Archive for September, 2008

Rindo Para Nao Chorar

Em tempos de crise, com banco quebrando todo dia e S.S. Heller afundando, temos que ter bom humor para atravessar essa um pouco menos traumatizados. Foi com esse espirito de “so rindo para nao chorar” que um dos meus antigos colegas da Heller reclamou semana passada que ele estava recebendo pagamento da Heller na sexta (o pagamento de salario na Heller e quinzenal e sexta passada foi dia de pagamento) via deposito direto, que ia para a conta dele … no Washington Mutual*!   Deu vontade de dizer: “Me diga outras decisoes que voce tem tomado na sua vida para eu NAO fazer o mesmo!”.

 

*Para o povo do Brasil, o Washington Mutual (WaMu) era um dos grandes bancos que quebrou semana passada (foi “comprado” pelo JP Morgan). Coincidentement, o WaMu e a Heller quebraram com dias de diferenca. RIP, WaMu.

RIP: Heller Ehrman (1890-2008)

Triste. Chocada. Muito triste e muito chocada. Foi assim que eu recebi na quinta-feira a noticia de que a Heller Ehrman, a minha antiga firma, com 118 anos atuando na area, 600 advogados e 14 escritorios espalhados pelo mundo, estava se dissolvendo e fechando as portas. O ultimo dia da Heller? “On or about November 28″, como eles mesmos anunciaram.

 

Tudo comecou dia 15 de setembro, quando saiu uma noticia no Wall Street Journal que a Heller Ehrman estava ameacando fechar. A comunidade legal em Seattle (e no pais, devo dizer, ja que e(ra) uma grande firma nacional) entrou em polvorosa. No meio da calamidade, houve ate um funcionario em dos escritorios que criou um blog para manter os outros funcionarios informados e de certa forma dar um apoio. Eles seguraram firmes por duas semanas, mas foi inevitavel. O problema? Falta de dinheiro. Houve uma reuniao na quinta-feira onde eles explicaram que, ou a firma fecha as portas, paga as contas e apaga a luz, ou decreta falencia. Por que a falta de dinheiro agora, depois de 118 anos, incluindo o fato da firma ter sobrevivido a Grande Depressao? Bem, eu espero que, como eles fazem com uma pessoa que morre em circumstancias obscuras, eles facam uma autopsia da situacao e em algum momento expliquem o que aconteceu.

 

Na verdade mesmo, as coisas nao andam indo bem ha algum tempo. Ha uns 2 a 3 anos atras, nao me lembro bem, houve uma demissao em massa. Desde entao houve varios “ajustes” na organizacao da firma, tudo em nome da eficiencia e competitividade e, claro, uma demissao aqui e ali, mas tudo muito discreto. Em outubro de ano passado, houve outra demissao em massa, e ajustes profundos. Eles procuraram centralizar varios departamentos, e acabou acontecendo que pequenas coisas como requerer um cheque para pagar despesas processuais virou um processo kafkaniano. E houve o fato que eu nao consegui transferencia de volta para Seattle. O motivo? Eles nao tinham trabalho o suficiente para empregar outra paralegal em Seattle. Bem, eu acho que eles nao estavam mentindo.

 

Como eu me sinto? De certa forma, me sinto com sorte por eu ter saido da Heller na epoca em que sai, quando a economia (acredite se quiser) nao estava tao mal e nao tinha mais outras 10 litigation paralegals em Seattle em busca de emprego (chegamos a ser mais de 20 paralegals nas boas epocas da Heller), numa epoca onde procurar emprego nao anda tao facil. Por outro lado, tenho a sindrome dos sobreviventes de tragedia, aquele sentimento de que eu gostaria de ter estado la com eles ate os ultimos momentos, e literalmente fechar as portas da firma. Digamos assim: meu lado romantico gostaria de estar la e sofrer com meus colegas de longa data, e meu lado pratico esta muito contente de estar nao so empregada, mas bem empregada, longe daquela confusao toda.

 

Com tanta quebradeira acontecendo, com os Lehmans e WaMus da vida dando para tras, nao me surpreende que uma firma que ja nao esteja indo bem tenha serias dificuldades para sobreviver. O que eu acho disso tudo? Acho que todos na Heller vao ficar bem - uns melhores que outros, mas todos bem. Afinal de contas, crise familiar, financeira, no casamento, economica sao coisas pelas quais todo mundo passa alguma(s) vez(es) na vida. Fazer o que? Segurar firme e esperar a crise passar.

