Archive for October, 2008

Sumida

Ando meio sumida do blog, mas tudo culpa da casa azul! Se voces nao perceberam ainda, estamos querendo comprar uma casa. Pois bem, semana passada apareceu uma casa com potencial maravilhoso, localizacao maravilhosa, mas infelizmente, como tudo na vida, nao e perfeita. Para comecar, ela precisa de uma reforma seria. Depois, ela e de 1902, o que quer dizer que as coisas sao um tanto quanto velhas. Eu sinceramente acho impressionante o fato da casa estar de pe depois de tanto tempo, e numa saude consideravelmente boa para uma casa tao idosa!

 

Comprar e vender casa e um processo um tanto quanto desgastante. Nao bastasse o bate-volta de propostas, contra-propostas, e propostas de contra-propostas, ainda tem o fato de que e o maior investimento que voce faz na vida, com muito pouco tempo para pensar direito no assunto, conhecer a vizinhanca, e sentir firmeza no negocio. Nos estamos atravessando esse processo, com uma complicacao a mais: “title contingency”.

 

O processo de compra aqui nos Estados Unidos (e talvez no Brasil) envolve o processo de revisar o “title” (nao sei a palavra em portugues) para ver se alguem mais tem direito a propriedade (julgamento por falencia, por exemplo). A bendita casa tem um “driveway” que serve de estacionamento. Nos sempre suspeitamos daquele driveway, ja que nao ha cerca entre o driveway e a casa do vizinho e, dito e redito, saiu no title report que a driveway e dividida com o vizinho. O que nao e verdade, porque o dono da casa tem estacionado la por 10 anos. Mas nos medimos o terreno, profissionais que somos, e suspeitamos que o limite do terreno e um pouquito de nada alem do driveway, de tal forma que, se o vizinho resolvesse colocar uma cerca no limite do terreno dele, seria impossivel estacionar um carro la.

 

Quais sao as opcoes? Bem, o agente do dono ainda nao aceitou o fato e vai pedir a companhia de titulo para revisar o assunto e tirar essa historia de “driveway” dividida. Para mim isso nao e o bastante; o fato de tirar do titulo nao quer dizer muita coisa a essa altura. Tem que se fazer um “survey” para delimitar os limites do terreno. Com isso feito, se provado que, de fato, a “driveway” e inutil se o vizinho colocar uma cerca no limite do terreno dele, o certo e ir para o vizinho e pedir para comprar aquele pedacinho de terra, tao inutil para ele e tao util para estacionar o carro. Se o vizinho nao aceitar, voce pode entrar com uma acao de “adverse possession” – ja que o dono tem usado o driveway por 10 anos sem ninguem reclamar, a essa altura o vizinho perdeu o direito aquele pedaco (digo logo, essa e uma versao muito simplificada do assunto). Mas isso envolve uma acao na corte, o que leva a (muito) desgaste emocional e financeiro. Se meu pior inimigo estiver lendo esse blog, aqui vai meu conselho: fuja, corra, fique muito longe de qualquer tipo de “litigation”. Eu trabalho com isso ha anos e nao recomendo para ninguem.

 

Bem, se nao for essa casa, vai ser outra. O meu “comfort level” em comprar essa casa para no momento que eu tiver qualquer possibilidade, mesmo que infima, de ter que parar em corte contra meu vizinho. Que jeito de chegar na vizinhanca, hein???

Quem será a verdadeira casa azul?

meio de tudo
do nada, casa azul
many fingers crossed

Comemoracoes e Mais Comemoracoes

Essa foi uma semana de comemoracoes. Muitas comemoracoes. E, claro, muita bebida e comida calorica acompanhando os festejos

 

Terca-feira, dia 21, foi meu aniversario.  O bom de comemorar o aniversario no meio da semana e que voce tem uma desculpa perfeita para ir jantar num lugar legal em plena semana de trabalho. Fomos no Cafe Campagne, no Pike Place Market. Eu estava muito mal intencionada ao escolher esse lugar. Meu desejo em Paris era comer “steak tartare”. Nao sei se existe no Brasil, mas steak tartare e carne crua (nao mal passada, crua mesmo), moida e misturada com ovo, cebola e temperos. Recomenda-se comer esse prato num restaurante de boa procedencia pelo simples fato de que comer carne crua ja nao ser muito recomendado. Pois bem, meu sonho era comer a steak tartare em Paris, ja que e tipico de la, mas estava deixando para o ultimo dia – sabe como e, nao queria passar mal no meio da viagem. Mas por motivos outros, passei mal no ultimo dia … dai que o steak tartare teve que ficar para Seattle.

