As Resoluções

Por aqui, sem muita novidade. Comecei o ano sem muita criatividade, daí os blogs espaçado. Esse ano começa sem muita emoção – nada de mudança ou reforma de casa - e acho que desacostumei com essa vidinha devagar. Mas procuro preencher esse vazio de várias formas, uma delas inventando resoluções para mim e para os outros.

O Oscar, coitado, foi minha primeira vítima. Resolução seríssima de ano, dele e de metade do planeta: perder peso. Começamos levando ele no veterinário para ficar quite com as vacinas. Para nossa surpresa, ele tinha engordado dois pounds desde o ano anterior. Dois pounds para mim significa um final de semana animado e regado a vinhos, queijos e bolo de chocolate, mas para o pobre Oscar dois pounds significa um bocado de pounds. O veterinário nos alertou para o fato de muitos gatos hoje em dia ficarem com diabete por causa da obesidade, e eu também decidi que minha resolução de ano é não cuidar de um gato diabético. Daí que agora a comida dele está regrada. Ele anda decidido a perder os dois pounds, tanto que anda levando a dieta a sério. Vez por outra ele fica zangado (devo dizer, bastante zangado) pela falta de comida, e como ele já percebeu que eu e Eduardo somos os ”alimentadores”, dana a miar grosso para nosso lado. Mas não posso culpar o Oscar, atire a primeira pedra aquele que não fica de mal humor quando está de dieta.

Minha resolução de ano foi procurar viajar mais. “Viajar mais do que vocês viajam?”, perguntou um amigo assombrado. Bem, acho que sempre pode-se viajar mais do que se viaja. Eu já estou com minha agenda do primeiro semestre já lotada de viagens. Mas admito que não se trata de uma resolução especificamente, já que viajávamos com frequência. Daí que eu inventei outra resolução para mim: ser mais sociável! Não me acho uma pessoa antipática e desagradável de jeito nenhum, mas reconheço que não me esforço muito para fortalecer vínculos de amizade. Daí que comecei o ano mandando e-mails para minhas ex-colegas da Heller para almoços e happy hour, e também aproveitei para me “entrosar” mais com minhas colegas paralegals. O resultado é que ando com uma vida social bem agitada, ao ponto de eu não saber quanto tempo Eduardo vai aguentar com tanta agitação.

E Eduardo, qual foi a resolução dele? Bem, sendo Eduardo um homem crescido, deixei que ele mesmo escolhesse. Se me lembro bem, ele comentou que o que ele gostaria de fazer seria fazer mais coisas que ele gosta. Sacou? Bem, como a rotina dele não mudou em absolutamente nada, eu acredito que o que ele gosta mesmo é da vida que ele tem. Nada mal, o ruim é gostar da vida dos outros. Ou da esposa dos outros, aí não rola. Mas enquanto ele continuar fazendo o que gosta (desde que não envolva quebrar os votos de casamento), eu continuar me ”entrosando” socialmente, e o Oscar continuar firme e forte com a dieta, mesmo que não gostando, estamos todos em harmonia nessa casa.

Rick Steves

Sábado passado fomos para uma apresentação de Rick Steves, uma de nossas celebridades locais. Para quem não conhece Rick Steves, ele escreve guias de turismo específicos para a Europa e também tem uma empresa que oferece tours para aquela região. O evento durava o dia inteiro de sábado, com várias apresentações sobre os tours que a empresa dele oferece. A última apresentação do dia foi com ele, no qual ele contou a história dele e de como a empresa se formou. Assim como a família Frommer, tudo aconteceu meio que por acaso.