O Papa Nos Persegue

Apesar da incredulidade dos nossos bons e fiéis amigos, vou provar que o Papa nos persegue. Bem, na verdade tudo começou quando nós perseguimos o Papa, por mais incrível que isso possa parecer. Em setembro de 2005, nós fomos visitar a Itália, e aproveitamos para visitar o Vaticano. Nem sei se o Papa estava por lá, mas tecnicamente nós estávamos indo visitar a casa dele. Ponto para o Papa.

 

Acho que a nossa visita a Itália desencadeou uma dessas maldições dignas de filme, porque daí por diante o Papa não nos deixou mais em paz. Ano passado, em setembro de 2007, fomos a Viena. Quem estava lá? O Papa! Em abril de 2008, o Papa foi para DC, veja só, na mesma época em que ainda morávamos em DC. Muita coincidência, não??? E ainda agora, nesse mês de setembro de 2008, quando estavámos em Paris, o Papa “resolve” passear em Paris. Três pontos para nós!

 

Já lidei tanto com essa história de “o Papa esta na cidade” que já conheço os procediments: algumas das igrejas fecham para se preparar para a visita do Papa; são instaladas barricadas nas calçadas para as pessoas não invadirem a pista quando o Papa estiver passando no papa-móvel; e a quantidade de polícia que voce vê nas ruas não está no mapa. De certa forma, eu acho ate uma pena que o sonho de tanta gente seja ver o Papa e nós só fazemos esnobar as coincidências da vida. Alguem vai precisar ter uma conversa seria com o Papa e mostrar para ele que aqui e caso perdido. E aí, quem se voluntaria?

 

P.S.: Meu post esta metade com acento e metade sem acento porque foi escrito de trs computadores diferentes, e os detalhes finais foram feitos num computador sem acento. Tambem acho, temos computador demais!

Calças Ali Babá

Meninas, vou te contar a última moda em Paris, para que todas fiquem bem “fashionable”: as calças Ali Babá. Isso mesmo, a mesma calça que Jeannie É um Gênio usava naquele seriado dos anos 50. Ficava uma graça nela, com aquele rabinho de cavalo e tudo mais, mas na vida real acho bom tomar um pouco de cuidado com essa moda.

 

Para começar, as calças Ali Babá têm um problema sério, que acomete a todos os ítens que viram moda: não serve para todo mundo. Essas calças, por exemplo, são bem folgadas na perna e apertadas nos tornozelos. Portanto, pessoas de estatura baixa, como eu, devem ficar longe, mas muito longe das benditas. Pessoas gordinhas também devem evitar. Parando para refletir bem, acho que essas calças só ficam menos pior em pessoas bem altas e bem magras, que nem a modelo da foto (porque será que todas as modas só ficam bem em pessoas altas e magras????). Portanto, se você tem menos de 1,80 m de altura e mais de 50 kg, recomendo ficar longe das calças.

 

Mas moda é isso mesmo. Acredito que ainda vigore a moda dos óculos escuros enormes, estilo Jackie Kennedy. Eu não gosto de óculos grandes e não acho que fiquem bem em mim. Mas Eduardo sugeriu que eu devesse procurar um óculos novos e passamos algum tempo na viagem experimentando óculos escuros. No final até ele se deu por vencido: “É, acho que óculos grandes não ficam bem em você”. E cá para nós, a verdade verdadeira é que não ficam bem em ninguém, assim como as calças das Mil e Uma Noites.

 

 

 

As Belgas

Estou me referindo às cervejas belgas, claro.  Cerveja belga é como bom vinho, são saborosas e merecem ser apreciadas. E como apreciamos! Aqui está minha homenagem às cervejas belgas, com um post só delas.

 

Primeira parada: A La Mort Subite (Sudden Death ou Morte Súbita – é ou não é um nome apropriado???), Bruxelas. Eduardo escolheu uma Grimbergen Brune (escura e muito saborosa), e eu escolhi uma Faro (mais clara, mais doce, mas deliciosa). A Faro é o que eles chamam de “lambic beer” que, ao contrário das cervejas convencionais que são fermentadas controladamente, elas são fermentadas de forma espontânea. Imagino que eles joguem uns cogumelos fermentados na cerveja e vê no que dá.

 

 

Segunda parada do dia: Les Chapeliers, Bruxelas (o restaurante é muito bom, se alguém for à Bélgica eu recomendo). Como tivemos uma boa experiência com a Grimbergen, eu escolhi uma Grimbergen Goud Dorée (blond) e Eduardo, uma Grimbergen Cuvée de l’Ermitage (mais escura). Todas excelentes, ficamos com uma impressão ótima da Família Grimbergen. 

 

 

 

Pausa no meio da tarde: Jupiler, num barzinho qualquer em Bruxelas. É uma pilsner, achei um pouco amarga. Não é ruim, mas não passa de pilsner.

