Archive for August, 2007

Ferias! Ferias! Ferias!

Hoje saimos de ferias, rumo a mais uma dessas viagens maravilhosas, que faz valer a pena todo o sufoco e chateacoes do ano. Hoje a noite pegamos o aviao rumo a Amsterdam; de la vamos de trem para Berlin, Praga, Budapeste e Viena (com uma parada em Bratislava). Duas semanas a base de vinho e cerveja, comendo bem (sera?), visitando museus, igrejas e castelos, passeando, conhecendo lugares diferentes… Vai ser muito bom! Pelo menos, assim eu espero

 

Auf Wiedersehen!

 

 

Chove Chuva

Seattle e bem famosa pela chuva, sempre fraca e constante. Quem mora em Seattle nunca anda de guarda-chuva, de tao fininha que e a chuva. Em Seattle, quando voce ve alguem de guarda-chuva na mao, voce sabe logo que aquela pessoa nao e da regiao. Eu, que passei um bom tempo em Seattle, mudei para DC com essa mentalidade de que nao, nao preciso de guarda-chuva.

 

Para minha surpresa, descobri que chove mais em DC do que em Seattle (o indice pluviometrico e 99 cm para DC e 96 cm para Seattle, de acordo com um site que achei por ai). Aqui nao chove com a frequencia diaria de Seattle, mas quando chove, e para valer. Voce reconhece quem e de DC quando comeca a chover e todo mundo tira um guarda-chuva da bolsa, da sacola, nao se de onde mais. Quando comeca a pingar, voce so ve turistas e pessoas que moravam em Seattle (euzinha) sem guarda-chuva. Eu aprendi rapidinho na primeira chuva que peguei quando estava na rua e cheguei em casa ensopada. Na segunda vez, com o guarda-chuva, consegui salvar o cabelo e boa parte da minha roupa, do tornozelo para cima para ser mais exata. Hoje em dia, pode estar o maior sol la fora, eu nao saio de casa sem meu guarda-chuva. Pode anotar: quando em DC, ande de guarda-chuva!  

As Pontes de Maryland

No domingo fomos para Frederick, em Maryland, uma dessas cidadezinhas charmosas, com um old town, lojinhas, restaurantes. A cidade e bonitinha, mas nada de tao especial comparado com as outras milhares de cidades charmosas que tem na regiao. A cidade estava meio parada ja que o dia estava meio feio, com temperatura nos “lows 70s” e chuvoso, o que e bastante frio para os padroes de DC. Mas o que eu gostei mesmo foram das Pontes de Maryland.

 

O website da cidade sugeria esse “driving tour”, que consistia em passar por tres pontes cobertas. O tour e muito relaxante – passamos por varias fazendinhas no caminho e vimos as pontes (sao tres no total, iguaizinhas). O passeio me lembrou muito o filme das Pontes de Madison – fazendas, pontes cobertas, so faltou o fotografo da National Geographic.

 

 

 

O Povo de Records

Na minha firma tem o departamento de Records, que cuida de catalogar os documents para serem arquivados (e olhe que sao muitos), colocar bar code nos “files” para nao perder nada, etc, etc, etc. E um trabalho muito repetitivo e chato. Pior que isso, so o povo que fica na frente da maquina de xerox o dia todo fazendo copias e mais copias, mas isso fica para outro dia. La em Seattle, em epoca de vacas magras, quando nao havia trabalho o suficiente para manter todos os paralegals ocupados, a empresa decidiu “realocar recursos”. E uma expressao muito bonita, que quer dizer “voce, que e paralegal, sera que nao podia ir trabalhar em Records ja que eles precisam de ajuda?”. Afinal, desde que eu comecei a trabalhar nessa firma, nunca tem gente o bastante em Records para dar conta do tanto de trabalho. Dai que a empresa ia pegando os paralegals com pior desempenho e mandando para Records, tanto que ficava aquele comentario pelos corredores “nossa, voce viu que fulano foi mandado para Records?”, “quem sera o proximo?”, “eu acho que prefiro me demitir a trabalhar em Records”. A pior humilhacao para um paralegal, acreditava-se, era ser mandado para Records.