 

Quarta-feira, dia 22, eu renasci … como cidada americana! Fui la fazer meu  juramento e recebi meu certificado de naturalizacao. Fiquei muito contente e, principalmente, com o maior sentimento de liberdade. Agora posso ir morar na Europa por cinco anos sabendo que posso sempre voltar para casa se as coisas nao derem certo. E voce nao perde cidadania! Voce pode perder green card, por exemplo, se voce cometer certos crimes, dai e deportado para seu pais de origem. Eu nao me importo tanto de ser condenada a pena de morte como cidada americana por ter assassinado alguem, mas nao quero voltar para o Brasil nem sonhando. Estou muito bem aqui, obrigado, e so tenho a agradecer aos americanos pela vida maravilhosa que eu tenho nesse pais. Nossa, ja estou com o maior patriotismo.

 

Finalmente, ontem demos na telha de ir nesse bar que descobrimos aqui em Capitol Hill, o Quinn’s. Se voces estiverem na regiao de Seattle, eu recomendo demais esse bar. Alem das cervejas belgas maravilhosas (peca uma Grimbergen Dubbel, foi a favorita da noite), a comida e sensacional. Um pouco estranha, mas muito boa. Era tudo meio estilo appetizer, entao pedimos “scallops” (vi num site de traducao que em portugues se chama “vieiras” – nunca ouvi falar, mas nao e um nome bonito???), tutano de boi (achei meio pesado, alias, muito pesado), lingua de boi (ehr, bom mas estranho) e “wild boar” (acho que a traducao e javali, mas tinha tanto molho que poderia ser qualquer coisa). Estava bem cheio para uma quinta-feira, chegamos la em torno de 8 horas e ainda tivemos que esperar meia hora por uma mesa. Mas valeu a pena.

 

Pois e, cheguei a ficar com ressaca de tanta comemoracao, se isso e possivel. Acho que vamos passar a sexta a noite sossegados em casa para variar.

Yakima, Parte 2

Voces talvez se lembrem de nossa grande aventura a Yakima, a terra das vinicolas. Eduardo, beberrao que ele so, insistiu para que fossemos a Yakima de novo esse final de semana. Nara, como nao bebe muito, ficou meio desanimada, mas acabou indo em nome do amor. Acabamos arrastando dois amigos nossos tambem. Foi um final de semana bem divertido. Tinha muito sol por la e a temperatura estava nos mid 60′s (em torno de 18C), e estava muito agradavel para fazer piquenique do lado de fora.

 

O problema de Yakima sao os excessos. Chegamos la em torno de 1 da tarde do sabado de ja fomos na Vinicola Sagelands para fazer um piquenique. Um wine tasting e uma garrafa de vinho depois, fomos a Chukar, e para variar, exager(ei)(amos) na quantidade de bombons.  Mas pelo menos foi uma boa pausa para elevar a dose de acucar no sangue, para dai irmos a nossas 3 proximas vinicolas, fazer wine tasting. Acabamos parando em outra vinicola, a Hyatt, para mais um piqueniquezinho, e outra garrafa de vinho. A noite foi jantar, com mais vinho, cafezinho … vida muito boa, mas definitivamente nao e para todo dia. No domingo fomos novamente a feirinha de Yakima para comprar verduras … sabe como e, a consciencia faz dessas coisas.  As fotos ja estao no Flickr.

 

Nos na Airfield Estates.

 

Mario e Suzana na Airfield Estates (ja deu para ver que esse aviaozinho e muito popular, nao???)

 

Segundo piquenique do dia, na Hyatt.

 

Voltando para casa.

Minha amiga Manu

Eu tenho uma amiga chamada Manu. Nos nos damos muito bem pelo simples fato de que nao temos nada a ver uma com a outra. Manu e espontanea, desprogramada, fala o que vem na cabeca e, como ela mesmo diz, nao consegue sentar cinco minutos para ler um livro. Eu sou totalmente o oposto. Eu nao saio de casa sem saber exatamente para onde vou, como chegar la, o que vou fazer, e a que horas vou voltar. Para desespero de meus pais, ja nasci assim. Detesto surpresas. Detesto aventuras. Detesto desvios no meio roteiro. Uma vez, ha algum tempo atras, quando nao tinhamos GPS, Manu morreu de rir de mim porque iamos sair para um restaurante que nao conheciamos e eu tinha impresso um mapa com direcoes. “Nossa, voce tem um mapa! Nunca que eu andei com um mapa!” Pois eu e que nunca pensei em nem sequer sair de casa sem um mapa.