 

 

Jantar: T’Kelderke, em Bruxelas (essa noite fizemos o favor de esquecer a câmera fotográfica). O restaurante é muito bom, e o mais interessante é que eles tinham a cerveja da casa! Era uma amber bem saborosa. Nunca tinha visto cerveja da casa, só na Bélgica mesmo que essas coisas acontecem…

 

Na noite seguinte fomos jantar no Les Brassin, em Bruxelas. O restaurante é simpático e a comida é boa, mas ele é um pouco afastado do centro. Nessa noite eu escolhi a Orval, e não achei grande coisa. Não que fosse ruim, simplesmente não era saborosa … Eduardo ficou com a Bon Secours Ambree, essa sim muito melhor (apesar de ter vindo numa garrafinha parecida com garrafa de champagne, muito estranho).

 

 

 

Estava meio chuvoso em Bruges, desculpa perfeita para uma cerveja! Dessa vez ficamos com a Família Corsendonk: eu com a Corsendonk Dubbel, Eduardo com a Corsendonk Bruin. Achei a minha melhor, a de Eduardo era um pouco amarga.

 

 

À noite, acabamos jantando no restaurante do hotel (esse também merece um post à parte). Nós escolhemos a Leffe Blonde. Em termos de blonde, acho que foi a melhor cerveja que já tomei. Eduardo até comentou que essa era a única “blonde com personalidade” que ele conhecia. Às louras de plantão: pode bater que eu deixo.

 

 

Depois do jantar, fomos ao Delirium Cafe para fechar a noite (depois não sabemos porque ficamos doente). Eu escolhi uma Karmelita Tripel, muito boa, e Eduardo escolheu uma Rader Ambree (também muito boa, como não poderia deixar de ser).

 

 

 

Tínhamos que esperar para dar a hora da nossa reserva no restaurante, e qual a melhor forma de esperar passar a hora do que bebendo cerveja belga.  Dessa vez ficamos com a Família Leffe – Leffe Tripel para mim, Leffe Brune para Eduardo. Eduardo implicou que a cerveja dele tinha gosto de queimado (???), daí acabou trocando comigo. Como eu adorei todas, troquei numa boa. E declaro desde já que a Família Leffe “rock”!

 

 

Fomos jantar nesse restaurante maravilhoso, o Roue D’Or (até melhor que o Les Chapeliers). Dessa vez eu fiquei com a Chimay, que o garçom descreveu como uma “strong blonde”. Eduardo ficou com a Gueuze, que achamos um pouco adocicada, quase com gosto de refrigerante (é uma dessas cervejas “lambic”, um pouco mais doces que cervejas convencionais).

 

 

Essa é uma homenagem a Luxemburgo … tentamos uma das cervejas deles, a Battin, mas era uma pilsner sem muita personalidade. Foi aqui que acabou minha experimentação com as cervejas, e começou um mundo novo com os vinhos de Paris. Mas isso fica para outro dia.

 

 

Fotos da Viagem

As fotos já estão disponíveis no Flickr! Aqui vão so highlights.

 

Cervejas Belgas … as cervejas belgas merecem um post à parte.

 

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Os Smurfs são belgas!!!

 

 

Bruges, na Bélgica … se você é avesso a romantismo, fique longe de Bruges. Tudo lá é “picture perfect”.

 

 

Ghent, outra cidade na Bélgica. Está vendo o castelinho lá no fundo? Parecia castelo de conto de fadas.

 

 

Luxemburgo. Uma cidade muito simpática, mas tão pequena…

 

 

As confeitarias em Luxemburgo eram um show à parte. Quem resiste um (ou vários) lanchinhos desse jeito?

 

 

Claro que fomos a Eiffel Tower!

 

 

Catedral de Notre Dame. A catedral estava fechada para visitas porque o Papa estava de visita na cidade. Aliás, eu tenho essa teoria que o Papa nos persegue, mas isso fica para outro post.

 

Em Seattle

Chegamos … mais ou menos. Ainda estou no “time zone” de Paris, e considerando que sao 9 horas de diferenca, vai ser uma semana meio atrapalhada.