Tudo começou há muitos e muitos anos atrás. Rick Steves nasceu, cresceu e ainda mora em Edmonds, uma cidade ao norte de Seattle. O pai dele tinha uma loja de piano e viajava com frequência à Europa a trabalho. A primeira viagem dele à Europa foi aos 14 anos. Adorou, e um pouco mais tarde na adolescência começou a viajar sozinho. A vida dele era dar aula de piano para custear os passeios para a Europa. Mais tarde foi se profissionalizando e fazia tours pequenos, com uma minivan, com o propósito tão somente de pagar a viagem. O filão foi quando ele percebeu que faltava muita informação para quem queria viajar sozinho, daí ele começou a escrever uns guias aqui e acolá, e até preparou uns cursos para pessoas interessadas em viajar pela Europa. O negócio foi crescendo e dali a pouco ele já estava escrevendo guias profissionais, fazendo programas de TV e divulgando sua empresa de turismo.

Rick Steves é uma pessoa bastante idealista e politizada. E adora viajar. Os tours deles tendem a ser um pouco mais independentes, tanto que a empresa dele começou com o nome de “Through The Back Door” (ou “Pela Porta dos Fundos”). Devo acrescentar, os tours deles são mais caros do que a média, o que se deve ao fato de serem grupos menores (máximo de 25, ao contrário dos tours normais de 40-50 pessoas), os hotéis serem mais boutique ao contrário dos hotéis de cadeia, e ele se empenhar muito em escolher bem os guias que ele usa. Rick Steves também tem um blog , que eu acompanho com frequência e adoro.

Há algo de muito interessante que acontece com as pessoas que tem fascínio por viagem. Assim como pessoas que tem fascínio por carro, ou moto, ou tecnologia, ou qualquer outra coisa, assim que você descobre alguém que “pertence ao seu grupo”, você sente uma conexão de imediato, mesmo que você não tenha mais nada a ver com a outra pessoa. Americano é um povo que em geral trabalha muito e viaja pouco, principalmente quando se trata de viagens longas. Eu e Eduardo em geral fazemos uma viagem longa no ano, que classifico como viagem de 12 a 14 dias (às vezes até duas, se for ano de ir ao Brasil). Em geral os empregadores nos Estados Unidos não gostam que você faça uma viagem tão longa. Afinal de contas, ficar fora do trabalho duas semanas exige uma organização muito melhor da sua parte e um envolvimento muito maior de outras pessoas para que seu trabalho não fique inacabado e emperrando outros projetos. No meu trabalho atual, assim como no meu trabalho antigo, todo mundo era muito legal quando eu abria a boca para dizer que ia tirar duas semanas de férias, apesar de eu saber que a preferência deles era que eu tirasse uns três dias aqui e acolá ao invés de 10 dias de uma vez só. Mas sabe o que me safava nessa história toda? O fato de ter um ou outro advogado no meu grupo que simplesmente AMAVA viajar. Eles clicavam comigo, eu clicava com eles, e como tudo nesse mundo, nada melhor do que alguém que entende suas prioridades e tem cacife e poder de decisão do seu lado. Nesse ponto, não dá para reclamar muito da vida. Aliás, não dá para eu reclamar da minha vida, e ponto. Tenho que admitir, ela tem me tratado direitinho ;-)

Guloseimas

Voltando ao assunto do voltei americanizada, uma das coisas que todo brasileiro expatriado ADORA fazer quando volta ao Brasil é saborear as comidinhas – o tempero, o recheio, o sabor, o tudo. Comigo não é diferente. Até essa última viagem. Fui sonhando em comer a pizza maravilhosa da Companhia da Pizza, o crepe de dar água na boca do Mariposa, e ir naqueles restaurantezinhos para saborear os temperos locais. Mas dessa vez, diferente das outras vezes, foi meio decepcionante.

Comecemos pela pizza.  Fui lá e pedi uma pizza de catupiry com frango. Estava boa, sim, mas não tão boa quanto a pizza de rúcola com prosciutto da Via Tribunali.  Quanto ao crepe, fomos no Mariposa algumas vezes. Da primeira vez, o sorvete parecia gelo. Da segunda, a massa estava meio puxenta. Acho crepes muito mais gostosos aqui em Seattle, no La Cote e no 611 Supreme.  É verdade que você  não vai achar crepe com recheio de doce de leite pelas bandas de cá, mas de que adianta doce de leite se a massa parece borracha??? Também comemos em alguns outros restaurantes, alguns até recomendados, e nada me chamou muito a atenção. E apesar do calor, evitava tomar sorvete porque os poucos que tomei deixaram muito a desejar se comparados com a Mora ou com o Molly Moon.