 

Isso tudo e para dizer que, da mesma forma que o lado criativo do meu cerebro beira a deficiencia mental , o lado criativo de Manu e muito melhor do que a media. Ha algum tempo atras ela decidiu que queria ser fotografa. Eu pensei comigo que nunca tinha visto Manu com uma maquina fotografica na mao, e que nao sabia muito bem se essa ideia vingaria. Pois bem, anos depois, tenho que tirar o chapeu para minha amiga Manu. Depois de muito pelejar, ela esta com planos grandiosos de ganhar a vida com fotografia e ja montou um site, Manu Caiafa Photography. O site ficou muito legal, com fotos tiradas por ela, e eu garanto que a comunidade brasileira de Seattle vai reconhecer as cobaias, ehr, quero dizer, os modelos de Manu

 

Como nao poderia deixar de ser, Eduardo, fashion como ele e, se voluntariou (bem fui eu que voluntariei ele, mas isso e uma longa historia) para ser um dos modelos. Se voce for no site de Manu, na sessao fashion, vai ver esse homem maravilhoso com um “C” pintado no peito, lutando por essa causa nobre que e a paz mundial. Pois bem, essa e a foto comportada. A verdade verdadeira e que a sessao de fotografia comecou com esses cinco homens maravilhosos tirando fotos de cueca. Manu, caprichosa como ela e, comprou cinco cuecas combinando, para que todos ficassem iguaizinhos. E eu sei que voces estao ai se perguntando,  ”o que foi que Eduardo ganhou para tirar essas fotos tao risque”? Bem, ele ganhou uma cueca azul marinho, que por sinal e uma das minhas cores favoritas.

 

Mais Casas

Sinto muito a meus leitores fieis, mas enquanto nao comprarmos uma casa, e pelo andar da carruagem nao vai acontecer tao cedo (ja vai virar piada se o que vem primeiro e o filho ou a casa), voces vao ter que ouvir muito sobre o assunto.

 

Uma vez, numa das centenas de open houses que fomos, teve uma corretora que nos deu essa dica de dar “apelido” as casas, para ajudar a lembrar de uma casa especifica depois que voce ja viu dez. Assim sendo, todas as nossas casas tem apelido. Esse final de semana mesmo fomos a algumas open houses. A primeira casa foi apelidada de a “Casa de 1 Milhao de Dolares Caindo aos Pedacos“. Eu tenho que avisar que as fotos, por piores que sejam, nao fazem jus ao estado lastimavel da casa. Os banheiros eram de doer. A cozinha idem. Nao que eu seja contra reforma, mas uma casa de $950,000 ja nao e barata, para voce ainda gastar mais $100,000 de reforma … Saimos de la correndo. E por tao cara? Bem, a rua era lindissima, com mansoes, arvores antigas, esquilinhos felizes andando pela rua… A licao que ficou e que custa muito caro morar numa rula idilica.

A segunda casa foi carinhosamente apelidada de a “Casa do Telhadinho Engracado“. Ha algumas semanas atras Eduardo me mostrou essa casa, dizendo que os donos tinham comecado pedindo $1,200,000 e tinham abaixado o preco para $995,000. Meu comentario foi: “Nao vai vender nunca, que casa mais H-O-R-R-O-R-O-S-A”. E fim de papo. Bem, ela estava aberta para visitacao esse final de semana, e desocupados que somos, acabamos indo la. O corretor da casa, um rapaz bem alegre, ja veio falando com a gente que os donos tinham que vender a casa porque eles estavam voltando para o pais de origem deles … para a Holanda, especificamente Amsterdam! Bem, no momento que ele falou Amsterdam, meus olhos brilharam e eu me imaginei na propria Amsterdam, prestes a pegar um trem para a Belgica para beber cerveja, e depois indo a Paris para uma sobremesa. De repente, nao mais que de repente, me apaixonei … pela casa! O corretor aproveitou-se da minha fraqueza e ainda comentou: “Voce vai reparar que o estilo da casa e bem europeu …” Pronto, nao precisa dizer mais nada. Estilo europeu e comigo mesmo! Ate o telhadinho engracado, que eu tanto tinha odiado, me lembrou um pouco dos telhados parisienses  Juro a voces, as fotos do site nao fazem justica a beleza interior dessa casa. O unico porem da casa e que, a $995,000, esta espichando por demais o nosso “budget”.

