Archive for November, 2007

Quem Tem Medo de Aviao?

Pois e, eu me lembro de uma epoca da minha vida em que eu tinha pavor de voar de aviao. Hoje em dia ja nao tenho tanto medo assim. Nao que eu goste de viajar de aviao, mas morar longe da familia e o fato de eu simplesmente amar viajar pelo mundo tornou minha fobia muito custosa, dai eu desisti de ter medo.

 

Mas nao foi facil nao. Eu fiquei pensando e pensando para ver se achava a causa (e a cura) da minha fobia. Me lembro que tudo comecou quando Eduardo foi trabalhar na Microsoft. Um pouco tempo depois, uma amiga dele morreu num acidente de automovel. Por um motivo inexplicavel (e fobia tem explicacao?), depois desses dois fatores eu comecei a ter muito medo de morrer, e eu tinha certeza absoluta que eu morreria viajando de aviao. Dai comecou o meu panico, que perdurou ate muito tempo depois de eu vir morar nos Estados Unidos. Eu me lembro da primeira viagem que fizemos para a Europa, se nao me engano, em setembro de 2003. Eu sonhava com aquela viagem, e portanto rezei para que, se o aviao caisse, que fosse na volta, depois que eu tivesse aproveitado meu passeio. Pois bem, o aviao nao caiu. Nem nessa viagem, nem nas outras tantas que eu fiz. Tambem me lembro de um dos momentos mais deprimentes desde que cheguei aqui, em meados do ano passado, quando passei o mes de agosto no Alaska num julgamento. Nao gostava do caso em que estava trabalhando, nao gostava do fato de estar longe de casa no melhor verao que Seattle ja teve, e toda hora fazia a ponte aerea Anchorage-Seattle (o nosso cliente se suicidou alguns meses depois do julgamento, dai voces tem uma ideia que eu nao era a unica pessoa infeliz por la). Me lembro que numa dessas idas e vindas me peguei pensando – “Sera que eu vou ter a sorte de morrer num acidente de aviao hoje?”. Nao morri, ate quando queria ter morrido, dai que eu vi que esse negocio de morrer em acidente de aviao talvez nao fosse tao facil assim.

 

No final das contas, acho que minha fobia nasceu do fato de eu estar ansiosa naquele momento da minha vida. Queria muito vir morar com Eduardo nos Estados Unidos, achava que aquele era o caminho da minha felicidade, e tinha o maior medo de tudo acabar ali, comigo morrendo num acidente de aviao. Hoje em dia estou menos ansiosa. De fato, a felicidade (ate agora pelo menos) esta com Eduardo nos Estados Unidos. Mas ja fizemos tantas coisas, ja viajamos tanto, ja tivemos tantas oportunidades, sem contar uma tremenda sorte, que sinceramente, para mim o que vier daqui para a frente e lucro. Querer nao quero, mas acho que hoje em dia ja morreria num acidente de aviao em paz.

 

 

Thanksgiving em Seattle

Pois e, acabamos de voltar da ensolarada Seattle – acreditem se quiser, tivemos varios dias de sol durante nossa estadia, apesar de estar bem frio. Foi muito bom, conseguimos matar saudade dos lugares favoritos e dos amigos. Eduardo teve que trabalhar de segunda a quarta, dai aproveitei para andar pelo centro de Seattle (inicialmente estavamos num hotel bem no centro) e visitar meu escritorio antigo. A noite nos saiamos com os amigos para os restaurantes do centro. Terca a noite Eduardo teve que trabalhar ate tarde, dai eu tive que curtir a noite sem ele - fazer o que, alguem tem que se divertir nessa familia

 

Minha maior curiosidade de voltar para Seattle seria ver o que eu acharia depois de tanto tempo fora. Foi bem recomfortante chegar la e ver que estava tudo igual, exceto, claro, pelo fato de termos mais amigos tendo filhos, alguns ate indo para o segundo filho! De certa forma, o fato de ver as pessoas e as coisas da mesma forma que deixei foi um alivio, uma sensacao boa de que eu posso voltar a qualquer momento e que ainda tem um lugarzinho para mim por la. Por outro lado, reforcou o que eu sempre achei, que ter vindo para DC foi uma das melhores decisoes que fizemos, principalmente pela experiencia de vida. Minha conclusao e que eu voltaria a morar em Seattle numa boa, apesar de nao estar com tanta pressa para voltar. Afinal de contas, ainda temos (algum) tempo para curtir a vida sem muito compromisso.