 

Aqui em DC, eu trabalho no primeiro andar, carinhosamente apelidado de “dungeon”. Acontece que e primeiro andar para a frente do predio; nos, que estamos atras do predio, ficamos abaixo do nivel da rua, dai o nome “dungeon”. Nos dividimos nosso espaco com Records, e todos nos trabalhamos em cubiculos. Que ninguem em Seattle me ouca, mas tem horas que eu juro a voce que eu gostaria de trabalhar em Records. Enquanto nos, paralegals, estamos concentrados tentando entender porque diabos o advogado precisa daquelas centenas de documento agora, voce so ouve a explosao de gargalhadas vindo de Records. E assim o dia todo. Estou comecando a achar que o problema nao e falta de gente em Records, mas e porque eles nao trabalham mesmo. Fazer o que? Ate eu, que sou uma pessoa azeda por natureza, acho muito bom que tenham pessoas que conseguem ser assim, tao felizes, ainda mais trabalhando em Records. Verdade seja dita, eu morro de inveja do povo de Records.

O Senhor Smithson

Domingo passado fomos ao Smithsonian Institution Building, chamado de “Castle”. Bem, nao e bem um castelo, mas e como aquele ditado, “em terra sem rei tudo que tem torre e castelo”. O “castelo” foi construido em meados de 1850, e foi o primeiro predio do Smithsonian Institution. Hoje eles tem varios predios e museus (Galeria de Arte, Museu do Indio, Museu Aereo), sem contar o zoologico. E o que e melhor, e tudo de graca!

 

Eduardo e eu acabamos pegando um tour (tambem de graca), dai ficamos entendo melhor do que se trata o Smitshonian Institution. Tudo comecou com James Smithson, que era ingles e nunca pisou nos Estados Unidos. O Sr. Smithson era cientista, e a vida dele foi bastante facilitada pelo fato da familia ter muito dinheiro. Quando o Senhor Smithson morreu, seu testamento estabelecia que sua fortuna fosse para seu sobrinho, e que se o sobrinho por acaso morresse sem deixar filhos, que o dinheiro deveria ir “to the United States of America, to found at Washington, an establishment for the increase and diffusion of knowledge among men”. Pois nao deu outra: o tal do sobrinho morreu sem filhos, e a pequena forturna do Sr. Smithson, aproximadamente $508,000 no ano de 1836 (nao sei o quanto equivale nos dias de hoje, mas imagino que muito ja que $500,000 nao e de se menosprezar, mesmo nos dias atuais), foi parar por aqui, e foi criada a Instituicao Smithsoniana. Hoje nao so eles tem museus, como fazem pesquisa em varias areas. De acordo com nosso guia, o governo injeta em torno de $600 milhoes de dolares todo ano na Instituicao, o que equivale a 60% dos gastos. Os outros 40% vem de doacoes.

 

Uma das condicoes da Instituicao e que eles nao podem cobrar ingresso de entrada, justamente para alcancar a tal da ”difusao de conhecimento”. Apesar de eu achar que cobrar ingresso fosse ajudar em muito a custear as despesas, consigo ver o motivo nobre da causa. Afinal de contas, eu mesma nao sei se iria aos museus da Instituicao com tanta frequencia se tivesse que pagar… 

 

 

Cat Sitting

Esse final de semana eu estava cat sitting – mais ou menos que nem baby sitting, so que com gatos. Uma de nossas vizinhas mandou um e-mail para o listserv do predio perguntando se alguem queria fazer uma troca, do tipo “voce toma conta do meu gato quando eu estou de ferias e vice-versa”. Como tambem estamos de viagem marcada, achei maravilhoso ter alguem para tomar conta de Oscar.

