Archive for September 27th, 2008

RIP: Heller Ehrman (1890-2008)

Triste. Chocada. Muito triste e muito chocada. Foi assim que eu recebi na quinta-feira a noticia de que a Heller Ehrman, a minha antiga firma, com 118 anos atuando na area, 600 advogados e 14 escritorios espalhados pelo mundo, estava se dissolvendo e fechando as portas. O ultimo dia da Heller? “On or about November 28″, como eles mesmos anunciaram.

 

Tudo comecou dia 15 de setembro, quando saiu uma noticia no Wall Street Journal que a Heller Ehrman estava ameacando fechar. A comunidade legal em Seattle (e no pais, devo dizer, ja que e(ra) uma grande firma nacional) entrou em polvorosa. No meio da calamidade, houve ate um funcionario em dos escritorios que criou um blog para manter os outros funcionarios informados e de certa forma dar um apoio. Eles seguraram firmes por duas semanas, mas foi inevitavel. O problema? Falta de dinheiro. Houve uma reuniao na quinta-feira onde eles explicaram que, ou a firma fecha as portas, paga as contas e apaga a luz, ou decreta falencia. Por que a falta de dinheiro agora, depois de 118 anos, incluindo o fato da firma ter sobrevivido a Grande Depressao? Bem, eu espero que, como eles fazem com uma pessoa que morre em circumstancias obscuras, eles facam uma autopsia da situacao e em algum momento expliquem o que aconteceu.

 

Na verdade mesmo, as coisas nao andam indo bem ha algum tempo. Ha uns 2 a 3 anos atras, nao me lembro bem, houve uma demissao em massa. Desde entao houve varios “ajustes” na organizacao da firma, tudo em nome da eficiencia e competitividade e, claro, uma demissao aqui e ali, mas tudo muito discreto. Em outubro de ano passado, houve outra demissao em massa, e ajustes profundos. Eles procuraram centralizar varios departamentos, e acabou acontecendo que pequenas coisas como requerer um cheque para pagar despesas processuais virou um processo kafkaniano. E houve o fato que eu nao consegui transferencia de volta para Seattle. O motivo? Eles nao tinham trabalho o suficiente para empregar outra paralegal em Seattle. Bem, eu acho que eles nao estavam mentindo.

 

Como eu me sinto? De certa forma, me sinto com sorte por eu ter saido da Heller na epoca em que sai, quando a economia (acredite se quiser) nao estava tao mal e nao tinha mais outras 10 litigation paralegals em Seattle em busca de emprego (chegamos a ser mais de 20 paralegals nas boas epocas da Heller), numa epoca onde procurar emprego nao anda tao facil. Por outro lado, tenho a sindrome dos sobreviventes de tragedia, aquele sentimento de que eu gostaria de ter estado la com eles ate os ultimos momentos, e literalmente fechar as portas da firma. Digamos assim: meu lado romantico gostaria de estar la e sofrer com meus colegas de longa data, e meu lado pratico esta muito contente de estar nao so empregada, mas bem empregada, longe daquela confusao toda.

 

Com tanta quebradeira acontecendo, com os Lehmans e WaMus da vida dando para tras, nao me surpreende que uma firma que ja nao esteja indo bem tenha serias dificuldades para sobreviver. O que eu acho disso tudo? Acho que todos na Heller vao ficar bem - uns melhores que outros, mas todos bem. Afinal de contas, crise familiar, financeira, no casamento, economica sao coisas pelas quais todo mundo passa alguma(s) vez(es) na vida. Fazer o que? Segurar firme e esperar a crise passar.



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