Foi tudo ruim? Claro que não, e os 4 pounds que eu ganhei nessa viagem são prova disso. Vamos começar pelos doces. Uma das minha docerias favoritas, perto da casa dos pais de Eduardo, tinha uma tal torta casadinho (bolo branco e bolo de chocolate com recheio e cobertura de brigadeiro) que era muito boa demais. E por demais calórica.  Fui lá umas 2 … 3 … 4  vezes. Também passamos três dias numa pousada em Praia do Forte, do qual o ponto alto era o café da manha. Cuzcuz de milho, cuzcuz de tapioca, bolinho de estudante, banana frita, bolos, aimpim … Mal acabava o café da manhã e já ia tomar as roskas. Não sei se o povo do sul conhece, mas roska é uma batida de fruta com vodka – que nem caipirinha, mas usa-se vodka ao invés de cachaça e  faz-se com todo tipo de fruta – caipiroska, sirigueloska, cajuroska, kiwiroska . Roska cai muito bem com peixe frito, bolinho de peixe e acarajé na barraquinha da praia.

Voltando para casa, claro, a primeira providência foi passar a semana na base da sopa, peixe grelhado e salada para desintoxicar. Consegui perder parte do peso que tinha ganho, que foram devidamente reconquistados depois de um final de semana regado a vinho, foundue de queijo e chocolate. Já vi que minha resolução de ano não durou muito ;-(

Prosperidade Caótica

O que mais me surpreendeu da minha viagem ao Brasil dessa vez foi a prosperidade caótica pela qual o país passa. O setor imobiliário anda uma maravilha, pelo menos em Salvador - centenas de prédios em construção e crédito menos difícil (não fácil, pois nada é fácil no Brasil), o que facilita a venda de imóveis (boom imobiliário e facilidade de crédito me lembra um pouco a situação pela qual os Estados Unidos passou antes da crise, mas isso é assunto para outro dia). Você consegue ver a prosperidade econômica pela enorme quantidade de carros  na rua, inclusive carros caros. O que me leva a falar do trânsito, que está caótico como nunca vi.

Por um lado, o trânsito melhorou, e muito. Há alguns anos começaram a implementar os radares, e por conta disso as pessoas não dirigem mais tão rápido. Daí que quando você se envolve num acidente, a chance de morrer é menor. Agora está o maior caso com a política de tolerância zero a motoristas alcoolizados, daí que muita gente pensa duas vezes antes de beber e dirigir. Como disse um amigo nosso, “não somos mais livres nesse país para fazermos como bem entendemos”. Por outro lado, continua a história de dirigir colado na traseira do carro da frente, cortar outros carros tanto quanto possível e dar espaço para outros carros o mínimo possível. Enfim, nada fora do normal, somente a típica falta de educação brasileira.  Dirigir no Brasil envolve vários “quase acidentes”. Como diz Eduardo, tudo é mais emocionante. E haja coração para tanta emoção.

Brasileiro é um povo reclamão, daí que tudo está ruim. A enorme quantidade de carro na rua se deve à prosperidade econômica pela qual o país passa, e muita gente preferia que não fosse assim. Afinal de contas, não há infraestrutura para tanto carro e não há perspectiva das coisas melhorarem. E há também a proliferação das motos, pois muita gente não tem dinheiro para compar carro mas pode comprar uma moto, para assim poderem trafegar entre os carros e destruir os espelhos retrovisores de quem estiver na frente.