 

Vacation

Sera que so eu e que me sinto assim as vesperas de tirar ferias?

 

Aprendendo com os Pros

Ontem fomos almocar na casa de um colega de trabalho de Eduardo, Aleksey. Apesar dele ser ucraniano, boa parte da familia dele e russa. Acho que ja comentei aqui nesse blog sobre ele e o parceiro dele, Edwin, que e dancarino profissional de flamenco. Nos fomos ate a um dos shows dele ha algum tempo atras – muito bom!

 

Pois bem, almocamos comida de El Salvador porque, bem, como todo casal, tem sempre um que e mais chegado a cozinhar. La para as tantas, Aleksey, que como todo bom russo tem um arsenal de vodka em casa, resolveu nos ensinar a beber vodka. Tem coisa melhor que aprender a tomar vodka com um russo? O truque e o seguinte: na hora que voce estiver expirando, quase sem ar no pulmao, voce toma o shot de vodka. Dai voce cheira a mao (ele nao soube explicar porque as pessoas fazem isso, mas e costume deles) e come um pickle em conserva. Nao e que funciona? Eu comecei com os sips, e no final ja estava fazendo full shots. O unico porem foi que depois de passar a tarde toda comendo, bebendo champagne, vinho, vodka e conhaque, cheguei em casa final de tarde ameacando um pouco de dor de cabeca. E, acho que esse pickle nao me fez muito bem.

Tony Bourdain: No Reservations

Quarta-feira a noite Eduardo e eu fomos a uma apresentacao de Anthony Bourdain aqui em DC, que faz parte da promocao do mais novo livro dele, “No Reservations: Around the World on an Empty Stomach”. Nao sei se o pessoal do Brasil conhece Anhtony Bourdain (coloquei uma foto dele no final do post). Ele tem um show no Travel Channel chamado No Reservations – e um programa sobre turismo mas bem focado na culinaria da regiao, ao inves de pontos turisticos. Ele tambem e chef de um restaurante em Nova York.

 

Pois bem. Pessoalmente, ele e tudo o que voce ve na TV: alto, magro, bonitao, com o maior vozeira  Ele e meio desbocado nas opinioes dele. Deu para perceber que ele tem a maior antipatia de vegetariano (tem coisa pior para um chef que vegetariano?) e da Food Network. Ele falou sobre as viagens e experiencias dele, inclusive sobre o Brasil. Um dos pontos que ele falou que eu achei muito interessante foi o fato dele apreciar os pratos tipicos que nascem da necessidade e imaginacao, ao inves de pratos criados por chefs. Um dos exemplos foi justamente a feijoada – varios restos de carne ruim e barata, que voce junta com feijao e sai um prato maravilhoso. Dai que ele falou do escargot: “Voces acham que escargot foi criacao de chef? Quem criou o escargot foi um pobre coitado, morto de fome, que viu uma lesma passando na varanda da casa e pensou: ‘Nossa, se eu colocar bastante alho, azeite e molho nesse bicho, quem sabe eu nao consigo engolir?’”. Realmente, tenho que concordar com a opiniao dele. Nao consigo conceber que alguem troque um pedaco de carne por aquilo, e pague caro!

 

No final teve uma sessao de perguntas, e alguem perguntou se ele ficava muito doente nessas viagens ja que ele comia muito em barraquinha de rua etc.  Ele respondeu que eles sempre fazem uma aposta dentre o pessoal do programa, que esta fazendo parte da viagem, para ver quem vai ficar doente primeiro. De acordo com ele, os primeiros a passar mal sao os que so ficam comendo no hotel e passam Dryel na mao o dia inteiro. O pior que e isso mesmo.

