Pois e, eu me lembro de uma epoca da minha vida em que eu tinha pavor de voar de aviao. Hoje em dia ja nao tenho tanto medo assim. Nao que eu goste de viajar de aviao, mas morar longe da familia e o fato de eu simplesmente amar viajar pelo mundo tornou minha fobia muito custosa, dai eu desisti de ter medo.
Mas nao foi facil nao. Eu fiquei pensando e pensando para ver se achava a causa (e a cura) da minha fobia. Me lembro que tudo comecou quando Eduardo foi trabalhar na Microsoft. Um pouco tempo depois, uma amiga dele morreu num acidente de automovel. Por um motivo inexplicavel (e fobia tem explicacao?), depois desses dois fatores eu comecei a ter muito medo de morrer, e eu tinha certeza absoluta que eu morreria viajando de aviao. Dai comecou o meu panico, que perdurou ate muito tempo depois de eu vir morar nos Estados Unidos. Eu me lembro da primeira viagem que fizemos para a Europa, se nao me engano, em setembro de 2003. Eu sonhava com aquela viagem, e portanto rezei para que, se o aviao caisse, que fosse na volta, depois que eu tivesse aproveitado meu passeio. Pois bem, o aviao nao caiu. Nem nessa viagem, nem nas outras tantas que eu fiz. Tambem me lembro de um dos momentos mais deprimentes desde que cheguei aqui, em meados do ano passado, quando passei o mes de agosto no Alaska num julgamento. Nao gostava do caso em que estava trabalhando, nao gostava do fato de estar longe de casa no melhor verao que Seattle ja teve, e toda hora fazia a ponte aerea Anchorage-Seattle (o nosso cliente se suicidou alguns meses depois do julgamento, dai voces tem uma ideia que eu nao era a unica pessoa infeliz por la). Me lembro que numa dessas idas e vindas me peguei pensando – “Sera que eu vou ter a sorte de morrer num acidente de aviao hoje?”. Nao morri, ate quando queria ter morrido, dai que eu vi que esse negocio de morrer em acidente de aviao talvez nao fosse tao facil assim.
No final das contas, acho que minha fobia nasceu do fato de eu estar ansiosa naquele momento da minha vida. Queria muito vir morar com Eduardo nos Estados Unidos, achava que aquele era o caminho da minha felicidade, e tinha o maior medo de tudo acabar ali, comigo morrendo num acidente de aviao. Hoje em dia estou menos ansiosa. De fato, a felicidade (ate agora pelo menos) esta com Eduardo nos Estados Unidos. Mas ja fizemos tantas coisas, ja viajamos tanto, ja tivemos tantas oportunidades, sem contar uma tremenda sorte, que sinceramente, para mim o que vier daqui para a frente e lucro. Querer nao quero, mas acho que hoje em dia ja morreria num acidente de aviao em paz.



Ele e meio desbocado nas opinioes dele. Deu para perceber que ele tem a maior antipatia de vegetariano (tem coisa pior para um chef que vegetariano?) e da Food Network. Ele falou sobre as viagens e experiencias dele, inclusive sobre o Brasil. Um dos pontos que ele falou que eu achei muito interessante foi o fato dele apreciar os pratos tipicos que nascem da necessidade e imaginacao, ao inves de pratos criados por chefs. Um dos exemplos foi justamente a feijoada – varios restos de carne ruim e barata, que voce junta com feijao e sai um prato maravilhoso. Dai que ele falou do escargot: “Voces acham que escargot foi criacao de chef? Quem criou o escargot foi um pobre coitado, morto de fome, que viu uma lesma passando na varanda da casa e pensou: ‘Nossa, se eu colocar bastante alho, azeite e molho nesse bicho, quem sabe eu nao consigo engolir?’”. Realmente, tenho que concordar com a opiniao dele. Nao consigo conceber que alguem troque um pedaco de carne por aquilo, e pague caro!






Tinha muito japones tirando foto e muita menina de saia curta vestida de “golfista”, uma das fantasias favoritas do povo daqui. Crianca tinha muito pouco. Nao sei se ja comentei aqui, mas voce praticamente nao ve crianca em DC (exceto na parte turistica da cidade e a regiao do zoologico). Afinal de contas, lugar de crianca e no suburbio 