Ouvi de outro amigo nosso, ao comentar sobre a justiça baiana, que a coisa tem que melhorar muito para ficar ruim. Assim são as coisas no Brasil. Vou dar um exemplo. Há anos fomos à Itália, um país que eu classifico como o zoneado civilizado. Por algum motivo a Itália está caracterizada como primeiro mundo, mas a sensação quando se visita é um tanto quanto terceiro mundo – falta de educação no trânsito, primeiro-ministro que não é lá essas seriadades todas e por aí vai. Pois bem, o Brasil tem que melhorar muito para virar a Itália. E vou te contar, passar duzentos anos melhorando para virar Itália é de doer.

Como disse um outro amigo nosso, prefiro morar numa Inglaterra falida a morar num Brasil próspero. Eu concordo. Ouvi dizer que a crise no Brasil não foi tão mal assim. Pois eu prefiro os Estados Unidos com crise (e quem mora lá sabe que não foi fácil) ao Brasil próspero. Mas há vantagens em se morar no Brasil. Serviço é barato, daí que você pode ter uma empregada em tempo integral em sua casa, babá para seus filhos (todos os nossos amigos com filho no Brasil tem babá) e caseiro, tudo ao mesmo tempo! O clima é quente, há praias e carnaval. E muitos feriados. Pena que eu não dê bola para nada disso.

Vai ver o problema desse mundo é que ele é redondo. Se fosse quadrado ou retangular, talvez as coisas fossem mais fáceis…

Na Academia

Estou aproveitando minha estadia no Brasil para estudar os costumes dos nativos locais. Unindo minha curiosidade cultural ao útil, resolvi ir à academia, da qual participam minha mãe e minha irmã. Em linhas gerais, academia no Brasil é como tudo no Brasil: serviço é baratíssimo, daí que o nível de atenção que você recebe em relação ao que paga é muito maior, comparando-se com os Estados Unidos. Claro que os monitores atenciosos que ficam ali te ajudando nos aparelhos de musculação ganham uma mixaria, mas ninguém parece se importar muito com isso. E como eu sei que eles ganham uma mixaria? Bem, daí vai meu segundo ponto sobre a academia, que é como tudo no Brasil: todo mundo sabe da vida de todo mundo. Minhas informantes sabem do salário deles. E outras coisas mais, do tipo “aquele ali teve filho cedo, ó, agora tem vinte e poucos anos e está tentando estudar para o vestibular de medicina com dois meninos para criar. Como pode, né???”, ou “aquele ali, ó, todo dia pela manhã vai tomar o mingau da Dona Dora do outro lado da rua, se não se cuidar vai ficar é barrigudo.” E por aí vai.

Eu, acostumadíssima com o estilo americano do cada um por si, estranhei demais aquele nível de atenção dos monitores da academia, olhando sua postura e mandando você alongar. Agora estou até gostando. E as pessoas se tocam! Quem mora nos Estados Unidos sabe que as pessoas evitam se tocar o máximo possível, mas aqui eles gostam dessa “troca de energia” que é uma coisa séria. Com isso eu não me acostumei, afinal de contas, já estou americanizada do que até eu imaginava. Ah, e as pessoas vestem roupas de ginásticas coloridas e estampadas.  Bem verão. Com isso também não me acostumei, até porque verde limão e bermuda de ginástica branca com bolinhas roxas ou estilo escama de cobra não combinam muito com meu estilo elegante americano metido a besta. Daí que resolvi comprar umas roupas de ginástica por aqui e tive a maior dificuldade.

Vendedora: “Olha só essas bermudinhas, bem coloridas, olha que estampa bonita!”

Eu: “Eh … tem alguma coisa lisa, tipo preto ou cinza?”

Vendedora: “Olha, tenho pouquíssimo, em geral só as senhoras mais velhas compram as bermudas pretas. Tem essa azulzinha aqui, você gostou?”

Eu: “Ótimo, é isso mesmo o que eu quero.”

Vendedora: “Está até na promoção, essa aí não vende muito bem…”

Muito simpática a vendedora, que por sinal também é dona da loja. Ela contou que ela mesma faz as bermudas (e também biquini, e também faz alteração de roupa e o que mais você precisar nessa vida), e engatou num papo muito legal com minha irmã.