 

Casamento Indiano

Ontem fomos ao casamento de um colega do trabalho de Eduardo. Como ele e a esposa sao indianos, o casamento foi estilo indiano, na medida do possivel. Digo isso porque casamento indiano mesmo leva dias – ha varias cerimonias, e muitas que levam o dia inteiro. Acabamos com a versao reduzida da festa, mas mesmo assim deu para perceber que o negocio e demorado.

 

Pelo que eu entendi conversando com os varios indianos que estavam por la, aparentemente os detalhes do casamento variam um pouco de acordo com a religiao dos envolvidos. Em linhas gerais, o casamento comeca com o barat, que e a chegada do noivo e sua familia. Eles fazem uma procissao na rua, com direito a tambor e todo o barulho possivel; nem preciso dizer, viramos a atracao da rua do hotel. O noivo chega montado num cavalo, mas como ia ficar complicado demais para DC, o noivo chegou de cavalinho de pau mesmo

 

Ao contrario daquele vestido branco sem graca que as noivas usam aqui no Ocidente, a noiva chegou com um vestido vermelho, cheio de detalhes dourados e joias e pulseiras a perder de vista. Achei lindissimo! A cerimonia tem varios passos e detalhes, que nem eles mesmo sabem o que fazer. Nao raro voce ve os noivos com a maior cara de perdidos no meio do altar, com o pandit (o padre deles) dando instrucoes do que fazer. So nao deu para entender muito da cerimonia porque ela foi celebrada em Sanskrit – eu nao entendia quando o padre falava em ingles, quanto mais no Sanskrit dele. De vez em quando a esposa do chefe de Eduardo parava para me explicar o que estava acontecendo (ela e indiana, assim como o chefe de Eduardo). O jantar, como nao poderia deixar de ser, foi comida indiana. Adorei – se um dia eu casar de novo, vai ser no estilo indiano 

 

Esse e o barat, a chegada do noivo – prestem atencao ao cavalinho de pau.

 

 

O altar onde foi celebrada a cerimonia, e parte da cerimonia.

 

 

Os noivos.

 

O chefe de Eduardo com a esposa e os filhos.

Halloween na M Street e Jantar no M Cafe

A M Street nao tem nada a ver com o M Cafe, exceto pela coincidencia do nome, e pelo fato de termos ido a ambos dois dias seguidos. Tudo comecou porque ouvimos dizer que Georgetown era o lugar em DC que todo mundo ia para o Thanksgiving. Dai que decidimos ir onde todos vao, que a rua principal de Georgetown, a M Street. Mas chegamos a conclusao tinha gente demais. Nos estavamos andando na calcada e a policia comecou a colocar aquelas barricadas, que nem quando tem desfile na rua, para as pessoas nao irem para o meio da rua. Tinha tanta gente que as vezes ficavamos parados no meio da calcada, porque o sinal de pedestre nao tinha abrido la na frente e comecava a “congestionar”. Tambem, quando o sinal de pedestre abria, a policia saia logo gritando “Go, go, go”. Uns gentlemen, esses policiais daqui  Tinha muito japones tirando foto e muita menina de saia curta vestida de “golfista”, uma das fantasias favoritas do povo daqui. Crianca tinha muito pouco. Nao sei se ja comentei aqui, mas voce praticamente nao ve crianca em DC (exceto na parte turistica da cidade e a regiao do zoologico). Afinal de contas, lugar de crianca e no suburbio

 

Hoje fomos no M Cafe, um restaurante pertinho do trabalho de Eduardo. O restaurante e muito bonitinho, os precos sao bons para DC, mas o mais interessante e o publico alvo do lugar. O restaurante fica num lugar chamado The Collection at Chevy Chase, um shopping aberto com lojas que nem a Tiffany & Co, Louis Vuitton, Gucci, Bulgari, Cartier, e outras tantas lojas do mesmo tipo, sabe, daquelas que voce passa pela vitrine e ve poquissima roupa em exposicao, e ainda mais, sem preco? O resultado e que o restaurante tem a maior concentracao de perua por metro quadrado de DC (e olhe que nao temos poucas peruas nesse lugar). E muito engracado sentar la e ver as mulheres arrumadissimas, com sacolas de compra, a maquiagem impecavel, a bolsa da moda, bem assim, perua rica (ou sera ”socialite”?).