 

 

 

Dai que voces devem estar se perguntando, “E por que esse povo fica olhando casa de $1,000,000, se nao estao dispostos a comprar?” Bem, primeiro tem o fator falta do que fazer domingo a tarde. Depois tem o fator que 90% das casas na nossa regiao favorita custam acima (as vezes muito acima) de $850,000. E por fim, tem o fato de que por algum motivo as casa de $1,000,000 sao muito melhores que as casas de $650,000. E ca para nos, tem coisa melhor que ficar cobicando as coisas que nao podemos ter???

Igrejinha

Nossos amigos, “muy amigos” por sinal, se preocupam tanto com nosso bem estar que toda vez que somos convidados a um batizado eles ficam nos olhando meio de soslaio, esperando que a qualquer momento a gente vire pó, que nem o Conde Drácula. Por coincidência do destinho, nem eu nem Eduardo somos batizados, e o fato de só termos pisado na igreja duas vezes nesses quase 10 anos que moramos aqui (coincidentemente, as duas vezes foram batizados de filhos de amigos nossos) não ajuda a melhorar nossa imagem de devotos da fé cristã. Eu até que gosto dos batizados, gosto do sermão do padre, mas fico perdidinha com aquela cerimônia toda: é um tal de levanta e senta, senta e levanta, faz o sinal da cruz, reza, canta, que só muito devoto mesmo para aguentar aquilo todo domingo de manhã. Mas eu tomo minhas precauções: passo longe da água benta (sei lá o que eles botam naquela água) e morro de medo de comer hóstia e virar estátua. Fico longe dessas coisas.

 

Daí que eu sei que muita gente vai ficar assombrada com meu pronunciamento: meu sonho é morar numa igrejinha!!! Esse final de semana fomos ver umas townhomes, por sinal as townhomes mais lindas que já vi na região, numa localização ótima, com uma igrejinha (bem, era mais para igrejona) do lado. Perguntei ao corretor para confirmar que se tratava de uma igreja, e ele disse, adivinhe só, que eles iriam converter a igreja em townhomes (e será que existe alguma coisa que eles não convertem para condomínio hoje em dia?). Cheguei em casa para perguntar ao Google se ele sabia algo sobre a igrejinha, e o Google me iluminou: Seattle First Church. Serão doze townhomes dentro da igrejinha. Dá uma olhadinha no link para ver que lindíssima a igreja! E localização excelente, ali pertinho dos restaurantes da 15th Ave. em Capitol Hill, juntinho do Safeway e do hospital – afinal de contas, nunca se saber quando se vai precisar de um hospital. Eduardo implicou um pouco, diz ele que não tem certeza que quer morar numa igreja. Eu me sentiria em plena Europa morando num lugar desses, fiquei apaixonada.

 

Apaixonada também fiquei por essa casa aí em Capitol Hill, na 17th Ave., bonita, espaçosa (com 7000 sf, em torno de 650 m2, é espaçosa até demais) … O único probleminha dessa casa é que, ao preço de $2,350,000.00, me diz Eduardo que está totalmente e completamente fora do nosso “budget”. Ai, ai…

 

 

 

 

Aviso de Saude Publica

Bom dia, Seattlelites! Hoje eu gostaria de conversar com voces sobre a importancia da Vitamina D. Talvez voces se lembrem das aulas de colegio, onde o professor explicava que a Vitamina D era produzida pelo organismo quando exposto ao sol. Apesar de se encontrar Vitamina D em certos alimentos (gema de ovo, varios peixes, leite fortificado), e essencial a exposicao ao sol para se absorver a Vitamina D. Se voce mora em Seattle, voce sabe exatamente onde eu quero chegar com meu post: isso mesmo, a completa falta de sol que impera nessa cidade.

 

E por que meu sermao sobre Vitamina D? Bem, recebi os resultados do meu teste de sangue. De acordo com o relatorio que eu recebi, o nivel de Vitamina D no sangue para um ser humano se manter saudavel varia de 40 a 100 ng/Ml. O meu resultado? 11 ng/ML. Isso mesmo, perdi feiamente no teste. E olha que acabamos de ser de um verao que foi bem bonzinho em termos de sol! Dai que minha medica me passou uma receita com uma dose cavalar de Vitamina D: o normal sao 400 UI (unidades internacionais) por dia, ela me passou uma pilula com 50,000 UI, para ser tomado uma vez por semana, por tres meses, com instrucoes para voltar la depois para ver se os niveis estao menos piores.

