior, mas suficiente pra muita gente. E o mais intrigante é ver que em face ao fato de que o trabalho deles realmente perdeu o valor, a solução que eles buscam é de taxar a tecnologia ao invés de procurarem outra atividade de valor.
Mas até onde isto pode ir? Se todo mundo que desempenhava uma atividade que perdeu o valor decidir taxar a tecnologia que a substituiu, será que ninguém mais precisa trabalhar? É só se declarar ator e ganhar dinheiro do Kindle? Ando começando a achar que é uma boa idéia…



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