 

As gatinhas se chamam Sophie e Djuna (pronuncia-se Juna). Sophie nao e de muitos amigos, mas Djuna e um doce. Como todo bom gato pertencente a um lar americano, Djuna come em cima da bancada da cozinha. Quando eu chegava la para dar comida, encontrava as duas me esperando na porta. A sessao de chamegos e miaus so acabava quando eu dava comida; dai ia cada uma para um canto, e eu nao recebia nem um miau de agradecimento. Mas tudo bem, anos de convivencia com Oscar me ensinaram que, afinal de contas, os humanos estao no mundo para servir os gatos, e nada mais.

 

 

 

Heat Advisory

Nao existe lugar perfeito mesmo. Em Seattle tinhamos “flood advisory”, porque chovia com tanta frequencia que os rios ameacavam subir demais e alagar casas e ruas; aqui em DC temos o “heat advisory”, porque fica tao quente que eles recomendam evitar ficar no sol, beber bastante agua, etc. Esses dias estamos tendo maxima de 100F (em torno de 37C), bastante quente. Sabado passado, por exemplo, fomos a um restaurante e quando estavamos voltando, em torno de meia-noite, estava insuportavelmente quente. E humido.

 

Para ser sincera, o calor nao me incomoda tanto. Que nem no inverno, quando esta bem frio, voce so anda na rua para fazer o estritamente necessario. Da rua voce vai para casa (que tem aquecimento/ar condicionado), para o trabalho (idem), para o carro (idem), para o restaurante (idem), para o metro (idem)… Me incomodava no Brasil, que nem chegava a fazer 100F (pelo menos nao em Salvador), mas era insuportavelmente quente – eu nao tinha ar condicionado em casa, no carro, ou ate mesmo na faculdade. O povo aqui reclama do calor, mas com toda sinceridade insuportavel era morar no Brasil, onde tinhamos o calor e nenhuma estrutura (leia-se: dinheiro) para enfrentar o problema. Morar aqui tem suas vantagens, muitas vantagens, muito mais do que desvantages…

 

 

 

Todo Dia e Dia de Festa

Quando Eduardo e eu moravamos em Redmond, tinhamos esse habito de que segunda a quinta era para ficar em casa (ou, quando tinhamos oportunidade de sair, era para ser uma coisa simples, bem a toa mesmo), e sexta e/ou sabado era para ir a bares, restaurantes em Seattle, etc. Aqui em DC e um pouco diferente, parece que todo dia e dia de festa.

 

O nosso apartamento temporario, no Gallery Place, ficava perto de varios restaurantes. Quando voltavamos do trabalho final de tarde, percebiamos que estavam todos cheios, todo dia, de segunda a segunda. Quando mudamos para o nosso apartamento definitivo, na U St., acontecia exatamente o mesmo. Dai que comecamos a sair com mais frequencia durante a semana tambem – parecia tao divertido! E divertidissimo, o problema e aguentar o pique desse povo. Ja aconteceu de irmos a restaurantes e bares na nossa rua durante a semana, sair da la perto de meia-noite e deixar o lugar lotado. Sera que eramos os unicos que tinham que trabalhar no dia seguinte?

 

Algum tempo atras, nos tinhamos prometido uma feijoada para os nossos vizinhos (que por sinal estao indo ao Brasil em outubro para um casamento). Como estava dificil de arranjar uma sexta ou sabado que fosse conveniente para todos, minha vizinha perguntou se terca seria um dia bom para nos. Por mim tudo bem – fizemos a feijoada ontem e foi muito legal, caipirinhas mil, e minha terca ficou com cara de sexta-feira. O meu problema, porem, e que no dia seguinte eu queria curtir ressaca de final de semana, daquela que voce so quer ficar em casa de bobeira curtindo o excesso do dia anterior, mas dai voce acorda e percebe que ainda e quarta-feira! E pior que isso, tem que ir para o trabalho!! Acho que ainda nao virei uma verdadeira “Washingtonian”, nao sei muito bem como lidar com isso por aqui