 

Vitamina D e essencial para absorcao de calcio, dai sua falta no organismo leva a problemas decorrentes, bem, da falta de calcio: osteoporose e outras doencas osseas. E se voce for no Google e fizer uma pesquisa sobre “lack of Vitamin D”, por exemplo, vai encontrar reportagens com os titulos “Lack of Vitamin D May Increase Heart Risk Disease”, “Lack of Vitamin D Boosts Death Risks” (de acordo com essa reportagem, falta de Vitamina D aumenta seu risco de morte em ate 26%), e por ai vai.

 

Dai que vai minha licao do dia: considerando que e muito facil tomar um suplemento de Vitamina D para “aliviar” o nosso problema da falta de sol, eu recomendo que todos os meus amigos que moram longe da linha do Equador conversem com seus medicos sobre “essa historia da falta de Vitamina D”. Facam um teste de sangue (nao fiquem assombrados com minha experiencia ruim para tirar sangue ) e vejam se voces passam no teste. Se voces estiverem muito abaixo, que nem eu, quem sabe voces nao recebem uma dessas pilulas potentes. Mas “don’t go crazy” na Vitamina D, meus estudos Googlerianos concluiram que em excesso ela e toxica!

 

E ai vai minha sugestao aos produtores de vinho e cerveja: que tal uma bebida fortificada com Vitamina D?

 

 

 

Corajosa…

Sexta-feira passada fui ao médico para um exame de rotina, e fazia parte do exame tirar sangue para testes de colesterol e outras coisitas mais. Daí que lá fui eu em direção ao laboratório, devidamente de jejum (quero dizer, com fome) tirar sangue.

 

Estava até tranquilo no laboratório e eu fui atendida logo. “Meu dia de sorte”, pensei inocentemente. O rapaz que me atendeu era muito simpático, mas vim logo a perceber que ele era meio que “aprendiz”. Sabe quando você vai numa loja e vem aquele caixa que não tem a mínima idéia do que está fazendo e fica perguntando aos outros caixas como fazer uma conta de 2 + 2? Pois é, isso mesmo, só que no meu caso era o rapazinho que ia tirar o meu sangue que era o novato da história. Dia de sorte, hein?

 

O resumo da ópera foi que, depois de duas tentativas (isso mesmo, depois de ter furado meu braço duas vezes), ele recorreu às outras assistentes mais experientes. De lá veio uma mulher que tinha praticamente o dobro da minha massa corporal. O carinha estava com problema de achar minha veia, então o que ela fez??? Apertou meu braço com aquele trequinho de borracha tão bem apertado que ele começou a ficar roxo (estou usando de licença poética nesse post, então não dêem muita bola para meu tom dramático). O resultado foi que depois de três furos no braço, não é que ela achou a tal da veia?

 

Eu me considero uma pessoa de certa forma resistente a dor e corajosa (daí o título do meu post). Veja bem, eu sou daquelas pessoas que gosta de ver o que se passa. Se estão tirando meu sangue, gosto de ver o tubinho enchendo de sangue. Meu problema é que talvez eu não seja tão corajosa como eu ache que sou. Sabe, que nem aquelas pessoas que se acham as “espertas”, mas no fundo todo mundo dá aquela risadinha de “lá vem o sabe tudo”? Foi assim que me senti naquele laboratório quando, depois de tanto fura-fura e três tubos de ensaio depois, os três assistentes do laboratório me olharam com aquela cara de “você está bem?”.  Aparentemente minha cara ficou muito pálida (mais do que o normal, imagine você), daí que a mulher correu para terminar o serviço dela e eles me colocaram numa cama de hospital, devidamente instalada num canto do laboratório para essas pessoas, eh, “corajosas”.

 

Fiquei ponderando com Eduardo os motivos que me levaram a passar mal (não tinha sido a primeira vez que isso acontecia num exame de sangue).  Eu sugeri que eu tenho pouco sangue no corpo, portanto a quantidade que eles tiram me faz passar mal. Eduardo se recusou a acreditar nessa teoria, dizendo que eles tiram muito pouco sangue. Fiquei pensando se o fato de meu braço estar tão apertado diminuiu o fluxo de sangue no meu corpo, daí eu passei mal … nem eu consegui engolir essa teoria. O jejum me fez passar mal? Não sei. No final ficou aquela velha história de que, se você não acha um problema físico, deve ser psicológico. No meu caso, faltou coragem. Pode até ser, mas que eu sou metida a corajosa, isso eu sou.



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