Archive for August 14th, 2008

Memoraveis

Sexta-feira passada fomos a um restaurante novo que abriu em Capitol Hill, o Olivar. Vou abrir um parentese aqui (sem acento, para variar) para dizer que o restaurante e maravilhoso e eu recomendo de montao.  Eles tem uns “small plates” (pratos pequenos) que de pequenos nao tem nada. Eduardo e eu pedimos tres e saimos bem satisfeitos. O predio e bem antigo (fica em frente ao Harvard Exit Movie Theater, para quem conhece a regiao), e a minha parte favorita sao as pinturas que eles tem na parede, que contam a historia de uma lenda russa. Nao e a toa, aparentemente o primeiro restaurante a abrir naquele lugar foi o Russian Samovar em 1931. Meu unico problema com o lugar (unico mesmo) e que a acustica nao parecia muito boa e o restaurante era bem barulhento. Como nada e perfeito, deixei passar.

 

Mas minha historia nao e sobre o restaurante, mas sobre a garconete do restaurante. La para o final, quando ja estavamos para ir embora, ela vira e fala (em ingles):

- Voces sao brasileiros, nao?

- Uhm … sim.

- Eu lembro de voces ha muitos anos quando eu era garconete no Voila Bistro. Voces sao memoraveis porque nao tem muito brasileiro nessa regiao.

 

Duas coisas me chamaram a atencao nesse dialogo. Primeiro, ja tem algum tempo que nao vamos ao Voila Bistro (por sinal, vou abrir outro parentese aqui para recomendar o restaurante, tambem muito bom), na verdade desde que fomos para DC. A memoria dela, considerando que ela e uma garconete que encontra varias e varias pessoas por dia, e que e memoravel. Depois, que historia e essa que nao tem brasileiro na regiao? Todos os meus amigos sao brasileiros. Fora do trabalho, so saimos com brasileiros. Onde e que essa mulher mora???

 

A verdade e que Eduardo e eu ja reparamos que Seattle e um outro mundo diferente do Eastside. Voce tem a mesma sensacao de quando esta na Europa, com paises minusculos, mas e so atravessar aquela fronteira que os costumes, as pessoas, tudo muda. Parece outro planeta. Em Seattle voce nao ve indiano, por exemplo, apesar do Eastside ser infestado de indianos. Eu me lembro que quando pegava o onibus de Redmond para trabalhar em Seattle, os passageiros pareciam todos normais, classe media indo para o trabalho (como eu). Aqui em Seattle, o onibus carrega desde gente normal (e eu vou me incluir nesse grupo) a bebados, mendigos, estudantes, loucos, gente com cabelo pintado de azul, e por ai vai … Me lembro uma vez que entrou esse mendigo no onibus taaao fedorento, que dali a 10 segundo o onibus inteiro cheirava mal. O motorista pediu para ele se retirar porque estava ficando insuportavel. Ele era uma figura, um mendigo com a barba enorme e vestido parecendo um hippie. Ou aquela vez que tinha um cara com uma mascara de doente, so que de couro preto. Resolvi ficar longe – ou ele estava doente ou era louco, e em qualquer desses casos eu preferia nao estar por perto. Ou aquela vez que o mendigo sentou junto de mim, perguntou o que eu estava lendo, e comecou a me falar dos livros favoritos dele. Eu hein, mendigo que le? Mas pensando bem, mendigo e que tem tempo de ficar lendo livro na biblioteca o dia inteiro, eu tenho que trabalhar. E ou nao e???

 

Realmente, Redmond e Seattle sao dois mundos distintos. E por enquanto eu prefiro Seattle.



Follow

Get every new post delivered to your Inbox.