Vendedora: “Olha, eu faço de tudo, remendo roupa, bainha de calça, encomenda de biquini, o que você precisar.”

Minha irmã: “Bom saber …”

Vendedora: “Esse negócio de fazer roupa para encomenda é meio complicado, porque às vezes o freguês não gosta e é a maior dificuldade. Essa mulher que acabou de sair daqui da loja mesmo, devolveu a peça porque não gostou. Ela mora em Praia do Forte e de vez em quando vem aqui. Mas é meio complicado, com frequência ela não gosta das roupas que encomenda. Tem gente que é difícil assim mesmo.”

Vixi Maria, como o povo aqui conversa!

Feliz Natal, Prospero Ano, Blah Blah Blah

Domingo passado foi a festinha de Natal do meu grupo de aerobica da academia. Todo ano fazemos a festa na casa de alguem, convidamos os “assiduos”  e  os “nao tao assiduos” que participam das aulas, assim como os alunos que costumavam participar mas nunca mais foram porque decidiram que aula de 6 as 7 da manha e muito cedo para eles.  Cheguei na festa em boa hora, 15 minutos “fashionably late”, mas fui uma das ultimas a ir embora. Por que? Porque eu percebi que a medida que as pessoas iam saindo, as mulheres restantes (como voce pode imaginar, a maioria do grupo e mulher) danavam a falar da recem saida. Como eu queria saber da fofoca que corria e nao queria ser alvo da fofoca alheia, o jeito foi ir ficando. Mas sendo um grupo legal, as fofocas nao sao maldosas. E fofocar e tao bom, quem resiste?? Temos ate dois homens no grupo de aerobica, um deles meio suspeito. Claro, assim que eles saiu, passou ser o assunto da turma.

Aluna 1: “Voces acham que ele e gay?”

Professora: “Totalmente!”

Eu: “Tambem acho. Educado, boa forma fisica, e ainda trouxe uma lembrancinha para a dona da casa … homem perfeito assim so pode ser gay.”

O outro homem nao parece ser gay, mas ele dever estar nos 40’s e mora sozinho em Capitol Hill. Ou seja, igualmente suspeito.

Falar em Capitol Hill, e fato de que se trata do bairro gay de Seattle. Dia desses houve uma convencao de Papais Noeis no bairro. Acho que e uma tradicao, combina-se o dia e quem quiser vai para a rua vestido de Papai Noel. Mas tinha muito Papai Noel, e de varias especies – Mamae Noel, Doende Noel, Papai Noel de calca colada… e isso ai, Natal em Capitol Hill nao poderia deixar de ter Papai Noel gay.

Falar em Papai Noel, esse ano vamos passar o Natal no Brasil, dai que  nem animei a arrumar arvore ou enfeite de Natal. Quando eu morava em DC uma paralegal do meu grupo passou uma semana de dezembro na Tailandia a trabalho. Ela voltou morrendo de rir e contando que, onde ja se viu, nao existe pinheiro na Tailandia (tao ou mais quente do que o Brasil), mas mesmo assim o povo comprava pinheiros falsos e colocavam neve falsa e tudo falso, e que ela nunca pensou que eles fariam isso porque nao existe pinheiro em pais tropical, e que ela achou engracadissimo e interessantissimo que eles se dariam ao trabalho para ter um pinheiro, mesmo que falso. E voltando ao assunto do imperialismo americano, os tailandeses e brasileiros e mexicanos crescem vendo os desenhos e filmes americanos com Natal lindo de neve e pinheiro … O que ela queria que nos fizessemos? Usasse cacto ao inves de pinheiro? Se o Mickey Mouse tinha um pinheiro e o Pato Donald tinha um pinheiro e as atrized glamorosas de Hollywood tem um pinheiro, por que nos de pais tropical nao temos direito a um pinheiro? Cada uma…

Zé Carioca

Dia desses estava eu dirigindo na ponte da 520 quando vi uma águia paradinha num dos postes. Lá estava ela - linda, imponente, altiva, zelando por nossa nação do alto do poste da 520. Não pude deixar de parabenizar a boa escolha de quem quer que seja de ter escolhido a águia como símbolo dos Estados Unidos. Ao contrário do papagaio, símbolo do Brasil. Ou assim pensava eu, até que Eduardo me corrigiu dizendo que ninguém nunca afirmou que o papagaio era símbolo do Brasil. Fiz umas pesquisas na internete e, de fato, não achei nenhum documento oficial comprovando tal fato.