 

Luxemburgo e uma cidade muito simpatica, mas nao precisa passar mais de um dia por la, a nao ser que voce queira descansar (muito). Talvez seja a cidade na Europa onde eu mais tenha visto idosos e mulheres com criancas. Ver aquele bando de mulher empurrando carrinho de bebe me lembrou um pouco de Redmond ou Bellevue Square a tarde durante a semana … ok, Luxemburgo e bem mais simpatica que Redmond

 

Quanto a Paris, dessa vez ficamos com uma impressao muito melhor do que nossa primeira viagem, em setembro de 2003. Vale lembrar, da primeira vez que fomos estava insuportavelmente quente e Eduardo ficou meio gripado. Dessa vez o tempo estava otimo. Passamos quatro dias por la, e nao ficamos em falta do que fazer – Paris e tao grande e deslumbrante que sempre tem uma ruazinha, um bairrozinho, um restaurante, ou um museu para visitar. Apesar disso, e contrario a opiniao de praticamente todos que ja foram a Paris, nao considero uma das minhas cidades favoritas. Cidade e como gente, as vezes voce nao simpatiza com a pessoa/cidade e pronto. Prefiro muito mais Londres, Madri, Amsterdam, Praga, Viena, e ate Bruxelas (perto de varias cidades maravilhosas, comida otima, cerveja idem).

 

Nosso ultimo dia em Paris foi tao romantico, eu  nem te conto. Ta bom, eu vou contar. Acordei de manha com dor de estomago, mas nao estava incomodando muito dai andei o dia todo. A noite a dor foi piorando … a ponto do pobre Eduardo ir atras de uma farmacia comprar sal de frutas. Como nao melhorei, ele saiu de novo ao mercado e fizemos um “piquenique” romantico no quarto – eu deitada porque a dor so melhorava quando eu ficava deitada (va entender). Fiquei preocupada da dor nao passar, ja pensou 10 horas de voo com o estomago doendo??? No outro dia melhorou, peguei meu voo, mas a noite piorou. Hoje ja estou melhor (ate quando eu nao sei). Mas pensando bem, abusamos um bocado no dia anterior: cafe da manha a la croissant e cafe; almoco com vinho; sobremesa numa ”patisserie”; chazinho da tarde com mais docinhos; jantar; para finalizar, fomos a um barzinho para fechar a noite com mais vinho e sobremesa. Haja estomago para encarar 

 

Se eu tiver um tempinho hoje a noite e nao cair de sono eu posto as fotos. 

Belgica

Se voce gosta de cerveja e/ou chocolate, Belgica e o lugar certo para voce. E impressionante a quantidade de lojas de chocolate por aqui, assim como a impressionante quantidade e qualidade das cervejas. Nem preciso dizer, e uma (ou varias) cervejas diferentes por dia  O waffle daqui tambem e maravilhoso, e a comida nao fica muito atras.

 

No sabado fomos a Cologne, na Alemanha, e eu nao fiquei muito impressionada. A catedral deles e lindissima, mas praticamente so tem ela ja que foi tudo destruido pela guerra. Ja Bruges e outra historia … um dos lugares mais lindos que visitamos. Valeu muito a pena. Amanha vamos a Luxembourg, e quarta vamos a Paris. O tempo anda meio instavel, mas qualquer pe de chuva que cai e uma desculpa para ir lanchar ou beber cerveja … preocupante. Ou entao ajustamos os planos e vamos a museus. Como Eduardo diz quando eu comeco a reclamar da chuva: “E ai, voce prefere chuva em Seattle ou na Europa?”. Dai eu paro de reclamar

Pausa Para Reflexão

Pois bem, finalmente chegou para nos aquele momento do ano quando tiramos ferias para pensar na vida, descansar, fazer um balanco do que aconteceu no ano e dos nosso planos futuros … ah, a quem estou tentando enganar? Estamos tirando 10 dias de ferias para ir a Belgica (ficando em Bruxelas e de la passeando pelas redondezas) e Paris, com uma passadinha rapida por Luxemburgo, para comer e beber e viver como se nao houvesse amanha. E do jeito que aviao anda caindo ultimamente, pode mesmo nao ter amanha. Dai quando volta voce pensa na dieta para fazer, nas contas para pagar, e se apercebe que sua viagem custou muito mais do que voce esperava porque o dolar anda desvalorizando. Mas dai voce pensa que tudo bem, que ja passou e afinal de contas voce se divertiu de montao.

 

Falar em beber como se nao houvesse amanha, descobri esse bar na Bruxelas, o Delirium, que alega ter mais de 2000 tipos de cerveja. Eduardo ja me desafiou dizendo que eu jamais conseguiria tomar isso tudo de cerveja. Tenho que admitir que o tempo esta contra mim, afinal de contas 2000 cervejas em cinco dias e bastante cerveja. Mas eu sou uma pessoa persistente!!!

 

Estamos viajando hoje a tarde e voltamos dia 14 de setembro. Se passarmos por um internete cafe entre uma cerveja e outra eu faco uns “updates” por aqui, do contrario, ate mais!