Já ouvi a teoria da conspiração de que foi Walt Disney que inventou essa história do papagaio ser o símbolo do Brasil quando criou o Zé Carioca. Eu nunca gostei muito do Zé Carioca – malandro, descansado, só queria saber de sombra e água fresca. Eu, porém, tenho a prova definitiva de que o papagaio é, de fato, o símbolo do Brasil: a bandeira brasileira! Quem nesse mundo, me diga, inventaria de colocar verde, amarelo e azul junto e achar que isso ficaria bom? Eu só consigo justificar uma mistura de cor tão desagradável aos olhos pelo fato desse alguém ter olhado o papagaio, tão simpático e conversadeiro, e pensando que já que aquele seria o símbolo da nação, bem que poderíamos dar uma forcinha e fazer uma bandeira parecida.

Não posso deixar de pensar que é um símbolo bem colorido. E simpático. Nada imponente, mas boa praça.  E se você ainda levar em consideração o fato de que a Coca-Cola criou o Papai Noel, temos aí o exemplo perfeito do imperialismo americano definindo nosso conceito de mundo. Eu não consigo pensar no mundo sem Papai Noel, e acho que, se foi o Walt Disney de fato que inventou essa história de símbolo do Brasil ser o papagaio, acho que acertou na mosca. Esses americanos … o que será que eles vão aprontar agora???

Michiganians Em Paris

Eduardo e eu adoramos um programa da HGTV chamado House Hunters International.  A historinha do programa é sempre a mesma – uma pessoa/família/casal à procura de uma casa em outro país. Eles mostram os compradores olhando três casa e no final do show eles mostram qual a casa escolhida. Meus favoritos, como não poderia deixar de ser, são as buscas por casas na Europa. O último programa que vimos, por exemplo, mostrava um casal de Michigan com dois filhos pequenos (daí o título do episódio e desse post) em busca de uma casa em Paris. Ele tinha sido relocado pela empresa que trabalhava e a família toda se mudou de mala e cuia para Paris. A vida deles nos Estados Unidos era bem comfortável, como nós e nossos amigos que moram por aqui podem atestar – casa grande no subúrbio, fartura, cachorro …

Logo de cara, eles desistiram de comprar um imóvel e resolveram alugar (admito, foi a primeira vez que vi isso acontecendo no programa). Eles não queriam gastar mais de U$4,300 por mês de aluguel, o que é um budget bem generoso na minha opinião, mas acontece que, ao contrário de Seattle, U$4,300 não faz milagre em Paris.  Daí que o primeiro apartamento que eles viram era muito bonitinho, iluminado, num daqueles prédios lindos de Paris, e bem localizado no centro da cidade. O problema? O apartamento era pequeno, com cerca 800 sf (cerca de 73 m2), e bem caro – o aluguel quase passava do budget deles. A segunda opção era um apartamento não tão legal, numa localização fora do centro (fora da área turística, digamos assim, e mais perto da área onde moram os imigrantes revoltados da França que tanto vemos na TV), e nem por isso tão abaixo do budget deles. Ainda por cima, parecia que era habitado por hippies, com tudo muito colorido. A terceira opção, não tão legal quanto a primeira mas não tão ruim quanto a segunda, ficava fora do centro mas custava uns $3,000 de aluguel e era uma casa geminada. Qual foi a casa que ganhou?

Antes de revelar o final da história, queria contar os fatos mais interessantes do programa. Americanos (e nisso estou incluindo eu e Eduardo) gostam de comforto – cômodos grandes para colocar móveis grandes para pessoas cada vez maiories. Daí que todos os apartamentos que eles viam tinham o mesmíssimo problema de “vixi (licença poética), nossa cama “king size” com quatro “posts” não vai caber nesse quarto”. Assim é a vida em Paris, paga-se mais por menos. E não tem onde estacionar. Outro problema era a segurança dos filhos. Americano é um povo estressado e quem mora aqui fica estressado por pura e simples osmose. Eu reconheço e admito, daí que quando você vai para a Europa e vê aquele bando de gente andando de bicicleta com o filho na cestinha da frente,  SEM capacete NEM qualquer outro tipo de proteção, fica assombrado com aquele povo tão despreocupado. E os bares, com aquele bando de criança e mulher grávida envoltos naquela fumaça de cigarro? Absurdo dos absurdos! O maior problema da casal de Michigam eram as janelas, que iam de cima a baixo da parede e sem proteção para criança, e a varanda que tinha um gradil de 1 metro de altura que, Deus do Céu, os meninos podem voar por cima. Numa das casas que eles olharam, a coisa foi mais ou menos assim:

Mulher de Michigan: “Mas essas janelas são um perigo.”

Corretor: “Por quê, você não gosta das janelas?”

Mulher de Michigan: “Não é isso, mas elas vão até embaixo, abrem para fora e não tem proteção. É um perigo para quem tem criança!!!”

Corretor (coçando a cabeça): “E se você falar com seu filho que não é para pular da janela, será que ele pula mesmo assim?”

Dava para ver que no final o corretor estava intrigado com essa história de criança e janela, sem entender o porque da preocupação. E deu para ver que a mulher estava cada vez menos encantada com Paris e com aquela vida onde tudo é caríssimo,  sua cama king size não cabe nos ambientes e o povo não dá, digamos assim, o estresse devido ao evidente problema de crianças e  janelas.

Pois bem, no final eles ficaram com a casa número três, e que eu saiba os meninos continuam são e salvos.  Os móveis, por outro lado,  ficaram um tanto quanto apertados. A sala de estar foi meio ambiente favorito, mais do que o quarto. Eles  “decoraram” o ambiente com um sofá florido, duas poltronas listradas e um tapete oriental (e aqui não estou usando de licença poética). De qualquer forma, eu tenho que tirar o chapéu aos Michiganians, que apesar de terem sua vida muito legal e comfortável no U S and A, decidiram largar casa e cachorro, apesar de não terem largado dos móveis, para tentar uma vida diferente em Paris. Eu que o diga, quando nada vale pela lição de vida ;-)

Disnelylândia de Gelo

Estamos nós aqui passando o raríssimo final de semana prolongado na Disneylândia de Gelo, que nada tem a ver com a Fábrica de Gelo.  Trata-se de Whistler, Canadá, cidade maravilhosa e sonho dos esquiadores, perto de Vancouver e uma das cidades participantes dos Jogos de Inverno de 2010.  Whistler, ou pelo menos a Whistler que conhecemos, é uma vila pequena e compacta que tem tudo que você precisa para um final de semana prolongado – hotéis, restaurantes, mercadinho … De dia o programa é esquiar, à noite o programa são os bares e restaurantes. Me lembra um pouco a Disneylândia, no sentido de que é uma cidade um tanto quanto artificial (não há moradores por aqui, somente visitantes) e, como tal, os restaurantes e lojas são caríssimos, e não necessariamente bons.

Mas Whistler é uma cidade versátil. É uma cidade legal para solteiros, para casais sem filhos e para famílias. Eu e Eduardo, por exemplo, não esquiamos, apesar de já termos feito aulas de esqui e tentado algumas vezes. Mas nem por isso ficamos entediados. Hoje pela manhã acordamos e fomos comer um crepe no Crepe Montaigne, nossa creperia favorita de Whistler. Depois  pegamos o lift para a montanha e fizemos o que eles chama de “Peak 2 Peak”, que é uma gôndola que liga as duas montanhas de Whistler. Confesso que me deu uma pontinha de inveja daqueles esquiadores todos quando cheguei lá em cima, o que passou rapidinho assim que voltei à base da montanha, me acomodei num restaurante com uma vista maravilhosa e passei horas admirando a paisagem e os esquiadores. Primeiro foi o almoço (um sanduíche bastante “overpriced”), seguido de um chazinho e muita enrolação. À tarde ficamos descansando no quarto de hotel, que até lareira tem. É uma lareira muito charmosa que liga com um “timer” – você marca, por exemplo, 50 minutos de lareira, e fica ouvindo aquele “tic tac tic tac” do timer, até o tempo acabar. Lembra um pouco aqueles “timers” de bomba dos filmes de terroristas, tão populares ultimamente. À noite a programação é sair e tomar um vinho com tapas, seguido de uma sobremesa, mais um “irish coffee” … enfim, não tenho muito do que reclamar da minha estadia por aqui. Amanhã seguimos para Vancouver e passamos a noite lá, e domingo estamos de volta para nosso lar doce lar em Seattle.  Ah, se todos os finais de semana fossem assim ;-)

Cada Um Tem A Toupeira Que Merece

Tempos atrás estávamos conversando com uns amigos nossos que moram do outro lado da ponte e eles estavam se queixando do problema das toupeiras.  Ao falar em toupeira, me vem a cabeça aquele bichinho bonitinho e simpático que passa a vida cavando túneis e buracos. E aí está o problema, principalmente se a toupeira invoca de cavar buraco no seu quintal. Elas matam sua grama, destroem suas plantas, e ainda faz seu quintal parecer um queijo suíço. Not nice. Eles já tinham tentado de tudo permitido por lei para se livrar das toupeiras, mas até aquele momento as toupeiras estavam vencendo.

Aqui em Seattle temos outro tipo de toupeira, que é a toupeira humana. Nada de bichinho bonitinho e simpático fazendo túnel no seu quintal (que por sinal, concretamos para dar menos trabalho). Aqui temos seres humanos que, na calada da noite ou do dia, estacionam indevidamente na sua driveway, bloqueando sua passagem, e jogam porcaria no seu quintal da frente. Há meses atrás, ao acordamos num bonito dia chuvoso, fomos confrontados com um amontodado de equipamentos eletrônicos que alguém jogou na calçada em frente a nossa casa. Se me lembro bem, eram uns três monitores, duas CPUs, alguns teclados, e tinha até uma peça pequena de móvel. Tenho jeito melhor de se livrar de treco que você não quer do que jogar na calçada do vizinho???

Minha primeira reação, e aí admito que a toupeirice foi tomando conta de mim, foi de pegar tudo e jogar na casa do vizinho do lado. Daí viraria problema dele, é ou não é? Eduardo, muito educado e seguidor das regras de civilidade, disse que aquilo não era correto. Daí que fui investigar o assunto e descobri que existe um departamento em Seattle para “illegal dumping“, que se dedica a limpar as áreas públicas do lixo que as toupeiras humanas jogam por aí. Não são muito rápidos, tanto que eu liguei e duas semanas depois ainda não tinham aparecido, mas eventualmente eles levaram tudo embora. Ou o que restou. Como vocês podem imaginar, no período de duas semanas as coisas começaram a desaparecer. Afinal de contas, quem não se aproveitaria da oportunidade de levar para casa um monitor grátis que achou na rua, mesmo que esse monitor esteja lá tomando chuva há uma semana? Negócio da China!

Apesar de todas minhas reclamações, nossos vizinhos até que tem se comportado. Nunca mais jogaram nada na nossa calçada (se bem que esses dias vi uma geladeira na calçada do vizinho, que ficou lá uma semana ou mais) e nunca mais bloquearam nossa driveway (compramos uns cones para colocar na beirada da driveway, que foram devidamente e previsivelmente roubados, mas que surpreendentemente duraram meses). No momento, nossas toupeiras estão sob controle.

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